Só se conhece o coração a partir dos olhos
O coração se alegra
Os olhos sorriem
O coração se ressente
Os olhos ressecam
O coração sente medo
Os olhos esbugalham
O coração se parte
Os olhos derramam
Meus olhos agora inundam meu rosto
As lágrimas salgadas invadem minha boca
Um pedido de socorro de um coração que arde
De um coração que dói
De um coração que está apertado
De um coração que não sabe o que fazer com o vazio
De um coração que queima
De um coração que se encontra... perdido!
segunda-feira, julho 09, 2018
domingo, abril 01, 2018
Das portas abertas
São 35 anos, alguns amores e muitas paixões.
Impulsiva, nunca achei difícil abrir portas
Quando meu coração se converte em Corisco,
difícil é mantê-las fechadas
Tamanha é a força dos ventos que me movem
que não há porta que fique fechada!
Mas depois, quando vem a calmaria
E chega a hora da marcha estradeira
Das inevitáveis despedidas
Sigo, deixando as portas abertas
Como é difícil fechar portas.
Umas mais que as outras.
Romper ciclos
Seguir sem olhar para trás
Vez ou outra quando o presente esfria
O coração amorna
É bom saber que há para onde correr
Onde estão encontros que trazem novamente
movimentos e intensidades
É bom e (tão egoísta) ter possibilidades
Um caminho, um vício
Um vício que agora,
No findar do meu quinto setênio,
Me traz incômodos
E revela importantes contradições
É difícil perceber os ventos que arrebatam meu coração
quando tantas portas estão abertas
E, apesar de não saber se as quero fechadas
Tomo uma distância para observar
Sem julgar
É desafio
Mas agora preciso desfrutar do silêncio
para potencializar a escuta
Recolher meus fragmentos
Me reconhecer inteira.
Lillian
segunda-feira, setembro 25, 2017
Gozo sonhado é gozo
Raras vezes são ruins, mas quando isso acontece e acordo com vontade de jamais ter te conhecido, logo lembro que a vida é linda justamente pelas costuras tortas que faz e percebo que desejar fugir seria bobagem. Se, ao te conhecer, permiti que fizesse morada nos recôncavos mais profundos do meu coração há nisso tal singularidade e beleza que já não importam os caminhos que virão.
Sei que onde residem o amor, a quietude e o prazer também estão guardadas a dor, a angústia e as incertezas. É ali nos ocos mais profundos da alma que ficam todos esses sentimentos intensos. Lembro que quando mais jovem me deixava derrubar pelas tempestades a cada vez que remexia nessas zonas profundas. Vibrava de euforia na mesma intensidade em que me deixava abater por intensas tristezas.
A saída quase sempre era a fuga. Muitas vezes ainda é, não posso negar, o que mudou é que hoje já não corro da dor, da frustração e das incertezas. Tal qual o amor ou o gozo, as experimento em profundidade. É melhor controlar os raios e os ventos com a espada de fogo de Iansã que negar as tempestades. Sentindo os ventos revoltos é que comecei a experimentar o peso e a leveza dos amores não vividos.E você seguirá comigo.
Se há dor na ausência, há gozo na saudade. Nos sonhos, nas recordações. Nem todo amor é para ser vivido, nem todo gozo é para ser molhado. Te guardo na lembrança do abraço não dado, do beijo não trocado, dos lençóis não partilhados. Te guardo na calmaria de te lembrar em algumas de minhas canções favoritas, na voz da Maria Bethania, ou na poesia de Fernando Pessoa, que na voz de Ricardo Reis entoa:
"Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, se quiséssemos trocar beijos e abraços e carícias, mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro ouvindo correr o rio e vendo-o". Seguirás comigo ainda que na distância. Seguirás nas profundezas que habitas e nem sabes. E é novamente nas palavras de Fernando Pessoa que te digo:
Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho.
Nós o que nos supomos nos fazemos,
Se com atenta mente
Resistirmos em crê-lo.
Não, pois, meu modo de pensar nas coisas,
Nos seres e no fado me consumo.
Para mim crio tanto
Quanto para mim crio.
Fora de mim, alheio ao em que penso,
O Fado cumpre-se. Porém eu me cumpro
Segundo o âmbito breve
Do que de meu me é dado.
(Ricardo Reis, 30.01.1927)
Lillian.
| Nas ruas de Goiânia. Foto: Lillian Bento |
sábado, março 04, 2017
Que sangre, escorra até estancar
É preciso olhar bem para a ferida
Deixar que o sangue escoe
Sentir a dor que pulsa
A lágrima que quente corre
Estar ali ainda quando o sangue secar
Quando a lágrima cessar
Sentir a dor e ver cicatrizar
Levantar e seguir por outro caminho
Estar pronta quando voltar o riso
Estar em paz para o outro dia
Os novos momentos
Os novos pulsar
Reconhecer o prazer de outros ventos
que tocam a pele
Das novas águas que correm no rio
Das novas carícias
Dos novos abraços
De outros beijos
Deixar que o sangue escoe
Sentir a dor que pulsa
A lágrima que quente corre
Estar ali ainda quando o sangue secar
Quando a lágrima cessar
Sentir a dor e ver cicatrizar
Levantar e seguir por outro caminho
Estar pronta quando voltar o riso
Estar em paz para o outro dia
Os novos momentos
Os novos pulsar
Reconhecer o prazer de outros ventos
que tocam a pele
Das novas águas que correm no rio
Das novas carícias
Dos novos abraços
De outros beijos
(Eu aqui... divagando porque gosto de vagar)
segunda-feira, outubro 31, 2016
Origami
Pouso, em vão, a caneta no papel
Há seis meses as letras borradas
Há seis meses, recolhidos no escuro,
meus olhos se aquietam
pouco enxergam, muito veem
Imersos em descobertas interiores,
meus pensamentos imprecisos
desejam ganhar o papel
Em vão.
Seguem aprisionados e na escuridão
buscam entender as novas descobertas
Muito vejo, pouco digo
Estranha sensação!
Lá fora o mundo parece igual
Ouço o tintilar dos copos
O burburinho das ruas
O acariciar dos corpos
Aqui dentro...
Bem,
As palavras seguem insuficientes
Do papel faço um origami
Há seis meses as letras borradas
Há seis meses, recolhidos no escuro,
meus olhos se aquietam
pouco enxergam, muito veem
Imersos em descobertas interiores,
meus pensamentos imprecisos
desejam ganhar o papel
Em vão.
Seguem aprisionados e na escuridão
buscam entender as novas descobertas
Muito vejo, pouco digo
Estranha sensação!
Lá fora o mundo parece igual
Ouço o tintilar dos copos
O burburinho das ruas
O acariciar dos corpos
Aqui dentro...
Bem,
As palavras seguem insuficientes
Do papel faço um origami
sábado, julho 02, 2016
(re)conhecendo-me
Houve um 'quando' em que de olhos fechados eu não via
Houve um 'onde' em que de ouvidos tapados eu me escondia
Agora, recolhida na escuridão e no silêncio, vejo e ouço com inigualável clareza
Daqui desse quando e onde tão íntimos me conheço e reconheço
com apreço e uma incipiente serenidade
Cada dia e cada noite são mais meus
Cada cor e cada som são mais sentidos
O corpo se abre a novas experiências
Porque a experiência reconhece meus novos 'eus'.
Houve um 'onde' em que de ouvidos tapados eu me escondia
Agora, recolhida na escuridão e no silêncio, vejo e ouço com inigualável clareza
Daqui desse quando e onde tão íntimos me conheço e reconheço
com apreço e uma incipiente serenidade
Cada dia e cada noite são mais meus
Cada cor e cada som são mais sentidos
O corpo se abre a novas experiências
Porque a experiência reconhece meus novos 'eus'.
terça-feira, maio 03, 2016
Falhou. Estou cansada.
Falta plural na fala
Falta plural na escrita
Faltam debates plurais.
Em vez de somar, o plural irrita
E nessa falta de ajuste entre plurais e singulares
'As conversa' são dispersas e os diálogos suprimidos
O que sobra mesmo é só desânimo...
... esse lugar de onde agora escrevo.
terça-feira, outubro 06, 2015
O que de ti ficou em mim
Talvez tenha sido com você que aprendi que amar é deixar partir. Que amor é liberdade! Ou, talvez (para ser mais honesta) eu nem tenha aprendido ainda, mas por certo foi com você que comecei a aprender. Sim, eu ardi de paixão por você! Acredito que logo na primeira conversa - eu tão menina e você falando de Foucault. A festa havia acabado e você me perguntou porque eu usava uma cruz invertida no pescoço, comentou sobre minha roupa preta e disse ter gostado da minha meia arrastão. A madrugada passou inteira em segundos e foi a primeira de tantas outras regadas a corpos entrelaçados, gozo, conversas intermináveis sobre Caetano, Doces Bárbaros, Filosofia, teatro e tantos outros assuntos que nos conectavam. Me encantei por ti e esse encantamento durou bem mais que mil dias.
A verdade é que seus cabelos longos daquele tempo, os dedos magros e esguios como seu corpo, o olhar profundo e o sorriso frouxo eram a moldura perfeita para alguém tão plural, encantador e doce. Seguimos juntos e separados por semanas, meses e anos. Eram encontros e desencontros e um ardente desejo que me unia a você. Sempre houve magia, sempre houve tesão, sempre houve querer e palpitação, mas nunca alimentamos uma dessas paixões que preocupam, que desejam controlar o outro e que, como diria Fernando Pessoa, 'dão movimento demais aos olhos'. Nossos encontros sempre foram esporádicos, mas intensos. Em cada um deles, sentia o corpo em brasas e me enrolava em seus braços, mãos, pernas e cabelos. Tudo era fluido. Você vinha e ia sem nunca permanecer. Essa falta de rotina me seduzia. Nunca houve espera, algumas vezes nasceram expectativas e ciúmes, mas nada me corroía a não ser o desejo que surgia quando meus olhos encontravam, entre tantos outros, seus olhos atentos e seu sorriso de canto de boca.
Era incontrolável. Um desejo imenso de engolir seu corpo e consumir suas energias. Seguimos assim, por tantos anos e muitos encontros regados a saliva, sêmen e suor. Até que um silêncio maior se estabeleceu e voltamos a nos reencontrar surpreendentemente sem beijos, nem gozo. Conversamos timidamente, eu disse tchau e fui embora. Levei comigo a dúvida: seria uma pausa ou o fim de um ciclo, o fim do que teria sido nosso (in)constante setênio. Não sei. Ainda não sei. Só sei que contra os ciclos da vida não é possível lutar e agora seguimos separados. Não trocamos mais olhares ardentes ou passamos madrugadas falando sobre Caetano. Sei apenas que segues comigo, afinal deixaste muito de ti em mim. Hoje sou outra, mas tenho uma certeza: eu te amei e ainda te amo, como amei e amo outros de meus grandes amores: tranquilamente...
"(...) pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência."
(Trecho do poema 'Vem Sentar-te Comigo Lídia' de Ricardo Reis/ FP)
A verdade é que seus cabelos longos daquele tempo, os dedos magros e esguios como seu corpo, o olhar profundo e o sorriso frouxo eram a moldura perfeita para alguém tão plural, encantador e doce. Seguimos juntos e separados por semanas, meses e anos. Eram encontros e desencontros e um ardente desejo que me unia a você. Sempre houve magia, sempre houve tesão, sempre houve querer e palpitação, mas nunca alimentamos uma dessas paixões que preocupam, que desejam controlar o outro e que, como diria Fernando Pessoa, 'dão movimento demais aos olhos'. Nossos encontros sempre foram esporádicos, mas intensos. Em cada um deles, sentia o corpo em brasas e me enrolava em seus braços, mãos, pernas e cabelos. Tudo era fluido. Você vinha e ia sem nunca permanecer. Essa falta de rotina me seduzia. Nunca houve espera, algumas vezes nasceram expectativas e ciúmes, mas nada me corroía a não ser o desejo que surgia quando meus olhos encontravam, entre tantos outros, seus olhos atentos e seu sorriso de canto de boca.
Era incontrolável. Um desejo imenso de engolir seu corpo e consumir suas energias. Seguimos assim, por tantos anos e muitos encontros regados a saliva, sêmen e suor. Até que um silêncio maior se estabeleceu e voltamos a nos reencontrar surpreendentemente sem beijos, nem gozo. Conversamos timidamente, eu disse tchau e fui embora. Levei comigo a dúvida: seria uma pausa ou o fim de um ciclo, o fim do que teria sido nosso (in)constante setênio. Não sei. Ainda não sei. Só sei que contra os ciclos da vida não é possível lutar e agora seguimos separados. Não trocamos mais olhares ardentes ou passamos madrugadas falando sobre Caetano. Sei apenas que segues comigo, afinal deixaste muito de ti em mim. Hoje sou outra, mas tenho uma certeza: eu te amei e ainda te amo, como amei e amo outros de meus grandes amores: tranquilamente...
"(...) pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência."
(Trecho do poema 'Vem Sentar-te Comigo Lídia' de Ricardo Reis/ FP)
terça-feira, setembro 08, 2015
Cheia de mim
Estou cheia
Cheia de euforia
Cheia de agonia
Cheia de tudo
... e de nada
Cheia de falar
Cheia de ouvir
Cheia de chorar
...e de sorrir
Estou derramando ...
me perdendo em meus próprios fluídos,
escapando de mim entre meus dedos...
Preciso entrar,
me aquietar aqui dentro.
Dar vazão aos excessos
Reencontrar meus vazios
Sossegar
... dos pensamentos de uma noite de chuva, de transbordamentos e angústias
Lillian
Araraquara, setembro de 2015
Cheia de euforia
Cheia de agonia
Cheia de tudo
... e de nada
Cheia de falar
Cheia de ouvir
Cheia de chorar
...e de sorrir
Estou derramando ...
me perdendo em meus próprios fluídos,
escapando de mim entre meus dedos...
Preciso entrar,
me aquietar aqui dentro.
Dar vazão aos excessos
Reencontrar meus vazios
Sossegar
... dos pensamentos de uma noite de chuva, de transbordamentos e angústias
Lillian
Araraquara, setembro de 2015
domingo, dezembro 07, 2014
Sobre o outro ou sobre redescobrir caminhos
Tão importante, quanto dolorido é viver a alteridade.
Respeitar o outro e compreender quando o querer do outro te incomoda
Quando o não querer do outro te confronta e ainda assim seguir e respeitar
Saber sentir o amargo da frustração e mudar a direção da caminhada
Sentir esse amargo e jogar fora a saliva para, em seguida, redescobrir os gostos que te dão prazer
Reconfigurar!
Reabrir todos os sentidos para o novo... de novo!
E, depois do sabor das lágrimas, sentir o prazer de sorrir outra vez
Um sorriso pleno, entregue e cheio de paixão por viver
Porque já passou o tempo da extrema racionalidade
É tempo de sentir plenamente, de pulsar, de ferver o sangue,
Saborear lentamente, inclusive a dor de interromper caminhos e a delícia de redescobrir os novos!
Respeitar o outro e compreender quando o querer do outro te incomoda
Quando o não querer do outro te confronta e ainda assim seguir e respeitar
Saber sentir o amargo da frustração e mudar a direção da caminhada
Sentir esse amargo e jogar fora a saliva para, em seguida, redescobrir os gostos que te dão prazer
Reconfigurar!
Reabrir todos os sentidos para o novo... de novo!
E, depois do sabor das lágrimas, sentir o prazer de sorrir outra vez
Um sorriso pleno, entregue e cheio de paixão por viver
Porque já passou o tempo da extrema racionalidade
É tempo de sentir plenamente, de pulsar, de ferver o sangue,
Saborear lentamente, inclusive a dor de interromper caminhos e a delícia de redescobrir os novos!
domingo, outubro 05, 2014
Do olfato, essa memória da pele.
Suspirei...
Uma memória
Um cheiro e essa sensação...
O olfato, a memória da pele
Esse prolongamento do tato
Aliado do prazer
Um suspiro
Um sorriso
De um momento que não dura,
mas que segue na memória
guardado nesse cheiro de lua,
De rua, de álcool, de sangue e de suor
A sensação que valeu ter sentido
o efêmero e eterno tempo de ter um sorriso nos lábios.
Lillian B.
quarta-feira, julho 02, 2014
Eu, a troca-letras, por Marina Mercante!
Eu, troca-letras, um texto que me emocionou muito e que publico aqui para guardar como está guardado em meu coração. Escrito por minha amiga mais que amada, Marina Mercante, em sua pós-graduação em Jornalismo Literário, me descreves por inteira até hoje! Te amo, Ma! Obrigada sempre!
Brasília – 2º
bim – Marina Mercante/ Outubro de 2006
A troca-letras
Na estante, um CD de músicas para ninar ao lado de
uma coletânea do Raul Seixas. Em posição de destaque, os discos do Paulinho
Moska, mostrando que eles são tocados com freqüência. No mesmo ambiente, uma
fila de livros sobre comunicação social, política, redação. Os sinais visíveis
de que naquele quarto dorme uma mulher adulta são poucos. A estante de livros e
discos é o principal. Além dela, só mesmo abrindo as gavetas e as portas do
guarda-roupa.
No mais, objetos infantis predominam. Brinquedos
espalhados pelo chão, um peixe de pelúcia azul e amarelo em cima da cama e uma
toalha da Cinderela estendida no arame do berço. Na parede do quarto, há a
pintura de uma menina de cabelos curtos e dourados em um jardim. Pacientemente,
ela assopra uma flor branca, sentada perto de uma árvore com flores de várias tonalidades.
O quadro está logo acima de uma cômoda clara com maçanetas em forma de estrelas
e luas, sobre a qual estão dispostos nove porta-retratos, todos eles com
fotografias que registram momentos dos quase quatro anos de vida da pequena
Maria, filha da protagonista desta história, Líllian. Até mesmo o nome completo
da personagem remete ao universo infantil, das histórias em quadrinhos da Turma
da Mônica. Líllian Bento. Sobrenome que dá margem a brincadeiras do tipo: você
é primo do Chico Bento ou o quê?
O dia-a-dia da jovem jornalista é como o próprio quarto
em pleno domingo à noite: bagunçado, mas colorido. Ela sabe fazer render as 24
horas de cada dia, para que tenha tempo para fazer tudo o que precisa: cuidar
da Maria, ser jornalista e aproveitar os 20 e poucos anos de vida. Mais
exatamente, 23, completados em março passado.
A gravidez precoce aconteceu ainda na faculdade,
quando Líllian estava no 2º ano de comunicação social na Universidade Federal
de Goiás (UFG) e começou a namorar um colega. O namoro começou no dia do meu
aniversário, logo após uma festinha em um restaurante de Goiânia. E foi no dia
do aniversário da Líllian, em outro restaurante da cidade, que fui a primeira
pessoa a saber que ela estava grávida. Maria nasceu em novembro de 2002.
Encontros e Desencontros
Em julho, eu estava empolgada porque passaria um
final de semana completo em Goiânia. Liguei para Líllian dias antes, combinei
tudo e fizemos planos. No dia anterior à minha viagem, no entanto, recebi um
telefonema com DDD 62. Era ela, dizendo que estava inscrita em um curso de
capacitação para jornalistas com o tema Cobertura das Eleições e que viria para
a Capital Federal passar sexta e sábado! Como eu precisava ir a Goiânia por
conta de um casamento, o resultado foi uma troca de cidades. Ela se hospedou no
meu apartamento e ficou sozinha por um dia (minha irmã, que mora comigo, também
viajou).
Por um instante, fiquei chateada com o desencontro,
mas analisando a situação percebi como aquilo tudo tinha a cara da Líllian.
Quantas vezes combinamos alguma coisa e ela desmarcou na última hora, sempre
com um forte motivo. “Não tenho culpa, o jornal que me escalou”. Acabei achando
graça. Passar um final de semana juntas despendia todo um planejamento
estratégico, por causa da nossa profissão, que brinca com o tempo. E lá estava
ela, sozinha no meu apartamento, cuidando do meu peixe beta, que precisa ser
alimentado diariamente. Quando ela voltou a Goiânia, teve tempo ainda de me
contar que havia batizado o peixe de “Jhonny” e que tinha criado um vínculo
emocional com o bichinho de estimação. “Que dó deixá-lo sozinho”.
Demonstrações de carinho como essa são novidades
para Líllian e ela admite isso. Quando era mais nova, foi criticada por ter
dificuldades em abraçar, beijar e dizer “eu te amo” para parentes, amigos e
namorados. Com o nascimento da filha, essa distância entre sentir e demonstrar
ficou menor. Mas nada em exagero. Líllian tem mais afinidade com as palavras e
escrever é o melhor jeito que ela encontra para usá-las bem.
“Saí do jornal
por volta de 22 horas. Em minutos estava na companhia confortante da pequena
Maria. Ao me ver machucada ela virou-se de lado e chorou. ‘Fiquei triste porque
você machucou’, disse entre lágrimas sentidas e o abraço mais gostoso que há no
mundo. Ouvi tudo como se escutasse música clássica. A voz mais linda me contava
os feitos mais interessantes do mundo. Fomos dormir. Depois de todo o stress de
ter sido atropelada, fechei os olhos. Minutos depois os abri com a certeza de
que veria a pequena já adormecida. Mas para minha surpresa, vi que os pequenos
olhos me observavam. Por alguns minutos ela vigiou meu sono e ao me ver abriu
um lindo e doce sorriso. E com magia plena me abraçou e encheu meu rosto de
beijos. Os melhores do mundo. Naquele instante pensei: pode me faltar tudo, se
sobrar esse sorriso meu mundo está completo. Não há atropelamento que me tire
essa alegria e que abale esse amor”.
O trecho acima faz parte de um texto que está no blog da mãe da Maria. É no diário
eletrônico também que ela desabafa sobre os anseios, as frustrações da vida
profissional, embalada pelas experiências na cobertura diária de política para
um jornal de grande circulação em Goiás.
“O
poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente” Fernando Pessoa
Fã declarada do
enigmático poeta e escritor português responsável pelos versos acima, Líllian
não consegue fingir. Nem mesmo o registro de atriz profissional que ela tem
desde a época de escola facilita qualquer tipo de atuação quando está lidando
com a vida real. A autenticidade sempre prevalece. Se está nervosa, deixa transparecer de
forma bem clara. Se algo a incomoda, não hesita em dizer. Se fica alegre, exala
euforia. Pode até evitar as lágrimas, mas demonstra que por dentro está
fervendo. Em geral, as frases são ditas por Líllian antes que ela conclua o
pensamento.
Troca-letras
Há, entre a tribo de jornalistas
brasileiros, uma forma carinhosa – ou seria irônica – de apelidar esses
profissionais: “troca-letras”. A denominação se deve ao uso contínuo da língua
portuguesa, ferramenta de trabalho para qualquer um que exerce a profissão,
independente do veículo. A Líllian faz isso literalmente. Mas em vez de letras,
ela troca as palavras. Tem uma facilidade para esquecer as coisas (para não
dizer dificuldade em lembrar) e troca os vocábulos com freqüência, deixando o
interlocutor da conversa bastante confuso. Coisas do tipo: “espera que eu vou
trocar a Maria da fralda" ou "corta o telefone enquanto eu atendo a
pizza". Diversão garantida.
Na semana em que eu preparava este
perfil, tive o mais recente exemplo desse jeito “desmemoriado” de ser. No
início da tarde de uma segunda-feira, ela deixou a filha na escola e foi em
direção ao ponto de ônibus. Foi atropelada por um carro enquanto atravessava a
faixa de pedestres, com o semáforo indicando a luz vermelha. Por sorte, sofreu
apenas alguns ferimentos externos e pôde trabalhar no mesmo dia. À noite,
quando ela me ligou para contar o que tinha acontecido, soltou a máxima: “Eu
atravessei o ônibus e peguei a rua”. Na seqüência, soltou gargalhadas. O que ela
queria mesmo dizer era que havia atravessado a via pública e tomado o coletivo,
que a levaria ao jornal onde trabalha. Simples.
Sempre imaginei como seria a elaboração
de uma matéria jornalística pela minha amiga “troca-letras”. Cheguei a
perguntar-lhe se trocava muito as palavras enquanto fazia as entrevistas. Ela
me respondeu que realmente fazia algumas confusões ao conversar com os
entrevistados, mas que, ao final do texto, tudo se resolvia.
quarta-feira, maio 21, 2014
Meu egoísmo me faz uma pessoa melhor...
Cresci levando broncas dos patrulheiros anti-egoísmo. Na infância: "Não seja egoísta, menina! Tem que aprender a dividir". Na adolescência: "Como você tem coragem de terminar um namoro logo após receber tantas flores, que egoísta!" Na fase adulta: blah blah blah... a mesma coisa! Cheguei a pensar que eu realmente não devia ser uma boa menina, mas olhei em volta e entendi... meu egoísmo me salvou! Sou hoje uma pessoa melhor graças a ele.
Sou egoísta o suficiente para ficar apavorada quando alguém tenta me dizer o que fazer, ou tenta forçar alguma situação! E isso sempre aconteceu! Isso sempre me enlouqueceu! E essa aversão a imposições me levou a buscar jamais repetir esse comportamento com os outros. Se eu preciso forçar qualquer coisa, sempre penso que é melhor sair daquela situação a ter que obrigar ou tentar impor algo a alguém. E por puro egoísmo: eu não faço contigo para que não faça comigo!
De outro ponto de vista: te dou liberdade para que me a minha cresça. Talvez eu tenha transformado egoísmo em liberdade, embora continue mais egoísta que livre. Ainda assim, penso que é melhor que fingir que não sou egoísta ou sufocar meu egoísmo, transformando água em vinho barato (como querem as religiões)!
Como disse Clarice: "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
terça-feira, maio 06, 2014
Quero ser just@
'Disse que vinha e veio, lá do norte...'
Ouvi uma vez, duas, três... seguidas vezes a música de Caetano Veloso e repetidas vezes me detive nesse verso inicial: 'Disse que vinha e veio!
Pensei sobre esse encantamento da promessa cumprida. Uma coisa tão simples que não deveria causar nem encantamento, nem estranhamento, mas causa e a música exalta essa beleza de receber algo ou alguém esperado.
Pensei o quanto nos acostumamos a viver em meio a promessas frouxas. Digo que vou, até quero ir, mas se qualquer outra coisa me detém, ainda que uma preguiça ou outra promessa, não vou ou não faço o que disse que faria. Há, ainda, quem prometa mesmo sabendo que não vai cumprir, apenas para sair de alguma situação. E esse é até um comportamento compreensível. São contratos sociais, particularmente um tipo de contrato social que muito me incomoda, mas que permanece e permanecerá. Está muito estabelecido e é, muitas vezes, oportuno. Não há esperanças! Acredito que a promessa cumprida seguirá despertando encantamentos, então... me deleito com a música e com a delícia que é encantar-se, ainda que não possamos 'manter a lua cheia acesa'.
Segue a música, é melhor e mais bela que meus pensamentos:
Ouvi uma vez, duas, três... seguidas vezes a música de Caetano Veloso e repetidas vezes me detive nesse verso inicial: 'Disse que vinha e veio!
Pensei sobre esse encantamento da promessa cumprida. Uma coisa tão simples que não deveria causar nem encantamento, nem estranhamento, mas causa e a música exalta essa beleza de receber algo ou alguém esperado.
Pensei o quanto nos acostumamos a viver em meio a promessas frouxas. Digo que vou, até quero ir, mas se qualquer outra coisa me detém, ainda que uma preguiça ou outra promessa, não vou ou não faço o que disse que faria. Há, ainda, quem prometa mesmo sabendo que não vai cumprir, apenas para sair de alguma situação. E esse é até um comportamento compreensível. São contratos sociais, particularmente um tipo de contrato social que muito me incomoda, mas que permanece e permanecerá. Está muito estabelecido e é, muitas vezes, oportuno. Não há esperanças! Acredito que a promessa cumprida seguirá despertando encantamentos, então... me deleito com a música e com a delícia que é encantar-se, ainda que não possamos 'manter a lua cheia acesa'.
Segue a música, é melhor e mais bela que meus pensamentos:
sábado, março 22, 2014
Onde chove
Fiquei ali parada
Esperando chover no deserto ...
Um
Dois
Três
Seis ou sete meses
Até que comecei a derramar
Chovi por dentro
Transbordei e fui embora!
Esperando chover no deserto ...
Um
Dois
Três
Seis ou sete meses
Até que comecei a derramar
Chovi por dentro
Transbordei e fui embora!
segunda-feira, março 03, 2014
Entre mim e Maria
Tocar o corpo de alguém de quem se tem saudade é uma espécie de alucinação!
Uma tentativa enlouquecida de absorver o corpo do outro dentro do seu.
Um abraçar apertado com pretensões antropofágicas...
... um querer voraz!
Porque o que se quer é comer o outro,
ou sugá-lo de volta para dentro do seu próprio ser em uma verdadeira fagocitose...
Um frenesi que só acalma quando, alinhados, os dois corações batem compassados.
E declaram esse amor, que quer devorar ao mesmo tempo em que é capaz de se mutilar por sua outra parte. Essa metade que, desgarrada de si, traz a saudade e o faz canibal...
Canibal porque amor só se alimenta de amor!
quarta-feira, outubro 23, 2013
A espera de todo dia
Pra nascer...
Pra crescer...
Pra comer...
Pra gozar...
Todo dia esperar!
Todo dia alguém espera...
Todo dia você espera...
Todo dia...
- Um dia eu canso de esperar!
- Um dia? Eu canso todo dia!
- E o que você faz?
- Espero! ...
- Espero chegar o dia em que eu não tenha mais nada a esperar!
Lillian B.
quarta-feira, junho 12, 2013
Sigo!
Era um dia frio
Tudo estava ruim
Queria chorar, não conseguia....
Tomei um banho frio.
A água gelada feriu meu corpo
Enrijeceu minha pele.
Quis desistir
Mas permaneci ali
Firme, endurecida como meu coração
Que, finalmente, se entregou as lágrimas
Fiquei até o fim porque sabia
Que aquele frio iria passar
E que quando tudo acabasse eu estaria melhor
Limpa e com novas forças
Pensei...
Assim será quando esse tempo passar
Por isso sigo
Não sem tristezas
Repleta de incertezas...
- Sigo!
Tudo estava ruim
Queria chorar, não conseguia....
Tomei um banho frio.
A água gelada feriu meu corpo
Enrijeceu minha pele.
Quis desistir
Mas permaneci ali
Firme, endurecida como meu coração
Que, finalmente, se entregou as lágrimas
Fiquei até o fim porque sabia
Que aquele frio iria passar
E que quando tudo acabasse eu estaria melhor
Limpa e com novas forças
Pensei...
Assim será quando esse tempo passar
Por isso sigo
Não sem tristezas
Repleta de incertezas...
- Sigo!
quinta-feira, fevereiro 07, 2013
De onde se mira o luar
Há um não-lugar a que pertenço
Sai muitas vezes em busca dessas glebas
Procurei em vão
Ao chegar onde suspeitava ser
Logo percebia o engano
Não sei onde estão
Olho
Não sei onde fica
Não sei como chegar
Vou viver dessa busca
Do meu não-lugar
quinta-feira, dezembro 06, 2012
Obrigada!
É claro que eu vou chorar. Já o faço agora.
Se não choro, não sou eu.
Meus olhos teimam em derrarmar o que meu coração transborda.
E agora ele está apertado.
Vou embora.
Não sem querer.
Vou embora porque quero
Assim como quis vir
Mas a vida...
a vida segue muito além de nossas escolhas.
Escolhemos e seguimos
Mas o que virá nunca sabemos
E eu não sabia
Vivi tanta coisa intensa nos últimos 3 anos que nem dá pra classificar em boas ou ruins
Só posso sentir que me fizeram bem, mesmo o que me fez chorar, sofrer e adoecer
Tudo me fez forte, me fez dura e sensível ao mesmo tempo.
Sigo para a fase seguinte sabendo que estou diferente
E me sinto melhor por isso
Inevitável chorar.
Principalmente porque nesse exercício de viver
encontramos tanta gente
Gente que quero deixar pra trás mesmo, mas que nem por isso me fizeram aprender menos
Gente que deixo agora com o coração apertado, pequenininho
Gente que me ensinou muito e gente que me mostrou que ainda tenho muito a aprender
Gente que segue comigo, onde quer que eu vá.
Odeio despedidas.
Só preciso dizer que amei. Que amo.
Preciso dizer obrigada!
Se não choro, não sou eu.
Meus olhos teimam em derrarmar o que meu coração transborda.
E agora ele está apertado.
Vou embora.
Não sem querer.
Vou embora porque quero
Assim como quis vir
Mas a vida...
a vida segue muito além de nossas escolhas.
Escolhemos e seguimos
Mas o que virá nunca sabemos
E eu não sabia
Vivi tanta coisa intensa nos últimos 3 anos que nem dá pra classificar em boas ou ruins
Só posso sentir que me fizeram bem, mesmo o que me fez chorar, sofrer e adoecer
Tudo me fez forte, me fez dura e sensível ao mesmo tempo.
Sigo para a fase seguinte sabendo que estou diferente
E me sinto melhor por isso
Inevitável chorar.
Principalmente porque nesse exercício de viver
encontramos tanta gente
Gente que quero deixar pra trás mesmo, mas que nem por isso me fizeram aprender menos
Gente que deixo agora com o coração apertado, pequenininho
Gente que me ensinou muito e gente que me mostrou que ainda tenho muito a aprender
Gente que segue comigo, onde quer que eu vá.
Odeio despedidas.
Só preciso dizer que amei. Que amo.
Preciso dizer obrigada!
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