quinta-feira, setembro 14, 2006

11 anos de vazio

Lillian Bento  

Hoje faz 11 anos que não tenho mais o meu pai por perto. 14 de setembro de 1995, uma data que ficou registrada em preto e branco na minha memória. Um dia como outro qualquer, mas que a vida reservou para ser um daqueles que nos mostra a fragilidade e pequenez nossa existência. São onze anos de vazio, um vazio de não saber como teria sido ter meu pai por perto quando tive o primeiro namorado, quando passei no vestibular, quando estreiei no Teatro Goiânia e depois comecei a percorrer o País com o teatro. 

Um vazio de não saber qual seria a reação dele ao ver a filhinha, tão querida, grávida com apenas 19 anos. E um imenso vazio de não saber se seria tão carinhoso e mimaria tanto minha Maria quanto fez comigo enquanto pôde. 

Em minh'alma tenho a certeza que sim, afinal como amava crianças o meu pai. Na verdade penso até que exagerou nos mimos que dedicou a mim, mas é como se soubesse que passaria apenas 12 anos a meu lado e precisasse deixar claro o amor. Amor esse que sempre compartilhamos em uma relação linda. Como esquecer que ao chegar do trabalho, tirava os sapatos e pedia para que eu me sentasse no sofá, recostava a cabeça no meu colo e me pedia sempre para fazer "cafuné". 

Como esquecer da páscoa em que chegou com um ovo de chocolate maior que eu de presente. Como esquecer das viagens e do diário que escrevi aos sete anos de idade para contá-las. É, foram apenas 12 anos, mas muito bem vividos. Problema houveram, decepções também (como não?). Mas não representam sequer um milímetro perto do imenso amor que o dedico em meu coração. Nem sei como seria se o tivesse aqui hoje. Prefiro não pensar a respeito e ter as lembranças sempre dóceis e engraçadas de quem era meu pai. Antônio de Souza Neto. Um homem muito divertido. Boêmio por natureza. 

Amava a rua e as pessoas, aliás sempre lembro de meu pai cercado de pessoas. Recordo dos churrascos que promovia em nossa casa e que reunia amigos até a manhã seguinte. Penso que "herdei" dele o gosto pela rua e até alguns aspectos de minha vida profissional. Meu pai não era jornalista como eu, mas o seria fácil se assim tivesse pretendido. Era um comunicador por natureza e de um humor sarcástico, característica importante ao bom jornalista.  

Pai, terá sempre meu amor e minhas melhores lembranças. Só de uma coisa consigo me arrepender ao lembrar de ti, que é do fato de ter tido sempre um gênio tão difícil e um certo bloqueio de dizer claramente às pessoas que amo, o quanto as amo. Não me lembro das vezes que te disse um bom e sonoro "eu te amo". Mas sei que sempre soube de meu amor, e isso me conforta um pouco. De toda sorte, agora digo em meus pensamentos a ti direcionados o quanto amo. E sei, que o verdadeiro amor está além de tudo, inclusive da morte. "Tudo passa, só o amor fica e é eterno e imortal."

sexta-feira, setembro 08, 2006

Virtual(mente)

Hoje minha vontade é outra!

De onde vim? Pra onde irei? Não sei
Já nem sei no que vai dar
Nossa paisagem nova, pop filosofia

quarta-feira, agosto 30, 2006

Os dissabores da reportagem - um dia na cobertura do caso Osvaldo Pereira

Vida de repórter nem sempre é fácil, mas existem casos extremos, viu! Tenho sido responsável pela cobertura do caso Osvaldo Pereira (leia o texto abaixo) e, naturalmente, minhas reportagens tem incomodado o candidato envolvido, que por duas vezes disse, por telefone, que tenho sido "cruel" com ele. Quero, primeiro esclarecer que trabalho de a Lei de Imprensa (5.250/67) que garante a liberdade de expressão, e depois na minha função de repórter, reporto os fatos e versões das fontes. Por isso, convido o leitor deste blog a acessar as matérias publicadas no jornal sobre o caso. A primeira "Candidato à venda" fala sobre o flagrante do Fantástico e as implicações legais da atitude do candidato. A segunda "Justiça tira Osvaldo do ar" mostra a atuação do Ministério Público Federal e do Tribunal Regional Eleitoral frente à atitude do candidato. A terceira "Osvaldo fecha comitê" mostra a atitude do candidato diante da pressão que tem sofrido. E a quarta leia na edição de amanhã (31 de agosto) no Diário da Manhã.

O fato é que, ao se sentir ofendido pela cobertura do caso, o governadoriável perdeu a cabeça ontem ao me encontrar (de novo) no Ministério Público Estadual (MPE) para fazer cobertura de outras irregularidades do candidato ainda da época em que fora diretor do Procon municipal. Osvaldo fez ameaças sutis e, visivilmente perturbardo, disse que poderia processar o jornal e a mim pela cobertura. Ora, processar por tentar reportar à população as versões da sucessão de fatos podres que vieram à tona depois da exibição do Fantástico?
O acusado ficou ainda mais nervoso ao perceber a presença do repórter fotográfico que me acompanhava no trabalho. "Não quero aparecer, esse ai veio aqui a mando daquela lá (eu)". Não, não mesmo, meu caro candidato, nós dois estávamos ali no exercício de um trabalho digno e honesto.

Mas o pior, foi no momento em que deixou a sala onde prestava depoimento sobre cinco crimes de que está sendo acusado. O GOVERNADORIÁVEL dirigiu-se à mim e disse: "Você está contra mim, é uma carniceira."
E é por isso, por essa última frase ofensiva proferida na presença do repórter fotográfico que escrevo neste espaço. Para dizer que não trabalho contra esse ou aquele. Os fatos estão contra tal candidato. Escrevo também para dizer que o trabalho da imprensa precisa ser respeitado e que a sociedade deve estar atenta a qualquer tipo de tentativa de limitar, o já tão limitado, trabalho da imprensa.

Até entendo o Osvaldo, que disse que não gostaria de ser fotografado, de aparecer como acusado. No lugar dele eu não iria querer aparecer nem no Fantástico (hihihihi). Mas, confio na justiça (claro que com um pé atrás) e confio ainda mais na atuação do Ministério Público. E que venha a tão sonhada reforma política que o Brasil tanto necessita. Enquanto isso, nunca torci tanto para que essas legendas de aluguel fiquem retidas na Cláusula de Barreira este ano. Apesar de insuficiente, seria uma tentativa real de põr fim às barganhas, negociatas, aluguel de mandatos e práticas afins, como uma vergonhosa tentativa de vender espaço no horário eleitoral GRATUITO.

(Lillian Bento)

Osvaldo Pereira

Creio que como grande parte dos eleitores brasileiros, me senti agredida ao assistir a edição do Fantástico de domingo, dia 27 de agosto, que mostrou o candidato ao governo de Goiás, Osvaldo Pereira (PSL) tentando vender o espaço que tem no horário eleitoral gratuito. Aliás, gratuito para ele e para os demais candidatos, porque ao cidadão brasileiro a propaganda obrigatória custará ao final cerca de R$ 190 milhões. Dinheiro advindo de cada gota do meu suor e de tantas outras pessoas nos impostos pagos. E que Osvaldo Pereira, simplismente tentou negociar na tentativa de lucrar R$ 1 milhão e 300 mil e obter vantagens pessoais.

O candidato teve ainda a ousadia de dizer que faria a negociação por ser "dono do partido". E disse em alto e bom som: "comprei o partido, porque no Brasil partidos emergentes a gente compra." Sinceramente, nunca torci tanto para que muitos desses nanicos fiquem retidos na cláusula de barreira. Mas sei que não é suficiente para acabar com a proliferação de políticos como Osvaldo Pereira, que diz a quem quiser ouvir que será "o governador da educação" e não mostra o mínimo de cortesia com o povo brasileiro.

Antes de qualquer reforma na educação, o Brasil precisa de uma efetiva reforma política. Uma mudança capaz de matar desse sentimento de impotência que agora compartilho com meus irmãos de pátria. Pelo menos, neste tenho esperança de que a justiça eleitoral puna efetivamente. E me sinto melhor quando penso que na tentativa de vender horário nobre, Osvaldo Pereira foi flagrado em horário nobre para o Brasil inteiro ver e se indignar. (L.B)

quinta-feira, agosto 10, 2006

A (viagem) gota d'água e o filme de consolo

Só precisava mesmo de uma gota d'água para desaguar em prantos. Tive um dia repleto de lágrimas. Lágrimas de um choro há muito contido, que começou de manhã após a viagem da pequena Maria e se completou no cinema, à noite, enquanto assistia ao filme Zuzu Angel.

Há algumas semanas tenho pensado sobre como tem muita coisa fora do lugar na minha vida. Mas na tentativa de adiar algumas reflexões aparentemente necessárias, tentei reprimir tais pensamentos e os rebatia com o argumento: "e quem determina os lugares certos para as coisas". Mas hoje não deu, tem muita coisa fora do lugar mesmo, ainda que não saiba ao certo quais são os lugares adequados.

Depois de uma noite péssima, acordei com a difícil missão de me despedir da Maria, que se preparava para sua primeira viagem sem mim. Ela ainda dormia, quando comecei a tomar as providências finais para a partida e organizava a pequena mala colorida. Tudo pronto, me despedi com um nó imenso na garganta. Disse "eu te amo, vou sentir saudade. Você me liga?"

E ela respondeu "também te amo. Mas só vou ligar se eu sentir saudade, tá?" Foi tão espontânea, que respondi decepcionada: "tá". Após um longo abraço seguiram viagem. Maria (toda feliz em sua cadeirinha rosa de auto), meu padrasto e minha mãe. Subi. Dormi um pouco mais, até a hora de me aprontar para ir trabalhar.

Antes, pensei. Pensei sobre mim, as pessoas e situações que me cercam. - Puxa, como deixei a vida me levar. Como tudo parece fora do lugar. Dividi a vida por aspectos para analisar melhor, mas o resultado foi pior. Decepção. Se considerasse uma pontuação de zero a 10, teria o seguinte quadro:

Vida profissional: 3 Sentimental: 0,5 Financeira: 0,8 Familiar: 5

Números negativos. Senti vontade de chorar. Dormi.

À tarde, no jornal, lembrei da Maria. Ainda não havia me ligado, talvez na empolgação da viagem não tivesse ainda tempo para sentir saudades. Comecei a trabalhar. Outros problemas relativos aos aspectos acima notificados. Não pude conter o choro. Algumas pessoas perceberam. Disse que chorava de saudade da Maria. E de algum modo era também.

É estranho. Em dias como hoje me sento alheia ao mundo e às pessoas. É como se estivesse fechada para balanço. As pessoas falam comigo, mas a sensação é de ouvir ruídos. Caminhavam e eu eu só percebia vultos. Concentração mesmo, só na hora de apurar os fatos e escrever. Depois flutuava, como quem observa para ver os passos errados e dizer "volte, não é por aí".

E como se isso fosse possível, tive vontade de ficar só. De correr, de fugir. Não o fiz, claro. Esperei. Mas ao terminar minha matéria pensei em ir ao cinema. Era tarde, 22 horas, fui. Sozinha. (É raro sentir vontade de ficar sozinha, mas ontem precisava) Em minutos estava no shopping, cheguei nos trailers e tive dificuldades para encontrar um bom lugar. Achei, mas quase tropeço em um casal de adolescentes, que literalmente se pegavam dentro do cinema. Senti raiva, é claro. Por que não procuraram um motel, porra? Mas a presença pegajosa e incômoda do jovem casal ao lado tornou-se insignificante logo às primeiras cenas do filme.

Assistir a história daquela mãe, que ao perder o filho reorienta toda a vida para alcançar justiça e conviver com o sofrimento, me fez perceber (mais uma vez) que aos 23 anos de idade já tenho o que na vida me fará mais feliz: a Maria. Claro, que sofro diante de minhas decepções e anseios com as outras áreas da vida. Mas percebo que quando sofro porque a responsabilidade de ser mãe limitou meus passos, o faço sem causa. Porque se não tivesse hoje a Maria, acabaria tudo que tem sentido.


Para mim, Zuzu é a prova de que para uma mãe felicidade está no sucesso dos filhos. Não há maior fã e pessoa detentora de maior amor. Não vou contar a história, até porque recomendo que todos assistam, mas ser capaz de mudar tudo por uma pessoa é incrível. E esse belo sentimento, um tanto egoísta (de achar que só seu filho é tudo) tenho em mim. Chorei ainda mais de saudade da Maria, que não me ligou.

Não deve ter tido tempo de sentir saudade. Mas eu liguei (quatro vezes). Ela só quis falar comigo uma. É assim, ser mãe é ter o mais belo dos sentimentos. Amar sem esperar mesmo NADA em reconhecimento.

Ao final do filme e após ter chorado o dia todo, percebi que os outros problemas me incomodam sim. E incomodarão enquanto não resolvê-los, um a um. Mas o alento de saber o que é amar de verdade eu tenho. A Maria me deu.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Apropriação devida: Alguém

Desde o começo do dia ela espera acabar com sua dor. Alguma luz que apague as feridas da noite anterior. Quando a vida enfim parecia lhe ter dado a chance de abraçar o amor, ele fugiu pela porta no fim do corredor. Seus olhos secos esperam a lágrima cair, mas ela não vem. Sua própria voz lhe pediu para agir com sangue frio, mas ela não tem.

E agora procura sua alma perdida no corpo não sabe de quem e em sua cabeça ela começa a gritar, mesmo não tendo ninguém pra escutar.

- Onde andará meu amor, que me deixou sem me avisar quando ou se vai voltar pro lugar que escolheu, para ser meu. Mesmo que cedo ou tarde ele torne a me abandonar.

Todos na rua parecem saber dos detalhes do que aconteceu e mesmo tão nua, ela encara sem medo os olhares que lhe dizem adeus. Pois pra quem já perdeu o que tinha quando decide partir já venceu.

Quero ser ombudsman de mim...

"...o sol tão claro lá fora,
o sol tão claro, Esmeralda,
e em minhalma — anoitecendo."

(Manuel Bandeira)

quarta-feira, agosto 02, 2006

Do amor...

Não falo do AMOR romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com AMOR.
Chamam de AMOR esse querer escravo,
e pensam que o AMOR é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o AMOR já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado.

Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do AMOR é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O AMOR é um móbile.
Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do AMOR nos domine?

Minha resposta? O AMOR é o desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o AMOR será sempre o desconhecido,
a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do AMOR é a de um ser em mutação.
O AMOR quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.

A vida do AMOR depende dessa interferência.
A morte do AMOR é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o AMOR, não podemos castrá-lo.

O AMOR não é orgânico. Não é meu coração que sente o AMOR.. É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve. O AMOR faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu..
...como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O AMOR brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
o AMOR grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do AMOR,
se estivermos também a devorá-lo.

O AMOR, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o AMOR a navega.
Morrer de AMOR é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se vive no AMOR.
E a língua do AMOR é a língua que eu falo e escuto.


Por Moska

Árvores alheias

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Queria a vida fosse sempre assim, como canta acima Ricardo Reis. Viver sem dar importância ao que não tem, sem se importar com o que é sombra de árvore alheia. E melhor, viver sem ter ninguém de olho na sua sombra. É... mas não tem jeito, alheio ao que penso, o fado cumpre-se!

Flores que colho, ou deixo...

O verso de meu heterônimo dileto de Fernando Pessoa, o sempre adorado Ricardo Reis, que intitula meu blog entrou em sintonia com meus conturbados sentimentos neste dia 01 de agosto. Seguem os versos que falam mais ao coração que aos olhos, afinal de nada vale uma paixão distanciada da poesia... E deixo aqui voltar à tona minha personalidade Lídia, que conhece quem aprecia R.R. Afinal a vida é feita das flores que colho, ou deixo...

Flores que colho, ou deixo,
Vosso destino é o mesmo

Via que sigo, chegas
Não sei aonde eu chego.

Nada somos que valha,
Somo-lo mais que em vão.

terça-feira, agosto 01, 2006

E se um dia tudo faltar.... haverá sempre um anjo para me amparar.

E mesmo que um dia me falte tudo haverá sempre o sorriso de um anjo para me confortar. Pensei isso ao chegar em casa depois de um dia tipicamente estranho como hoje. Acordei muito feliz: A Maria se preparava para a volta às aulas a felicidade dela é sempre contagiante. Mas a alegria parou ali. Ao deixá-la na escola precisei atravessar a rua e para minha grande surpresa, fui atropelada na faixa de pedestre. Estou bem, ou melhor inteira, mas a sensação é das piores. Passei o dia tensa e com dores no corpo, mas não deixei de trabalhar. No jornal tive um dia produtivo, mas estranho. E as dores aumentavam.

Saí do jornal por volta de 22 horas. Em minutos estava na companhia confortante da pequena Maria. Ao encontrá-la outra surpresa (desta vez boa): ao me ver machucada ela virou-se de lado e chorou. "Eu fiquei triste porque você machucou", disse entre lágrimas sentidas e o abraço mais gostoso que há no mundo. Cansada comi alguma coisa, conversamos. Ela me contou da escola e de como ela conseguiu conversar com a Ester, "amiguinha" de quem ela não gosta tanto. "Não gosto da Esté, ela pegou minha flor um dia e jogou fora." Mas hoje ela superou isso e (seguindo meus conselhos) conversou e brincou com a coleguinha. Contou ainda da primeira tarefinha depois das férias e da recepção que a escola preparou.

Ouvi tudo como se escutasse música clássica. A voz mais linda me contava os feitos mais interessantes do mundo. Fomos dormir. Antes contei duas estórias "de livro", como prefere a Maria. E depois de todo o stresse de ter sido atropelada, fechei os olhos. Minutos depois abri com a certeza de que veria a pequena já adormecida. Mas para terceira surpresa do dia, vi que os pequenos olhos me observavam. Por alguns minutos ela vigiou meu sono e ao me ver abrir os olhos abriu um lindo e doce sorriso. E com magia plena me abraçou e encheu meu rosto de beijos. Os melhores do mundo. Naquele instante pensei: pode me faltar tudo, se sobrar esse sorriso meu mundo está completo.

O sorriso de anjo, do meu pequeno anjo. Não há atropelamento que me tire essa alegria e que abale esse amor.

domingo, junho 18, 2006

Jornalismo político

Ao receber o convite para integrar a equipe de política do jornal, senti medo, insegurança e saudosismo antecipado de minhas matérias sobre infância e adolescência que marcaram minha estada na editoria de cidades. Mas hoje, quase dois meses na cobertura de política e envolvida nas idas e vindas da pré-campanha, articulações para as alianças na majoritária e proporcionais e agora na campanha das ruas, sinto os primeiros passos de uma paixão que parece: será incurável. Os sentimentos que o jornalismo político me despertaram não parecem nada "bonitos" para olhares cristãos, mas para mim são envolventes e apaixonates. Tenho aprendido a duvidar mais, a pisar em ovos (com elegância), a chorar por não poder, a rir sem querer e me decepcionar. Mas a experiência é rica, traz maturidade profissional e vontade de ir sempre além, de querer mais e saber mais.

Semana passada tive a oportunidade de participar de um curso de capacitação para jornalistas para a cobertura das eleições 2006, oferecido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e ANJ (Associação Nacional de Jornais). Ouvi Franklin Martins com a experiência de décadas no fazer do jornalismo político. Luiz Fernando Rila, chefe da sucursal do Estadão em Brasília. Este aliás me seduziu com a defesa do jornalismo cético por completo. Na cobertura de eleições desde o marcante ano de 1989, Rila conta as vantagens e desvantagens de não acreditar na política e no jornalismo para ser, assim, um jornalista político.


Mas sem dúvida a melhor discussão foi a dos blogueiros Guilherme Fiuza, do Política e Cia, Fernando Rodrigues, da Folha, e do encantador Jorge Bastos Moreno, do Globo. Senti que entro para a história do jornalismo, quando ela ganha um novo modelo, uma quebra de paradigmas com a apropriação do blog como ferramenta jornalística. Instrumento que redefine a construção do texto, dá as costas para a impessoalidade e imparcialidade e, sem dúvida, dá uma apimentada na cobertura das eleições de 2006.

Aliás, a minha primeira cobertura de eleições não podia ser mais apropriada. Este ano a mini-reforma política (Lei 11.300/06) pincelou a vontade de alguns de fazer a efetiva reforma e criou obstáculos a mais para importunar a prática de corrupção e abuso do poder econômico nas campanhas. Não são mudanças capazes de inibir a antiga e enraizada prática do caixa dois, mas são capazes de imprimir alterações com a proibição de outdoors e showmícios. Ao menos temos o prazer de ver candidatos perdendo peso com a prática intensiva de caminhadas e do famoso corpo-a-corpo com o eleitor.

Bom, dou a mim mesma as boas vindas ao mundo do jornalismo político, já com quase dois meses de prática. Que eu aprenda a ser mais e mais cética, a duvidar e continue querer sempre mais, mesmo diante da frustação de não alcançar nunca o ideal da isenção de interesses e da imparcialidade. Vamos às eleições e fiquem ligados na tv a partir do dia 15 de agosto, afinal faltam 30 dias para irmos às urnas.

terça-feira, junho 06, 2006

Cabelo Brancoooooo!!!!!!!!!!!!!

Juro que não sou do tipo que tem ataques de "histeria" por aí. Não mesmo. Mas segunda-feira, 5 de junho, tive um início de pânico quando a Janine mexia no meu cabelo e soltou a frase inusitada.

-Um cabelo branco.

-Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh..... credo!

Minha reação foi absolutamente involuntária. O grito grave chamou atenção dos presentes, cerca de dez pessoas que guardavam o silêncio típico do local. Estavámos no cemitério. Senti-me envergonhada, disfarcei e fingi ter esquecido o fato.

Já na redação, tive um dia de turbulência. Daqueles em que as pouca coisa dá certo. Era deputado que não atendia telefone, senador que não dizia o que interessava, enfim... Mas a cada intervalo o fio prateado voltava a me tomar os pensamentos. O sentimento era de angústia.Queria me livrar daquele simples amontoado de queratina que carregava em si o peso da idade.

Exagerada

Acredito que não. É que o primeiro cabelo branco representa muito na vida de uma pessoa. Primeiro assusto porque em minha família as pessoas costumam demorar para ter fios brancos. Depois porque me assusta a idéia de a vida estara passando tão rápido e aparentemente fora de meu controle. O nascimento deste cabelo significa que tenho que apertar ainda mais o passo para correr atrás do que desejo.

Não haverá outra chance, assim como não haverá o nascimento de outro primeiro cabelo branco. Ai, lembrei do meu querido professor Signates que um dia depois de uma discussão do núcleo de pesquisa, me aconselhou a aproveitar mais o que de bom as escolhas que fiz me trouxeram. Ainda que meu ímpeto me levasse a somar apenas os prejuízos.

Na verdade tento ter paciência, pensar no tal "lado bom", e estava quase conseguindo. Até que veio esse cabelo branco aí para me pressionar. Ai, ai...

Ah, tem um problema: ainda não consegui me livrar do fio intruso que sumiu em meio aos meus adorados cabelos escuros. Por favor quem achar: denuncie!

quinta-feira, maio 25, 2006

Prêmi IGE de Jornalismo


Dia muito importante:final
do PrêmioIGE de Jornalismo
em São Paulo. Quis escrever
a respeito no blog outras
vezes,mas andei enrolada.
Vai agora uma foto legenda.

O novo desafia, mas não assusta...

Passei o dia na Redação segurando as lágrimas que teimavam querer rolar em minha face. Mas agora, na privacidade de minha casa e diante da cumplicidade de meu computador, permito que caiam desgovernadamente. E ainda que não quisesse não poderia mais conter, porque desagüam muito além de qualquer possível controle. Tudo reação à mudança da editoria de Cidades para Política. Não... não estou triste com o novo arranjo, quiçá desistimulada. Estou saudosista das pautas de educação, infância e adolescência que ainda nem deixei direito, mas que (como sempre) já sofro por antecedência por não mais fazê-las cotidianamente. O nó na garganta e o aperto no peito me levam a perceber que, na contramão de muitos jornalistas que perderam a esperança em fazer jornalismo social de verdade, eu ainda acredito.

E acredito por sentir-me realizada ao concluir uma pauta e sentir que pude ajudar alguém, que pude publicizar a história de pessoas que, de forma ou outra, foram beneficiadas com meu trabalho. Ainda lembro da primeira vez percebi o alcance benefíco de uma matéria minha ao contar a história do
Gabrielzinho, um bebê portador de doença rara que necessita de um leite especial e caro para sobreviver. As respostas dos leitores foram as melhores possíveis e vim a saber depois que a matéria rendeu grande ajuda ao pequeno. Tantas outras, como a matéria sobre educação inclusiva que foi finalista do Prêmio IGE de Jornalismo. Contou a história de dois garotos (Thiago e João Paulo) que superaram graves dificuldades da doença mental para estar na escola, um direito de TODAS as crianças e que tantas vezes é desrespeitado quando se trata de crianças portadoras de necessidades especiais. E realidade de desrespeito aos direitos infanto-juvenis, que indignada, contei em matéria sobre pedofilia na internet.

Até as histórias trágicas, mortes, indignação, injustiças, que mesmo tentando respeitar o princípio duvidoso da imparcialidade jornalística, foram por mim contadas carregadas e indignação e raiva. Outras vezes de esperança e medo, nas boas vezes que "ataquei" merecidamente pessoas. E fatos engraçados e curiosos, como a cidade cor-de-rosa do interior de Goiás. Foram nove meses. Nove meses de formada e nove meses na editoria de Cidades. Sentirei falta, tanto por crer no potencial de tal editoria no debate social, como por desejar contribuir muito no exercicío do jornalismo para a sociedade e em especial, muito especial, na área que tanto acredito e sou apaixonada: os direitos das crianças e adolescentes.

Outro motivo leva minhas lágrimas a rolarem sobre a face insistentemente é pensar sobre os colegas de Cidades. Pessoas a quem rendo homenagens e agradeço o aprendizado. (A essa altura pode estar pensando: meu Deus, ela só mudou de editoria! ... Eu sei, mas...). Warlem, que eu adoro e admiro como chefe, foi meu primeiro editor, meu primeiro chefe em uma redação e será sempre, sempre, sempre lembrado e querido. O Mac também foi grande chefe, com quem compartilhei bons momentos que marcaram minha entrada no jornalismo. Wanessa, a 'marida' querida.... pessoas com as quais terei a sorte de continuar convivendo, ainda que em editorias distintas, mas aproveito o espaço para dizer o que merecem ouvir.

Bem, diante de tudo acima porque teria eu aceitado o desafio de mergulhar nos turvos bastidores do mundo da política? Exatamente pelo desafio (odeio o sentimento do 'como poderia ter sido', já me dei mal por isso, mas sempre arrisco) . Ao receber o convite senti meu coração brigar com a razão, pedi um tempo, liguei, pensei e aceitei. O pesar por deixar Cidades pesou, mas tinha diante de mim uma proposta desafiadora e ao pensar nas "Flores que colho, ou deixo" encarei. Confesso que sinto medo e estou diante de alguma confusão mental, mas acredito que posso contemplar meu (utópico) sentimento de justiça ao cobrir as idas e vindas do poder. Ao cobrir os mecanismos e articulações das sucessões, as nuances e malícias da política.

Ah, e quanto aos novos colegas de Política gosto de todos, mas da mesa do bar e das festinhas... começa agora a nova etapa de trabalhar juntos. Enfim, estou aberta.... que venha o novo!

quinta-feira, abril 27, 2006

A preguiça

Quero escrever no blog, tenho um monte pra contar... mas tô com preguiçaaaaaaaaaa.....................
Preguiça de escrever... de encadear fatos e colocar os dedos em ação
Aliás estas duas linhas escrevi em 10 minutos e tenho preguiça de formatar

tenho preguiça, não é cansaço, nem tristeza (estou alegre) é preguiça...

segunda-feira, abril 17, 2006

Maria e as suas...


A Maria é figura. Todo dia tem uma nova, incrível. Se dedicasse meu tempo a sistematizar tudo escreveria um livro. Para minha alegria ela ama livros, ama, ama, ama. Tem a própria biblioteca e entre eles estão os clássicos 'contos de fadas', estórias de princesas e tal. Outro dia a peralta colocou uma cadeira na janela do apartamento e começou a jogar um pano para fora. Dei um pulo instintivo, coisa de mãe. Apesar das grades tive medo que ela caísse. E ela me olhou como quem domina a situação e disse:

-Calma, só estou jogando as tranças lá em baixo pra ver se dar certo.

Cerca de um minuto depois:

-É esse negócio de 'píncipe' não existe, ninguém subiu. Não acredito mais!

Na hora pirei, olha o raciocínio da garota. Mas gostei é bom que ela tenha um posicionamento crítico a respeito de príncipes, princesas e ilusões afins sem que eu tenha que emitir meus descrentes pontos de vista.
Palmas pra Maria, sem corujices eu juro!

A trilha sonora do feriado

O feriado foi ótimo! Adorei acordar e não ter que correr, resolver mil coisas, deixar a Maria na escola ir para o jornal e voltar só depois que a lua estiver alta no céu. Dias claros e quentes, noites fluorescentes... assim foi a tal semana 'santa' em Barra do Garças. A trilha sonora da viagem foi Funk Como Le Gusta, Seu Jorge e Ana Carolina (também teve Paulinho Moska - sempre). Mas uma música despertou em mim a necessidade de me enxergar e a letra parecia refletir o momento em que vivo, ou talvez gostaria de viver. Na verdad acho que os dois: vivo mas não o quanto gostaria. A música é da Ana Carolina (ouvi no CD que a Paola me deu de aniversário). Veja:

Pra rua me levar

Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se ascender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

sexta-feira, abril 07, 2006

Pensando em Você (Moska)

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
Com você me sinto bem
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

domingo, março 26, 2006

Lágrimas de diamante

É estranho e maravilhoso. Parece que sempre tem uma letra do Paulinho Moska com a capacidade de sintetizar algum momento da minha vida. Abaixo a poesia de Lagrimas de Diamantes, bela e oportuna.


Não se preocupe mais
Com minha imperfeição
Não se pergunte mais
Porque me disse não

Se eu não procuro agora
O que encontramos antes
É só porque a noite chora
Lágrimas de diamantes

Lágrimas de diamantes
À noite, lágrimas de diamantes
De dia lágrimas, à noite amantes
Lágrimas de diamantes