segunda-feira, maio 28, 2007

Dos mistérios do humano, ou da Lillian.

Gente parece um ímã estranho. Com algumas pessoas a atração é fatal, com outras ocorre o oposto. Nos últimos dias vivi essa sensação com uma intensidade acentuada. Conheci algumas pessoas, voltei a conviver com outras que não via há tempos, outras me reencontraram sem que eu tivesse vontade, e assim foi. Com duas delas cheguei a me culpar ao pensar o quanto enjôo de alguns hábitos e manias dos outros e quero distância. É estranho admitir isso, mas é assim. Perco a paciência com algumas pessoas, claro que tento ser educada o tempo todo, mas afinidade é afinidade. E tem gente que é melhor que fique longe. E isto é bem difícil porque não dá pra dizer: "ow, dá licença e não me importune mais, simplesmente porque impliquei com sua cara sem motivo!"
Com outras ocorre absolutamente o contrário. Por uma me encantei nos últimos dias, um encantamento de alma, que para mim, é raro de acontecer. Fiquei feliz por isso. A pessoa nem sabe disso, me contento ao pensar que talvez tenha mesmo sentimento bom ao estar comigo. Talvez não. Talvez eu seja para ela, como as duas que me incomodaram e me fizeram perder a paciência. Prefiro pensar que não. Mas ser humano é assim, com alguns a atração é fatal, com outros o contrário!

domingo, maio 20, 2007

O gozo sonhado

Não. Apesar do título o que segue abaixo não são os versos de Fernando Pessoa. Sim, a expressão do prazer esperado e por fim (quase) alcançado. Fui tomada hoje por uma gostosa emoção repleta de frio na barriga, como há muito não sentia. Esta será uma longa semana. O sábado está reservado para um encontro com ele. O homem esperado. O artista admirado. Ele: Paulinho Moska. E como esperei por este momento. A última vez em que estive próxima ao meu artista inspirador foi há cerca de quatro anos. De lá pra cá, a paixão pela obra do poeta tomou conta de meu ser e passei a amá-lo ainda mais, de uma forma diferente, intensa e prazerosa. Ouvir os versos por ele compostos, na voz mais agradável que meus ouvidos conheceram é para mim um momento de êxtase. Tenho prazeres múltiplos ao ouvi-lo e aguardo o sábado, como uma garotinha que espera, nervosa, o primeiro beijo.
Consegui marcar uma entrevista para este blog, que é absolutamente inspirado na ação devastadora de Paulinho Moska (e também Fernando Pessoa) na minha alma. Meu ser, meu existir é permeado pela poesia do Moska e espero ser este o momento do eclipse. Momento ímpar e que jamais será esquecido.
Podem perguntar: mas para quê tanta empolgação. E se não der certo? Sei que corro este risco, mas como não esperar com tamanha felicidade um encontro tão desejado? Minha ansiedade é evidente, meus batimentos cardíacos não me deixam mentir quando penso a respeito. E, de fato, minha paixão poética não me permite usar de moderação sentimental agora.
Marina, estaremos juntas em mais este momento sublime de nossas vidas. Isto me alegra ainda mais. Quantos momentos nossos foram embalados pela melodia do Moska. Nada mais justo e maravilhoso o fato de estarmos juntas no show. Lembra: "O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa"? O último dos nossos momentos creitos-moskéticos. (suspiros) Mal posso esperar! (Lillian Bento)


Segue uma música que agora embala meu pensamento.

Da obra do grande Moska:

Assim sem disfarçar
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você,
Assim sem disfarçar,
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar

De todos os códigos, hábitos, truques, manias que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente em lugares que eu não quero andar

Eu só quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você
Assim sem disfarçar
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar

De cada imagem errada que a velha palavra usada nos traz
De tudo que signifique que pra sermos um, temos que ser iguais

terça-feira, maio 08, 2007

Das ilusões

Engraçada a impressão que temos de que um dia a vida vai melhorar. Bobagem. Talvez ela acabe sem termos experimentado sequer uma gota do sonhado bálsamo da felicidade. E que felicidade? Com que pretensão lutamos por ela? Sem saber ao certo o que seja, passamos a vida a perseguí-la. Quiçá a vida toda será apenas a perseguição. Às vezes, quando me pego a fazer planos, chego a pensar que preciso ter paciência porque daqui a um ou dois anos tudo será melhor. Pelo menos seis anos se passaram desde que pensei com seriedade sobre isso. E onde estou? Dei voltas e me vi no mesmo lugar. Andei ao redor do mesmo e me encontrei novamente perdida. Escrevo a 1h35, depois de passar por uma situação que jurei nunca mais presenciar. Volto a jurar que não voltarei. Conseguirei eu? Consiguirá você? Consiguirá o mundo? (Lillian Bento)

"Cansei de dobrar e dar na mesma esquina. Vou cair até pousar lá em cima." (Moska)

terça-feira, março 20, 2007

domingo, março 11, 2007

As belezas de março

Se é resultado do trânsito de Marte no meu mapa astral devido à proximidade do meu aniversário, não sei. Mas entrei nos últimos dias em uma fase pouco habitual em minha vida: a romântica. Nesta linha passei a pensar sobre o amor na minha vida, tema difícil de relatar a não ser por versos. Materializar sentimentos no papel é mesmo a arte dos poetas, que tantas vezes de coração massacrado celebram a dor e derramam novos poemas de amor. Talvez meu estado à flor da pele seja também resultado da beleza que guarda o mês que nasci. Março é um mês lindo demais. Em um 8 de março de 1914, Fernando Pessoa deu vida a seus heterônimos: Alberto Caeeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. De pé por horas seguidas e escreveu mais de trinta poemas, em um êxtase poético que agora me inspira. Março é também data de recordar e suspirar com lembranças doces e apimentadas de minha vida. Ofereço, assim, versos do querido Ricardo Reis, heterônimo preferido por mim. Poeta de inclinação pagã adepto do carpe diem que sabe aproveitar os momentos da vida com equilíbrio e pureza. "Prazer, mas devagar, Lídia."

Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa -
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.

(
Ricardo Reis, 13/06/1930)

E como não poderia deixar de ser:

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.

Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis (12/6/1914)

Mas,

As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em nascem,
Esse dia morrem.
A luz para elas é eterna porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há nite antes e após
O pouco que duramos.

(11/07/1914)


Tem mais a ser dito, mais a ser vivido, mais...

sexta-feira, março 02, 2007

Valei-me Deus! Perdoa por favor, é o fim...
Eu sei que um erro aconteceu, mas não sei o que fez tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
E o meu jardim da vida ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria nem margarida nasceu!

sábado, janeiro 13, 2007

Imprensa que eu gamo

A frase sugestiva do título é o nome do bloco carnavalesco formado por jornalistas: O Imprensa que Eu Gamo! O grupo sempre elogiado por ser dos mais animados do carnaval carioca está precisando de Rainha da Bateria. A notícia é do Blog da Juliana Rangel, do Globo Online e como ADORO sambar estou em fase de análise profunda para lançar minha candidatura! :)

No blog a jornalista conta que a atual rainha de bateria, Mirelle de França, está cansada (sintoma típico da prática jornalística) e que não está disposta a encarar os ensaios. O bloco promove também um concurso para escolher o samba-enredo 2007. Os interessados devem enviar email para: alves.ramiro@gmail.com
É importante lembrar que para as duas categorias os candidatos devem ser jornalistas.

É uma ótima oportunidade para os jornalistas de Goiás soltarem o corpo e a voz na avenida e ficarem menos azedos. É claro que a dica não vale para todos.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Bigamia profissional

De acordo com a definição do dicionário Houaiss, bigamia é a "realização de novo casamento sem que se tenha dissolvido o anterior". Neste contexto, vivo agora uma bigamia profissional entre o jornalismo político e o jornalismo popular. Na cobertura do processo político, desde a pré-campanha de 2006 até dezembro passado, me apaixonei pela área que é repleta de sedução e interpretações. Todos os dias ao receber ou descobrir uma pauta me sentia instigada a buscar informações e me comprazia na apuração, nas nuances dos bastidores e na montagem dos quebra-cabeças que algumas reportagens exigiam.

Agora de volta à cobertura de Cidades, em especial da educação de crianças e adolescentes, desfruto cada fase do processo de produção da notícia. Tenho prazer desde a criação das pautas e do surgimento de idéias, que de alguma forma contribuem para a sociedade, até o momento da redação. Me sinto realizada ao penetrar nos diversos ambientes sociais, seja a mais suntuosa mansão ou o casebre mais simples que Goiânia e a região abriga. No último dia do ano, por exemplo, me preparava para o réveillon sem grandes reflexões sobre a vida até chegar no jornal e receber a incumbência de ir verificar como seria a virada de ano para as famílias que perderam grande parte dos bens com a enchente que arrasou uma invasão no Jardim Guanabara II, periferia da Capital.

Enquanto entrevistava aquelas pessoas, que apesar de todos os dissabores agradeciam a Deus por estarem vivas, não parava de lembrar do luxo que compõe a realidade da maioria dos políticos que encontrava cotidianamente no jornalismo político. Há uma ligação forte entre as duas áreas, uma precisa da outra. Mas em um balanço a partir da realidade daquelas famílias do Guanabara, a sociedade contribuiu muito mais com os que ocupam o poder com o voto, que o contrário. A situação, principalmente das crianças, me causou um nó na garganta que durou até a hora da virada, e em menor intensidade, ainda está presente.

Recebi a notícia de que uma senhora faria doações para as famílias atingidas e senti meu coração acalmar. Talvez seja apenas um ato de demagogia involuntária, mas de fato fiquei melhor ao saber que de alguma maneira minha matéria contribuiu. Sei que o caminho não é este, prefiro acreditar na concretização de políticas públicas que dê dignidade maior para a população. Sei também que não é este o papel do jornalista, mas não nego que penso sim sobre a situação.

Mas o fato principal é que minha relação de bigamia entre a política e o social permanece. Confesso que o jornalismo político me atrai como vagalume na noite escura. E de outro lado, o social me oferece um prazer apaziguador. Como no Brasil, mesmo que velada a bigamia é aceita, sigo assim sem pressa de escolher o melhor casamento.

Por Lillian Bento

quinta-feira, dezembro 21, 2006

O vazio dos últimos dias de dezembro

Todos os dezembros que vieram depois de meus 20 anos são iguais: melacólicos. Assim como em aniversários fico tomada de nostalgia e passo a refletir sobre o que vale ou não à pena na vida. Me entristeço com o balanço quase sempre negativo de ter dedicado a maior parte do meu tempo à coisas, pessoas e situações que seriam melhor se não existissem. Me irrito também com o impulso consumista que toma as pessoas e, o pior, reconheço que tenho esse defeito, mas em outras épocas do ano. No 12º mês não gosto de ir à centros comerciais, shoppings, então, detesto. Me sinto incomodada ao tentar entender o tal significado do natal, se formos adotar a definição cristã, sou obrigada a concluir que a maioria das pessoas são hípócritas quanto à festa.

Além do comportamento alheio, me incomoda o meu próprio. Tenho uma mania, quase uma compulsão, por analisar quem sou, para que estou e a que vim. Adianta? Não. Sempre conclusão de que não somos mais que uma piada de Deus, como bem definiu meu amado Paulinho Moska. Então porque algumas pessoas agem como se fossem mais que isso? Neste final de ano, em especial, carrego uma decepção acentuada com o ser humano e as razões que motivam o agir das pessoas. Situações me levaram à desilusão com outros seres e comigo também.

Gostaria de me tornar uma narradora-observadora da vida no período que vai de 15 de dezembro a 1º de janeiro. Enxergar o mundo sem me sentir inserida neste processo de final de ano, que sem maiores explicações que as acima, me incomoda.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Dos colores: Blanco y negro

Nuestra primera intención
era hacerlo en colores
una acuerela que hablara
de nuestros amores

Un colibri policromo
parado en el viento
una canción arco iris
durando en el tiempo

El director de la banda
silbando bajito
pensaba azules y rojos
para el valsecito

Pero ustedes saben señores
muy bien como es esto
no nos falló la intención
pero si el presupuesto

El blanco y negro
esta canción
quedó en blanco y negro
con el corazón
en el blanco y negro
nieve y carbón
en blanco y negro
en technicolor
pero en blanco y negro

Fuimos quitando primero
de nuestra paleta
una mirada turquesa
de marco violeta

Luego el carmín de las flores
encima del piano
una caída de sol
cuando empieza el verano

(Jorge Drexler)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Não somos mais que uma gota de luz

Gente, tanto tempo sem postar aqui e tantas acontecimentos movimentaram minha vida. Primeiro fiquei sem escrever porque estava em meio à turbulência da cobertura de política nas eleições, depois o pós-eleitoral, sucessão na Assembléia Legislativa e Câmara de Vereadores. Chegava em casa super tarde, pregada, sem a menor possibilidade de encarar outro computador para escrever neste espaço. Mas agora o faço em meio a uma turbulência de sentimentos que me fizeram pensar o quanto as situações são vulneráveis. Como tudo muda e quando percebemos a configuração é outra.

As mudanças que invadiram minha vida nos últimos dias foram no trabalho. No começo fiquei um tanto chateada e tal. Depois percebi que "tudo se compõe e se decompõe", como ensina o meu mestre Paulinho Moska! Mas é verdade, as mudanças são tantas que é bobagem acreditarmos que tal ou qual espaço é nosso. Fui repórter de Cidades, área pela qual tenho absoluto tesão, adoro porque abre espaço para grandes reportagens. Sai. Depois fui para Política, área em que aprendi muito, principalmente na apuração e na arte de escrever com agilidade, e que me apaixonei também. Mas agora mudei de novo e assim será sempre na vida.

A Marina Mercante (minha super amiga que amo) sempre me diz: Calma, tudo se encaixa e temos uma incrível capacidade de superar, de nos adaptarmos. Verdade, Ma. E o Moska diria:
Calma, tudo está em calma
Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure.

E como não podia deixar de ser, a vida não pede licença e muito menos desculpa e o perdão é que possibilita o nascimento da culpa.

Sei que este texto ficou confuso. É que abriga a confusão de idéias que está agora em minha cabeça. O certo é que não somos mais que uma gota de luz, uma fagulha tão só na idade do céu.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

MEU PENSAMENTO NÃO QUER PENSAR


Meu pensamento não quer pensar
ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
é duro acordar e ver que no mundo
tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
se me esqueço

Que meu pensamento não quer pensar
e para apreender eu vou ter que apanhar
pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi

Que o meu pensamento não vai pensar
enquanto eu não fizer seu coração vomitar
toda a consciência que não o deixa em paz
com os mesmos padrões de séculos atrás
com as mesmas paixões por coisas
absolutamente banais.

(MOSKA)

segunda-feira, novembro 13, 2006

Quase nada

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada


(Zeca Baleiro)

quinta-feira, novembro 09, 2006

Meu desejo...

Tenho o corpo cansado de sambar noite e dia
Perguntei ao coração
Se queria descansar
Ele disse que não
Que não, que não queria...

Cansado de Sambar (Assis Valente)

domingo, novembro 05, 2006

À flor da pele (despertamentos)

Em meio à tantas especulações
Alguns acontecimentos ruins
Eis que algo direciona o olhar
O pensar e o sentir...
Faz querer experimentar
Com o corpo e com a alma
Sensações diferentes
Que fervilham em sincronia profunda (L.B)

terça-feira, outubro 24, 2006

Gozo sonhado

Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho.
Nós o que nos supomos nos fazemos,
Se com atenta mente Resistirmos em crer
Não, pois, meu modo de pensar nas coisas,
Nos seres e no fado me consumo.
Para mim ê-lo. crio tanto
Quanto para mim crio.
Fora de mim, alheio ao em que penso,
O Fado cumpre-se.
Porém eu me cumpro
Segundo o âmbito breve
Do que de meu me é dado.

(Ricardo Reis - heterônimo de Pessoa)

domingo, outubro 22, 2006

A Notícia BOA

Por força do ofício, vivo à procura de notícias. E nesta nem sempre grata tarefa, tive ontem a melhor notícia de todos os tempos. Do site do moska:

TUDO NOVO DE NOVO: EM BREVE O CD NAS LOJAS

10/10/2006

O CD TUDO NOVO DE NOVO será distribuido pela SOM LIVRE e em breve estará novamente nas lojas.
O álbum inclui agora as versões em espanhol de LÁGRIMAS DE DIAMANTES e PENSANDO EM VOCÊ.

sexta-feira, outubro 20, 2006

...

Para onde essa onda vai. De onde essa onda vem. Algumas trazem frescor, perfumes e boas energias. Outras nos levam para o olho do furacão e nos dão consciência de que estamos no barco sem o menor controle. A nós nos é dado tão só a oportunidade de pensar sobre o que passou e tentar buscar o ponto exato em que tudo se perdeu. Na tentativa incansável de fugir da destruição total.

Olho agora para o passado na tentativa buscar esse momento, esse limiar que antecedeu o momento em que me vi no olho do furacão. Me agarro a qualquer aparente oportunidade de escapar. Em vão. Nesses momentos não adianta olhar para o lado, pouquíssimas mãos estão estendidas e as que estão não conseguem me alcançar.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Do fundo do baú

Gente, hoje depois de tanto tempo sem escrever, não pude resistir e venho aqui expressar minha nostalgia ao lembrar de minha infância. Hoje no orkut me deparei com uma comunidade que nunca imaginei existir, a da dupla sertaneja Orfeu e Menestreu.
Sim, sim. Quem me conhece sabe que eu ODEIO o ritmo pobre (minha opinião, hehehe) da música sertaneja. Mas os caras dessa dupla eram amigos do meu pai. O primeiro meu padrinho, que desde meus dez anos de idade nunca mais ouvi falar. São de Jataí. E como ser de Goiás sem ter algo de sertanejo na história, nem que seja lá no comecinho da vida, como é meu caso.

Mas foi muito legal, minha reação. Levei um susto e ao mesmo tempo senti alegria por ter a comunidade como referência. Putz, lembrei de vários momentos de minha infância, das festas que rolavam em minha casa com a presença da tal dupla. Me lembrei até que o Orfeu (que nem lembro mais o nome verdadeiro) era minha paixãozinha platônica. Eu com meus cinco anos de idade. Sempre gostei dos amores impossíveis! hahahahaha.. Ô vida! Ao ler a letra que da música que a mediadora da comunidade postou, lembrei de toda a melodia e me vi pequenininha de shortinho amarelo e blusinha do cascão (turma da Mônica) sentada no quintal cantando. Foi lindo! Nunca pensei sentir alegria ao me deparar com uma música de dupla sertaneja, mas não posso negar minha nostalgia.


Além do mais, li com cuidado os versos e, uns dezoito anos depois, percebi que é uma letra bela. Posto a abaixo, com saudades ternas de minha infância que os anos não trazem mais!

“A lua é testemunha
Que o âmago da alma
Embuido de calma abraça uma saudade põe-se a cantar
Estrelas cintilantes
Que dançam céu à fora
Refletem na viola a sensibilidade de quem sabe amar
As mãos às vezes tensas
Se apegam uma à outra
Procuram controlar memórias amorosas que o tempo atiçou
As marcas do passado amargam minha mente
De forma comovente, fiz triste a canção e a noite chegou

Sozinho na noite feito um vagabundo e louco de amor
Faço das janelas meu palco de show
Me escolho, me humilho e canto o que sou
Um caso perdido um amante da lua
Um incompreendido, um lixo da rua
É que sou poeta e poeta é louco
Tem amor demais, tem de tudo um pouco...”

quinta-feira, setembro 14, 2006

11 anos de vazio

Lillian Bento  

Hoje faz 11 anos que não tenho mais o meu pai por perto. 14 de setembro de 1995, uma data que ficou registrada em preto e branco na minha memória. Um dia como outro qualquer, mas que a vida reservou para ser um daqueles que nos mostra a fragilidade e pequenez nossa existência. São onze anos de vazio, um vazio de não saber como teria sido ter meu pai por perto quando tive o primeiro namorado, quando passei no vestibular, quando estreiei no Teatro Goiânia e depois comecei a percorrer o País com o teatro. 

Um vazio de não saber qual seria a reação dele ao ver a filhinha, tão querida, grávida com apenas 19 anos. E um imenso vazio de não saber se seria tão carinhoso e mimaria tanto minha Maria quanto fez comigo enquanto pôde. 

Em minh'alma tenho a certeza que sim, afinal como amava crianças o meu pai. Na verdade penso até que exagerou nos mimos que dedicou a mim, mas é como se soubesse que passaria apenas 12 anos a meu lado e precisasse deixar claro o amor. Amor esse que sempre compartilhamos em uma relação linda. Como esquecer que ao chegar do trabalho, tirava os sapatos e pedia para que eu me sentasse no sofá, recostava a cabeça no meu colo e me pedia sempre para fazer "cafuné". 

Como esquecer da páscoa em que chegou com um ovo de chocolate maior que eu de presente. Como esquecer das viagens e do diário que escrevi aos sete anos de idade para contá-las. É, foram apenas 12 anos, mas muito bem vividos. Problema houveram, decepções também (como não?). Mas não representam sequer um milímetro perto do imenso amor que o dedico em meu coração. Nem sei como seria se o tivesse aqui hoje. Prefiro não pensar a respeito e ter as lembranças sempre dóceis e engraçadas de quem era meu pai. Antônio de Souza Neto. Um homem muito divertido. Boêmio por natureza. 

Amava a rua e as pessoas, aliás sempre lembro de meu pai cercado de pessoas. Recordo dos churrascos que promovia em nossa casa e que reunia amigos até a manhã seguinte. Penso que "herdei" dele o gosto pela rua e até alguns aspectos de minha vida profissional. Meu pai não era jornalista como eu, mas o seria fácil se assim tivesse pretendido. Era um comunicador por natureza e de um humor sarcástico, característica importante ao bom jornalista.  

Pai, terá sempre meu amor e minhas melhores lembranças. Só de uma coisa consigo me arrepender ao lembrar de ti, que é do fato de ter tido sempre um gênio tão difícil e um certo bloqueio de dizer claramente às pessoas que amo, o quanto as amo. Não me lembro das vezes que te disse um bom e sonoro "eu te amo". Mas sei que sempre soube de meu amor, e isso me conforta um pouco. De toda sorte, agora digo em meus pensamentos a ti direcionados o quanto amo. E sei, que o verdadeiro amor está além de tudo, inclusive da morte. "Tudo passa, só o amor fica e é eterno e imortal."