quinta-feira, maio 25, 2006

O novo desafia, mas não assusta...

Passei o dia na Redação segurando as lágrimas que teimavam querer rolar em minha face. Mas agora, na privacidade de minha casa e diante da cumplicidade de meu computador, permito que caiam desgovernadamente. E ainda que não quisesse não poderia mais conter, porque desagüam muito além de qualquer possível controle. Tudo reação à mudança da editoria de Cidades para Política. Não... não estou triste com o novo arranjo, quiçá desistimulada. Estou saudosista das pautas de educação, infância e adolescência que ainda nem deixei direito, mas que (como sempre) já sofro por antecedência por não mais fazê-las cotidianamente. O nó na garganta e o aperto no peito me levam a perceber que, na contramão de muitos jornalistas que perderam a esperança em fazer jornalismo social de verdade, eu ainda acredito.

E acredito por sentir-me realizada ao concluir uma pauta e sentir que pude ajudar alguém, que pude publicizar a história de pessoas que, de forma ou outra, foram beneficiadas com meu trabalho. Ainda lembro da primeira vez percebi o alcance benefíco de uma matéria minha ao contar a história do
Gabrielzinho, um bebê portador de doença rara que necessita de um leite especial e caro para sobreviver. As respostas dos leitores foram as melhores possíveis e vim a saber depois que a matéria rendeu grande ajuda ao pequeno. Tantas outras, como a matéria sobre educação inclusiva que foi finalista do Prêmio IGE de Jornalismo. Contou a história de dois garotos (Thiago e João Paulo) que superaram graves dificuldades da doença mental para estar na escola, um direito de TODAS as crianças e que tantas vezes é desrespeitado quando se trata de crianças portadoras de necessidades especiais. E realidade de desrespeito aos direitos infanto-juvenis, que indignada, contei em matéria sobre pedofilia na internet.

Até as histórias trágicas, mortes, indignação, injustiças, que mesmo tentando respeitar o princípio duvidoso da imparcialidade jornalística, foram por mim contadas carregadas e indignação e raiva. Outras vezes de esperança e medo, nas boas vezes que "ataquei" merecidamente pessoas. E fatos engraçados e curiosos, como a cidade cor-de-rosa do interior de Goiás. Foram nove meses. Nove meses de formada e nove meses na editoria de Cidades. Sentirei falta, tanto por crer no potencial de tal editoria no debate social, como por desejar contribuir muito no exercicío do jornalismo para a sociedade e em especial, muito especial, na área que tanto acredito e sou apaixonada: os direitos das crianças e adolescentes.

Outro motivo leva minhas lágrimas a rolarem sobre a face insistentemente é pensar sobre os colegas de Cidades. Pessoas a quem rendo homenagens e agradeço o aprendizado. (A essa altura pode estar pensando: meu Deus, ela só mudou de editoria! ... Eu sei, mas...). Warlem, que eu adoro e admiro como chefe, foi meu primeiro editor, meu primeiro chefe em uma redação e será sempre, sempre, sempre lembrado e querido. O Mac também foi grande chefe, com quem compartilhei bons momentos que marcaram minha entrada no jornalismo. Wanessa, a 'marida' querida.... pessoas com as quais terei a sorte de continuar convivendo, ainda que em editorias distintas, mas aproveito o espaço para dizer o que merecem ouvir.

Bem, diante de tudo acima porque teria eu aceitado o desafio de mergulhar nos turvos bastidores do mundo da política? Exatamente pelo desafio (odeio o sentimento do 'como poderia ter sido', já me dei mal por isso, mas sempre arrisco) . Ao receber o convite senti meu coração brigar com a razão, pedi um tempo, liguei, pensei e aceitei. O pesar por deixar Cidades pesou, mas tinha diante de mim uma proposta desafiadora e ao pensar nas "Flores que colho, ou deixo" encarei. Confesso que sinto medo e estou diante de alguma confusão mental, mas acredito que posso contemplar meu (utópico) sentimento de justiça ao cobrir as idas e vindas do poder. Ao cobrir os mecanismos e articulações das sucessões, as nuances e malícias da política.

Ah, e quanto aos novos colegas de Política gosto de todos, mas da mesa do bar e das festinhas... começa agora a nova etapa de trabalhar juntos. Enfim, estou aberta.... que venha o novo!

2 comentários:

Alexandre disse...

Lilian, querida, seja muito bem vinda à editoria. Use e abuse da nossa ajuda, se precisar, ok? Não assusta com minha cara de sério, é só colocar uma rosa na boca e.... bjos!!!!

Alexandre

Anônimo disse...

Notei uma coincidência: também deixei Cidades nove meses depois de entrar no jornal para ir para Política. E aceitei pelo mesmo motivo: o desafio. Odiava política. Apaixonei-me rapidamente. Como te disse, sou suspeita para falar porque gosto muito.

Fiquei tocada pela paixão que tem por essa área de cidades (tão intensa quanto a paixão que tenho pela cobertura de política). Temos que conversar mais profundamente sobre isso, porque, você deve imaginar, em política é outra história... Mas, espero que você se dê bem. Se não der, vai ser, de qualquer forma, um grande aprendizado.
Conte com minha ajuda!
Beijão,
Fabiana