Sinceramente, o mundo não merece um ser tão estranho quanto eu. Eu mesma olho e não entendo a intensidade de minhas alterações de humor. Hoje estive com um péssimo humor e uma raiva gratuita de detalhes. Esqueci completamente o significado da palavra paciência e segui para minhas tarefas cotidianas. Como posso me irritar tanto com o mínimo?
Passei o dia sem querer cumprimentar as pessoas. Claro que o fazia. Afinal o mundo não compreende e muito menos respeita meu mau humor. Mas não conseguia entender porque todo mundo que me falava 'oi' tinha a iniciativa de inventar um assunto que me obrigava a permanecer mais um pouquinho ali em um pseudo-diálogo. Prestei atenção em pouca coisa hoje, para dizer a verdade quase nada. Estritamente ouvi o que me interessou. Não atendi a maioria das ligações. Simplesmente decidi que não queria diálogos hoje. Nem sempre é possível, algumas pessoas é preciso atender, mas evitei o que pude. Com muita gente que conversei não lembro o assunto, mas sei que tudo me irritava. O jeito de falar, o cheiro das coisas, as manias, tocar em mim enquanto falam - coisa que sempre me irritou, aff...
Parece atitude de 'velha'? Muita gente já me disse isso. Que seja. Liguei o "foda-se" hoje desde a hora que acordei até agora - madrugada - enquanto aqui escrevo. A sorte das pessoas que me cercam é que nesses dias ganham mais com o meu silêncio. Quem não conhece pode estranhar, mas quem consegue "me ler" - como diz um amigo- no mínimo, acostumou-se. Vou dormir...
quinta-feira, agosto 30, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
Ser em mutação
Hoje eu não escreveria o texto abaixo...
Ontem queria colo
Hoje quero tato
E amanhã?....
Ontem queria colo
Hoje quero tato
E amanhã?....
quarta-feira, agosto 22, 2007
As inépcias da mediocridade
No fundo do mar existem aquelas cavernas escuras, tomadas de breu. Por elas nadam pequenos peixinhos que são levados até ali por uma luz brilhante e sedutora. A luz conduz esses medíocres seres que se entregam na esperança de alcançar o gozo prometido. Mas quando estão ali, sem saída, o pequeno ponto brilhante da sedução revela o peixe-monstro que o conduz. Preso, o pequeno tenta reagir, mas está encurralado. Morre. Sou o peixinho (de novo).
terça-feira, agosto 21, 2007
Não gosto do bom senso
Eu não gosto de bons modos
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
segunda-feira, agosto 20, 2007
Porque a gente é assim?
A pergunta de Cazuza me fez refletir e soltar ao vento inúmeros porquês. Em vão. Nenhum deles parece capaz de preencher o vazio que aperta o peito. E você? Por quê? Por que não passa como um rio? Tantos erros e acertos e você rompeu meu momento de calmaria que sucedeu tantas atribulações. Gritou no meu silêncio. E por quê? Não sei. Talvez nem seja preciso dizer mais nada. O som do vazio ecoa agora um silêncio ensurdecedor. Na minha madura imaturidade não compreendo. Talvez para você e sua esnobe maturidade seja esse o caminho, o do silêncio. Talvez pense que não há mesmo nada a responder, já me disse isso. Fico calada e com o coração cheio de vazio. Vou escrever para "racionalizar a vida", talvez seja melhor que sentir, afinal sempre que tento termino na tentativa de racionalizar a dor. De todos os porquês, apenas uma certeza... o meu querer.
quinta-feira, agosto 16, 2007
12 páginas sem você
Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção que o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
Preenchi 24 páginas do meu livro da vida, 12 delas ao seu lado, outras 12 contigo apenas na memória e na alma. Mas nunca consegui guiar a caneta sozinha e muitas páginas foram escritas à revelia de minha vontade, apesar de ter lançado as palavras não pude controlar as frases e parágrafos que elas formaram. Sozinha, mergulhei com sede na vida e consegui cavar o meu abismo e diante dele não sei se recuo ou pulo. Em uma dessas páginas adquiri uma mãozinha para guiar, mas me sinto perdida porque sequer encontrei meu caminho. Pareço perdida diante do labirinto do mundo, que é esse moinho ai. Devia ter prestado atenção na letra do Cartola quando tinha apenas 16 anos. Mas agora, só queria te dar um abraço, pai.
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção que o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
Preenchi 24 páginas do meu livro da vida, 12 delas ao seu lado, outras 12 contigo apenas na memória e na alma. Mas nunca consegui guiar a caneta sozinha e muitas páginas foram escritas à revelia de minha vontade, apesar de ter lançado as palavras não pude controlar as frases e parágrafos que elas formaram. Sozinha, mergulhei com sede na vida e consegui cavar o meu abismo e diante dele não sei se recuo ou pulo. Em uma dessas páginas adquiri uma mãozinha para guiar, mas me sinto perdida porque sequer encontrei meu caminho. Pareço perdida diante do labirinto do mundo, que é esse moinho ai. Devia ter prestado atenção na letra do Cartola quando tinha apenas 16 anos. Mas agora, só queria te dar um abraço, pai.
Abismo
Um pouco do grito silencioso da alma, embalado por Cazuza....
-- A luz negra de um destino cruel ilumina um teatro sem cor
Hoje eu to representando o papel do palhaço do amor
Sempre só e a vida vai seguindo assim...
-- A luz negra de um destino cruel ilumina um teatro sem cor
Hoje eu to representando o papel do palhaço do amor
Sempre só e a vida vai seguindo assim...
terça-feira, junho 26, 2007
Um segredinho... quase nada
A sensação que tenho ao escrever aqui é a falsa sensação de privacidade, mas agora encontro proteção ainda na canção de Zeca Baleiro. É linda e afinal, de você, sei quase nada mesmo!
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
domingo, junho 24, 2007
Os melhores dias
Os melhores Dias
Em alguns dias meu corpo atinge o ápice da sensibilidade
Cada extremidade sente mais intensamente os estímulos do mundo
Nesses dias minha alma sente-se contemplada
Meu corpo a entende melhor, a sente quase na totalidade
E compartilha com ela desejos, sonhos, frustrações e prazeres
Gosto desses dias
Meus olhos vêem melhor o mundo e as pessoas
Minha boca sente mais o gosto da vida
Minhas mãos tocam mais lentamente as superfícies aprazíveis
Meus pés parecem conhecer melhor por onde pisam
Minha pele sente mais intensamente as carícias da brisa, do vento, do sol e da lua
E até meus cabelos gozam de uma liberdade diferente
Gosto mais do mundo nesses dias
Lillian Bento
Goiânia, 24 de junho de 2006 - 14h23
Em alguns dias meu corpo atinge o ápice da sensibilidade
Cada extremidade sente mais intensamente os estímulos do mundo
Nesses dias minha alma sente-se contemplada
Meu corpo a entende melhor, a sente quase na totalidade
E compartilha com ela desejos, sonhos, frustrações e prazeres
Gosto desses dias
Meus olhos vêem melhor o mundo e as pessoas
Minha boca sente mais o gosto da vida
Minhas mãos tocam mais lentamente as superfícies aprazíveis
Meus pés parecem conhecer melhor por onde pisam
Minha pele sente mais intensamente as carícias da brisa, do vento, do sol e da lua
E até meus cabelos gozam de uma liberdade diferente
Gosto mais do mundo nesses dias
Lillian Bento
Goiânia, 24 de junho de 2006 - 14h23
segunda-feira, maio 28, 2007
Dos mistérios do humano, ou da Lillian.
Gente parece um ímã estranho. Com algumas pessoas a atração é fatal, com outras ocorre o oposto. Nos últimos dias vivi essa sensação com uma intensidade acentuada. Conheci algumas pessoas, voltei a conviver com outras que não via há tempos, outras me reencontraram sem que eu tivesse vontade, e assim foi. Com duas delas cheguei a me culpar ao pensar o quanto enjôo de alguns hábitos e manias dos outros e quero distância. É estranho admitir isso, mas é assim. Perco a paciência com algumas pessoas, claro que tento ser educada o tempo todo, mas afinidade é afinidade. E tem gente que é melhor que fique longe. E isto é bem difícil porque não dá pra dizer: "ow, dá licença e não me importune mais, simplesmente porque impliquei com sua cara sem motivo!"
Com outras ocorre absolutamente o contrário. Por uma me encantei nos últimos dias, um encantamento de alma, que para mim, é raro de acontecer. Fiquei feliz por isso. A pessoa nem sabe disso, me contento ao pensar que talvez tenha mesmo sentimento bom ao estar comigo. Talvez não. Talvez eu seja para ela, como as duas que me incomodaram e me fizeram perder a paciência. Prefiro pensar que não. Mas ser humano é assim, com alguns a atração é fatal, com outros o contrário!
Com outras ocorre absolutamente o contrário. Por uma me encantei nos últimos dias, um encantamento de alma, que para mim, é raro de acontecer. Fiquei feliz por isso. A pessoa nem sabe disso, me contento ao pensar que talvez tenha mesmo sentimento bom ao estar comigo. Talvez não. Talvez eu seja para ela, como as duas que me incomodaram e me fizeram perder a paciência. Prefiro pensar que não. Mas ser humano é assim, com alguns a atração é fatal, com outros o contrário!
domingo, maio 20, 2007
O gozo sonhado
Não. Apesar do título o que segue abaixo não são os versos de Fernando Pessoa. Sim, a expressão do prazer esperado e por fim (quase) alcançado. Fui tomada hoje por uma gostosa emoção repleta de frio na barriga, como há muito não sentia. Esta será uma longa semana. O sábado está reservado para um encontro com ele. O homem esperado. O artista admirado. Ele: Paulinho Moska. E como esperei por este momento. A última vez em que estive próxima ao meu artista inspirador foi há cerca de quatro anos. De lá pra cá, a paixão pela obra do poeta tomou conta de meu ser e passei a amá-lo ainda mais, de uma forma diferente, intensa e prazerosa. Ouvir os versos por ele compostos, na voz mais agradável que meus ouvidos conheceram é para mim um momento de êxtase. Tenho prazeres múltiplos ao ouvi-lo e aguardo o sábado, como uma garotinha que espera, nervosa, o primeiro beijo.
Consegui marcar uma entrevista para este blog, que é absolutamente inspirado na ação devastadora de Paulinho Moska (e também Fernando Pessoa) na minha alma. Meu ser, meu existir é permeado pela poesia do Moska e espero ser este o momento do eclipse. Momento ímpar e que jamais será esquecido.
Podem perguntar: mas para quê tanta empolgação. E se não der certo? Sei que corro este risco, mas como não esperar com tamanha felicidade um encontro tão desejado? Minha ansiedade é evidente, meus batimentos cardíacos não me deixam mentir quando penso a respeito. E, de fato, minha paixão poética não me permite usar de moderação sentimental agora.
Marina, estaremos juntas em mais este momento sublime de nossas vidas. Isto me alegra ainda mais. Quantos momentos nossos foram embalados pela melodia do Moska. Nada mais justo e maravilhoso o fato de estarmos juntas no show. Lembra: "O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa"? O último dos nossos momentos creitos-moskéticos. (suspiros) Mal posso esperar! (Lillian Bento)
Segue uma música que agora embala meu pensamento.
Da obra do grande Moska:
Assim sem disfarçar
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você,
Assim sem disfarçar,
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente em lugares que eu não quero andar
Eu só quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você
Assim sem disfarçar
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De cada imagem errada que a velha palavra usada nos traz
De tudo que signifique que pra sermos um, temos que ser iguais
Consegui marcar uma entrevista para este blog, que é absolutamente inspirado na ação devastadora de Paulinho Moska (e também Fernando Pessoa) na minha alma. Meu ser, meu existir é permeado pela poesia do Moska e espero ser este o momento do eclipse. Momento ímpar e que jamais será esquecido.
Podem perguntar: mas para quê tanta empolgação. E se não der certo? Sei que corro este risco, mas como não esperar com tamanha felicidade um encontro tão desejado? Minha ansiedade é evidente, meus batimentos cardíacos não me deixam mentir quando penso a respeito. E, de fato, minha paixão poética não me permite usar de moderação sentimental agora.
Marina, estaremos juntas em mais este momento sublime de nossas vidas. Isto me alegra ainda mais. Quantos momentos nossos foram embalados pela melodia do Moska. Nada mais justo e maravilhoso o fato de estarmos juntas no show. Lembra: "O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa"? O último dos nossos momentos creitos-moskéticos. (suspiros) Mal posso esperar! (Lillian Bento)
Segue uma música que agora embala meu pensamento.
Da obra do grande Moska:
Assim sem disfarçar
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você,
Assim sem disfarçar,
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente em lugares que eu não quero andar
Eu só quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você
Assim sem disfarçar
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De cada imagem errada que a velha palavra usada nos traz
De tudo que signifique que pra sermos um, temos que ser iguais
terça-feira, maio 08, 2007
Das ilusões
Engraçada a impressão que temos de que um dia a vida vai melhorar. Bobagem. Talvez ela acabe sem termos experimentado sequer uma gota do sonhado bálsamo da felicidade. E que felicidade? Com que pretensão lutamos por ela? Sem saber ao certo o que seja, passamos a vida a perseguí-la. Quiçá a vida toda será apenas a perseguição. Às vezes, quando me pego a fazer planos, chego a pensar que preciso ter paciência porque daqui a um ou dois anos tudo será melhor. Pelo menos seis anos se passaram desde que pensei com seriedade sobre isso. E onde estou? Dei voltas e me vi no mesmo lugar. Andei ao redor do mesmo e me encontrei novamente perdida. Escrevo a 1h35, depois de passar por uma situação que jurei nunca mais presenciar. Volto a jurar que não voltarei. Conseguirei eu? Consiguirá você? Consiguirá o mundo? (Lillian Bento)
"Cansei de dobrar e dar na mesma esquina. Vou cair até pousar lá em cima." (Moska)
"Cansei de dobrar e dar na mesma esquina. Vou cair até pousar lá em cima." (Moska)
terça-feira, março 20, 2007
domingo, março 11, 2007
As belezas de março
Se é resultado do trânsito de Marte no meu mapa astral devido à proximidade do meu aniversário, não sei. Mas entrei nos últimos dias em uma fase pouco habitual em minha vida: a romântica. Nesta linha passei a pensar sobre o amor na minha vida, tema difícil de relatar a não ser por versos. Materializar sentimentos no papel é mesmo a arte dos poetas, que tantas vezes de coração massacrado celebram a dor e derramam novos poemas de amor. Talvez meu estado à flor da pele seja também resultado da beleza que guarda o mês que nasci. Março é um mês lindo demais. Em um 8 de março de 1914, Fernando Pessoa deu vida a seus heterônimos: Alberto Caeeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. De pé por horas seguidas e escreveu mais de trinta poemas, em um êxtase poético que agora me inspira. Março é também data de recordar e suspirar com lembranças doces e apimentadas de minha vida. Ofereço, assim, versos do querido Ricardo Reis, heterônimo preferido por mim. Poeta de inclinação pagã adepto do carpe diem que sabe aproveitar os momentos da vida com equilíbrio e pureza. "Prazer, mas devagar, Lídia."
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa -
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(Ricardo Reis, 13/06/1930)
E como não poderia deixar de ser:
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis (12/6/1914)
Mas,
As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em nascem,
Esse dia morrem.
A luz para elas é eterna porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há nite antes e após
O pouco que duramos.
(11/07/1914)
Tem mais a ser dito, mais a ser vivido, mais...
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa -
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(Ricardo Reis, 13/06/1930)
E como não poderia deixar de ser:
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis (12/6/1914)
Mas,
As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em nascem,
Esse dia morrem.
A luz para elas é eterna porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há nite antes e após
O pouco que duramos.
(11/07/1914)
Tem mais a ser dito, mais a ser vivido, mais...
sexta-feira, março 02, 2007
sábado, janeiro 13, 2007
Imprensa que eu gamo
A frase sugestiva do título é o nome do bloco carnavalesco formado por jornalistas: O Imprensa que Eu Gamo! O grupo sempre elogiado por ser dos mais animados do carnaval carioca está precisando de Rainha da Bateria. A notícia é do Blog da Juliana Rangel, do Globo Online e como ADORO sambar estou em fase de análise profunda para lançar minha candidatura! :)
No blog a jornalista conta que a atual rainha de bateria, Mirelle de França, está cansada (sintoma típico da prática jornalística) e que não está disposta a encarar os ensaios. O bloco promove também um concurso para escolher o samba-enredo 2007. Os interessados devem enviar email para: alves.ramiro@gmail.com
É importante lembrar que para as duas categorias os candidatos devem ser jornalistas.
É uma ótima oportunidade para os jornalistas de Goiás soltarem o corpo e a voz na avenida e ficarem menos azedos. É claro que a dica não vale para todos.
No blog a jornalista conta que a atual rainha de bateria, Mirelle de França, está cansada (sintoma típico da prática jornalística) e que não está disposta a encarar os ensaios. O bloco promove também um concurso para escolher o samba-enredo 2007. Os interessados devem enviar email para: alves.ramiro@gmail.com
É importante lembrar que para as duas categorias os candidatos devem ser jornalistas.
É uma ótima oportunidade para os jornalistas de Goiás soltarem o corpo e a voz na avenida e ficarem menos azedos. É claro que a dica não vale para todos.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Bigamia profissional
De acordo com a definição do dicionário Houaiss, bigamia é a "realização de novo casamento sem que se tenha dissolvido o anterior". Neste contexto, vivo agora uma bigamia profissional entre o jornalismo político e o jornalismo popular. Na cobertura do processo político, desde a pré-campanha de 2006 até dezembro passado, me apaixonei pela área que é repleta de sedução e interpretações. Todos os dias ao receber ou descobrir uma pauta me sentia instigada a buscar informações e me comprazia na apuração, nas nuances dos bastidores e na montagem dos quebra-cabeças que algumas reportagens exigiam.
Agora de volta à cobertura de Cidades, em especial da educação de crianças e adolescentes, desfruto cada fase do processo de produção da notícia. Tenho prazer desde a criação das pautas e do surgimento de idéias, que de alguma forma contribuem para a sociedade, até o momento da redação. Me sinto realizada ao penetrar nos diversos ambientes sociais, seja a mais suntuosa mansão ou o casebre mais simples que Goiânia e a região abriga. No último dia do ano, por exemplo, me preparava para o réveillon sem grandes reflexões sobre a vida até chegar no jornal e receber a incumbência de ir verificar como seria a virada de ano para as famílias que perderam grande parte dos bens com a enchente que arrasou uma invasão no Jardim Guanabara II, periferia da Capital.
Enquanto entrevistava aquelas pessoas, que apesar de todos os dissabores agradeciam a Deus por estarem vivas, não parava de lembrar do luxo que compõe a realidade da maioria dos políticos que encontrava cotidianamente no jornalismo político. Há uma ligação forte entre as duas áreas, uma precisa da outra. Mas em um balanço a partir da realidade daquelas famílias do Guanabara, a sociedade contribuiu muito mais com os que ocupam o poder com o voto, que o contrário. A situação, principalmente das crianças, me causou um nó na garganta que durou até a hora da virada, e em menor intensidade, ainda está presente.
Recebi a notícia de que uma senhora faria doações para as famílias atingidas e senti meu coração acalmar. Talvez seja apenas um ato de demagogia involuntária, mas de fato fiquei melhor ao saber que de alguma maneira minha matéria contribuiu. Sei que o caminho não é este, prefiro acreditar na concretização de políticas públicas que dê dignidade maior para a população. Sei também que não é este o papel do jornalista, mas não nego que penso sim sobre a situação.
Mas o fato principal é que minha relação de bigamia entre a política e o social permanece. Confesso que o jornalismo político me atrai como vagalume na noite escura. E de outro lado, o social me oferece um prazer apaziguador. Como no Brasil, mesmo que velada a bigamia é aceita, sigo assim sem pressa de escolher o melhor casamento.
Por Lillian Bento
Agora de volta à cobertura de Cidades, em especial da educação de crianças e adolescentes, desfruto cada fase do processo de produção da notícia. Tenho prazer desde a criação das pautas e do surgimento de idéias, que de alguma forma contribuem para a sociedade, até o momento da redação. Me sinto realizada ao penetrar nos diversos ambientes sociais, seja a mais suntuosa mansão ou o casebre mais simples que Goiânia e a região abriga. No último dia do ano, por exemplo, me preparava para o réveillon sem grandes reflexões sobre a vida até chegar no jornal e receber a incumbência de ir verificar como seria a virada de ano para as famílias que perderam grande parte dos bens com a enchente que arrasou uma invasão no Jardim Guanabara II, periferia da Capital.
Enquanto entrevistava aquelas pessoas, que apesar de todos os dissabores agradeciam a Deus por estarem vivas, não parava de lembrar do luxo que compõe a realidade da maioria dos políticos que encontrava cotidianamente no jornalismo político. Há uma ligação forte entre as duas áreas, uma precisa da outra. Mas em um balanço a partir da realidade daquelas famílias do Guanabara, a sociedade contribuiu muito mais com os que ocupam o poder com o voto, que o contrário. A situação, principalmente das crianças, me causou um nó na garganta que durou até a hora da virada, e em menor intensidade, ainda está presente.
Recebi a notícia de que uma senhora faria doações para as famílias atingidas e senti meu coração acalmar. Talvez seja apenas um ato de demagogia involuntária, mas de fato fiquei melhor ao saber que de alguma maneira minha matéria contribuiu. Sei que o caminho não é este, prefiro acreditar na concretização de políticas públicas que dê dignidade maior para a população. Sei também que não é este o papel do jornalista, mas não nego que penso sim sobre a situação.
Mas o fato principal é que minha relação de bigamia entre a política e o social permanece. Confesso que o jornalismo político me atrai como vagalume na noite escura. E de outro lado, o social me oferece um prazer apaziguador. Como no Brasil, mesmo que velada a bigamia é aceita, sigo assim sem pressa de escolher o melhor casamento.
Por Lillian Bento
quinta-feira, dezembro 21, 2006
O vazio dos últimos dias de dezembro
Todos os dezembros que vieram depois de meus 20 anos são iguais: melacólicos. Assim como em aniversários fico tomada de nostalgia e passo a refletir sobre o que vale ou não à pena na vida. Me entristeço com o balanço quase sempre negativo de ter dedicado a maior parte do meu tempo à coisas, pessoas e situações que seriam melhor se não existissem. Me irrito também com o impulso consumista que toma as pessoas e, o pior, reconheço que tenho esse defeito, mas em outras épocas do ano. No 12º mês não gosto de ir à centros comerciais, shoppings, então, detesto. Me sinto incomodada ao tentar entender o tal significado do natal, se formos adotar a definição cristã, sou obrigada a concluir que a maioria das pessoas são hípócritas quanto à festa.
Além do comportamento alheio, me incomoda o meu próprio. Tenho uma mania, quase uma compulsão, por analisar quem sou, para que estou e a que vim. Adianta? Não. Sempre conclusão de que não somos mais que uma piada de Deus, como bem definiu meu amado Paulinho Moska. Então porque algumas pessoas agem como se fossem mais que isso? Neste final de ano, em especial, carrego uma decepção acentuada com o ser humano e as razões que motivam o agir das pessoas. Situações me levaram à desilusão com outros seres e comigo também.
Gostaria de me tornar uma narradora-observadora da vida no período que vai de 15 de dezembro a 1º de janeiro. Enxergar o mundo sem me sentir inserida neste processo de final de ano, que sem maiores explicações que as acima, me incomoda.
Além do comportamento alheio, me incomoda o meu próprio. Tenho uma mania, quase uma compulsão, por analisar quem sou, para que estou e a que vim. Adianta? Não. Sempre conclusão de que não somos mais que uma piada de Deus, como bem definiu meu amado Paulinho Moska. Então porque algumas pessoas agem como se fossem mais que isso? Neste final de ano, em especial, carrego uma decepção acentuada com o ser humano e as razões que motivam o agir das pessoas. Situações me levaram à desilusão com outros seres e comigo também.
Gostaria de me tornar uma narradora-observadora da vida no período que vai de 15 de dezembro a 1º de janeiro. Enxergar o mundo sem me sentir inserida neste processo de final de ano, que sem maiores explicações que as acima, me incomoda.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Dos colores: Blanco y negro
Nuestra primera intención
era hacerlo en colores
una acuerela que hablara
de nuestros amores
Un colibri policromo
parado en el viento
una canción arco iris
durando en el tiempo
El director de la banda
silbando bajito
pensaba azules y rojos
para el valsecito
Pero ustedes saben señores
muy bien como es esto
no nos falló la intención
pero si el presupuesto
El blanco y negro
esta canción
quedó en blanco y negro
con el corazón
en el blanco y negro
nieve y carbón
en blanco y negro
en technicolor
pero en blanco y negro
Fuimos quitando primero
de nuestra paleta
una mirada turquesa
de marco violeta
Luego el carmín de las flores
encima del piano
una caída de sol
cuando empieza el verano
(Jorge Drexler)
era hacerlo en colores
una acuerela que hablara
de nuestros amores
Un colibri policromo
parado en el viento
una canción arco iris
durando en el tiempo
El director de la banda
silbando bajito
pensaba azules y rojos
para el valsecito
Pero ustedes saben señores
muy bien como es esto
no nos falló la intención
pero si el presupuesto
El blanco y negro
esta canción
quedó en blanco y negro
con el corazón
en el blanco y negro
nieve y carbón
en blanco y negro
en technicolor
pero en blanco y negro
Fuimos quitando primero
de nuestra paleta
una mirada turquesa
de marco violeta
Luego el carmín de las flores
encima del piano
una caída de sol
cuando empieza el verano
(Jorge Drexler)
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Não somos mais que uma gota de luz
Gente, tanto tempo sem postar aqui e tantas acontecimentos movimentaram minha vida. Primeiro fiquei sem escrever porque estava em meio à turbulência da cobertura de política nas eleições, depois o pós-eleitoral, sucessão na Assembléia Legislativa e Câmara de Vereadores. Chegava em casa super tarde, pregada, sem a menor possibilidade de encarar outro computador para escrever neste espaço. Mas agora o faço em meio a uma turbulência de sentimentos que me fizeram pensar o quanto as situações são vulneráveis. Como tudo muda e quando percebemos a configuração é outra.
As mudanças que invadiram minha vida nos últimos dias foram no trabalho. No começo fiquei um tanto chateada e tal. Depois percebi que "tudo se compõe e se decompõe", como ensina o meu mestre Paulinho Moska! Mas é verdade, as mudanças são tantas que é bobagem acreditarmos que tal ou qual espaço é nosso. Fui repórter de Cidades, área pela qual tenho absoluto tesão, adoro porque abre espaço para grandes reportagens. Sai. Depois fui para Política, área em que aprendi muito, principalmente na apuração e na arte de escrever com agilidade, e que me apaixonei também. Mas agora mudei de novo e assim será sempre na vida.
A Marina Mercante (minha super amiga que amo) sempre me diz: Calma, tudo se encaixa e temos uma incrível capacidade de superar, de nos adaptarmos. Verdade, Ma. E o Moska diria:
Calma, tudo está em calma
Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure.
E como não podia deixar de ser, a vida não pede licença e muito menos desculpa e o perdão é que possibilita o nascimento da culpa.
Sei que este texto ficou confuso. É que abriga a confusão de idéias que está agora em minha cabeça. O certo é que não somos mais que uma gota de luz, uma fagulha tão só na idade do céu.
As mudanças que invadiram minha vida nos últimos dias foram no trabalho. No começo fiquei um tanto chateada e tal. Depois percebi que "tudo se compõe e se decompõe", como ensina o meu mestre Paulinho Moska! Mas é verdade, as mudanças são tantas que é bobagem acreditarmos que tal ou qual espaço é nosso. Fui repórter de Cidades, área pela qual tenho absoluto tesão, adoro porque abre espaço para grandes reportagens. Sai. Depois fui para Política, área em que aprendi muito, principalmente na apuração e na arte de escrever com agilidade, e que me apaixonei também. Mas agora mudei de novo e assim será sempre na vida.
A Marina Mercante (minha super amiga que amo) sempre me diz: Calma, tudo se encaixa e temos uma incrível capacidade de superar, de nos adaptarmos. Verdade, Ma. E o Moska diria:
Calma, tudo está em calma
Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure.
E como não podia deixar de ser, a vida não pede licença e muito menos desculpa e o perdão é que possibilita o nascimento da culpa.
Sei que este texto ficou confuso. É que abriga a confusão de idéias que está agora em minha cabeça. O certo é que não somos mais que uma gota de luz, uma fagulha tão só na idade do céu.
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