Muita gente tem me dito, desde o último mês, que estou estranha e arredia. E cada um que me fala pensa que é problema pessoal e com ele. Não é. Acho que estou mesmo (estranha). Não posso evitar minhas fases instrospectivas. Elas chegam, invadem, arrombam e se instalam (temporariamente) em mim.
É minha a mania de pensar demais sobre a vida, sua efemeridade e o que tenho feito com ela. Estranho. Sou capaz de esquecer tudo isso (momentaneamente) em festinhas e reuniões regadas a cerveja e rock'n'roll. Mas diante do meu computador, do meu travesseiro, diante do espelho, volto à minha introspecção.
Nessa fase tenho uma vontade de dormir, que não é comum, menos vontade de conversar, o que é mais estranho ainda, e uma série de comportamentos que (eu sei) superficialmente parecem não combinar comigo. Na verdade nem sei porque resolvi escrever isso, talvez para dizer aos que me disseram "você está estranha comigo" que não é bem assim. O Moska entende (hehehehe) abaixo mais uma letra perfeita para o momento. Linda!
Eu vim andando, vagando, vagabundeando
Pelas ruas da cidade
Eu vim chorando, sorrindo, não quero entender
O porque dessa dor que me invade
Certas manhãs ou à tarde
Todas as noites ela vem e me arde
Na madrugada de sol desse quarto de hotel
Nada de beleza nua,
Só a solidão tão crua
De deslizar minhas palavras tão tristes nesse papel
Subo no último andar do edifício mais alto
Sei que preciso voar, mas é difícil dar o salto
Chego até a contemplar a infinita paisagem
Mas meus pensamentos me lembram que é outra viagem
Pois olhando de cima, pensava no chão
(Talvez visitar a tal exposição...)
É... eu já disse à vocês, essa dor sempre me ataca
Pois é... dessa vez aconteceu, por acaso, em Osaka.
(Por Acaso em Osaka. Moska, 1999)
sexta-feira, setembro 21, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
Quanta saudade!

Uma foto me fez recordar. Tive saudades do tempo em que minha vida era um livro aberto de fato. Não havia o que esconder, o que ocultar. Agora preciso de cadeado, preciso da omissão. As páginas escritas já não agradam algumas pessoas que amo, então fechei-me. Mas não gosto destas armas. Iniciei um momento minimalista e me esforço para reduzir o que não pode ser lido. Mas não é mais possível ser tão minimalista quanto antes, na época desta foto, por exemplo.Eu (de biquini azul ao centro) com a cabeça repleta de fantasias e esperanças, a maioria já desfeitas. Saudades, nostalgia e tristeza por saber que muito disso ai existe mais. A Chapada dos Guimarães continua lá no Mato Grosso, mas a água desta cachoeira já se foi, as almas dessas pessoas já foram modificadas, as folhas dessas árvores já cairam. E eu transformei-me em um livro com cadeado.
quarta-feira, setembro 05, 2007
Eu
Um barco sem porto,
Sem rumo,
Sem vela,
Cavalo sem sela,
Um bicho solto,
Um cão sem dono,
Um menino,
Um bandido,
Às vezes me preservo noutras suicido.
Sem rumo,
Sem vela,
Cavalo sem sela,
Um bicho solto,
Um cão sem dono,
Um menino,
Um bandido,
Às vezes me preservo noutras suicido.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Fora de lugar
Coloquei um vestido romântico para assistir a uma peça teatral com textos do meu querido Fernando Pessoa. Seria uma ocasião especial e minha roupa precisava impulsionar meus sentimentos de Lídia (a de Ricardo Reis). Mas, qual não foi minha surpresa ao perceber que a apresentação havia acabado sem que os atores houvessem recitado - em nenhum momento - os versos em que Ricardo Reis canta a amante Lídia. Saí do teatro frustrada. A Ana Rita, que me acompanhava, não sentiu tesão em momento algum, disse. Mas eu não, eu fiquei no 'quase' o tempo todo. Só não gozei no final. Frustração. Definitivamente, a sensação que tive é de estar fora de lugar.
Mas o melhor e mais deslocado dos acontecimentos estaria por vir.
Saímos do teatro, fomos comer e decidimos ir a um festival de rock alternativo no Martim Cererê. Lá, como sempre, encontrei diversos amigos. Muitas conversas legais, fúteis, inúteis, úteis, engraçadas, nem tanto... Mas de repente vejo um amigo que não costuma figurar neste tipo de cenário com freqüência. O querido Alexandre Bittencourt - o Xandão. Conversamos não sei quanto tempo, horas seguidas. Entre fumaças e goles de cerveja a conversa seguia.
Ao fundo uma banda qualquer - não me lembro e sinceramente não assisti a nenhum dos shows - tocava o punk rock de Ramones. Na nossa frente uma mulher fazia exibições de supensão humana pendurada com dois ganchos pela perna, sangrava e balançava o corpo de cabeça para baixo na mangueira do Martim Cererê. Em volta a fumaça, o cinza, o negro e adolescentes para lá e para cá com cabelos roxos, rosas, azuis...
De repente, o Xandão começa a contar histórias dos bailes de forró que ele costuma freqüentar aos sábados e sobre as tias com falhas no dente que já encontrou por lá. "É lindo ver a simplicidade estampada em um sorriso que mesmo faltando dois dentes expressa a alegria de estar ali no forró depois de um dia de trabalho e dificuldades", contava. Tudo bem. Não via tanta beleza assim, mas ele me lembrava do "sangue povão" que corre nas veias dele. E eu concordo, também gosto da proximidade com esse tipo de simplicidade e havia sinceridade nas situações que ele descrevia, isso era legal. Falamos muito sobre forró e até combinamos de ir um dia dançar, afinal eu também adoro.
De repente a ponderação. "Se alguém aqui ouvir nossa conversa vai reprimir com certeza, a maioria do povo aquie é preconceituosa", disse ele. Voltei os olhos para o cenário. Agora um homem continuava o show de suspensão humana pendurado sem camisa por dois ganchos - semelhantes àqueles de açougue - nas costas. "Tem razão, com tanto discurso de respeito às diferenças a maioria esconde preconceitos mesmo", respondi. Mas é o preço de ser minoria e no caso ali, nós erámos. Como disse a ele, um jornalista, jovem que freqüenta forrós não é tão comum, aliás é (in)comum.
Mas a conversa estava boa. "Quer saber, vamos continuar." E foi como se nós fôssemos verdes em meio a uma multidão de pessoas roxas, ou estivéssemos com roupas de praia no Pólo Norte, ou como se comessémos carne bovina em Uttaranchal, no Norte da Índia. Mas essa foi a viagem. "Vou escrever um texto sobre isso", avisei. "Escreve mesmo". "Quer uma cerveja?". "Quero".
Mas o melhor e mais deslocado dos acontecimentos estaria por vir.
Saímos do teatro, fomos comer e decidimos ir a um festival de rock alternativo no Martim Cererê. Lá, como sempre, encontrei diversos amigos. Muitas conversas legais, fúteis, inúteis, úteis, engraçadas, nem tanto... Mas de repente vejo um amigo que não costuma figurar neste tipo de cenário com freqüência. O querido Alexandre Bittencourt - o Xandão. Conversamos não sei quanto tempo, horas seguidas. Entre fumaças e goles de cerveja a conversa seguia.
Ao fundo uma banda qualquer - não me lembro e sinceramente não assisti a nenhum dos shows - tocava o punk rock de Ramones. Na nossa frente uma mulher fazia exibições de supensão humana pendurada com dois ganchos pela perna, sangrava e balançava o corpo de cabeça para baixo na mangueira do Martim Cererê. Em volta a fumaça, o cinza, o negro e adolescentes para lá e para cá com cabelos roxos, rosas, azuis...
De repente, o Xandão começa a contar histórias dos bailes de forró que ele costuma freqüentar aos sábados e sobre as tias com falhas no dente que já encontrou por lá. "É lindo ver a simplicidade estampada em um sorriso que mesmo faltando dois dentes expressa a alegria de estar ali no forró depois de um dia de trabalho e dificuldades", contava. Tudo bem. Não via tanta beleza assim, mas ele me lembrava do "sangue povão" que corre nas veias dele. E eu concordo, também gosto da proximidade com esse tipo de simplicidade e havia sinceridade nas situações que ele descrevia, isso era legal. Falamos muito sobre forró e até combinamos de ir um dia dançar, afinal eu também adoro.
De repente a ponderação. "Se alguém aqui ouvir nossa conversa vai reprimir com certeza, a maioria do povo aquie é preconceituosa", disse ele. Voltei os olhos para o cenário. Agora um homem continuava o show de suspensão humana pendurado sem camisa por dois ganchos - semelhantes àqueles de açougue - nas costas. "Tem razão, com tanto discurso de respeito às diferenças a maioria esconde preconceitos mesmo", respondi. Mas é o preço de ser minoria e no caso ali, nós erámos. Como disse a ele, um jornalista, jovem que freqüenta forrós não é tão comum, aliás é (in)comum.
Mas a conversa estava boa. "Quer saber, vamos continuar." E foi como se nós fôssemos verdes em meio a uma multidão de pessoas roxas, ou estivéssemos com roupas de praia no Pólo Norte, ou como se comessémos carne bovina em Uttaranchal, no Norte da Índia. Mas essa foi a viagem. "Vou escrever um texto sobre isso", avisei. "Escreve mesmo". "Quer uma cerveja?". "Quero".
domingo, setembro 02, 2007
Novo de novo... (fragmentos)
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
(...)
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
(...)
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
quinta-feira, agosto 30, 2007
O mundo não merece...
Sinceramente, o mundo não merece um ser tão estranho quanto eu. Eu mesma olho e não entendo a intensidade de minhas alterações de humor. Hoje estive com um péssimo humor e uma raiva gratuita de detalhes. Esqueci completamente o significado da palavra paciência e segui para minhas tarefas cotidianas. Como posso me irritar tanto com o mínimo?
Passei o dia sem querer cumprimentar as pessoas. Claro que o fazia. Afinal o mundo não compreende e muito menos respeita meu mau humor. Mas não conseguia entender porque todo mundo que me falava 'oi' tinha a iniciativa de inventar um assunto que me obrigava a permanecer mais um pouquinho ali em um pseudo-diálogo. Prestei atenção em pouca coisa hoje, para dizer a verdade quase nada. Estritamente ouvi o que me interessou. Não atendi a maioria das ligações. Simplesmente decidi que não queria diálogos hoje. Nem sempre é possível, algumas pessoas é preciso atender, mas evitei o que pude. Com muita gente que conversei não lembro o assunto, mas sei que tudo me irritava. O jeito de falar, o cheiro das coisas, as manias, tocar em mim enquanto falam - coisa que sempre me irritou, aff...
Parece atitude de 'velha'? Muita gente já me disse isso. Que seja. Liguei o "foda-se" hoje desde a hora que acordei até agora - madrugada - enquanto aqui escrevo. A sorte das pessoas que me cercam é que nesses dias ganham mais com o meu silêncio. Quem não conhece pode estranhar, mas quem consegue "me ler" - como diz um amigo- no mínimo, acostumou-se. Vou dormir...
Passei o dia sem querer cumprimentar as pessoas. Claro que o fazia. Afinal o mundo não compreende e muito menos respeita meu mau humor. Mas não conseguia entender porque todo mundo que me falava 'oi' tinha a iniciativa de inventar um assunto que me obrigava a permanecer mais um pouquinho ali em um pseudo-diálogo. Prestei atenção em pouca coisa hoje, para dizer a verdade quase nada. Estritamente ouvi o que me interessou. Não atendi a maioria das ligações. Simplesmente decidi que não queria diálogos hoje. Nem sempre é possível, algumas pessoas é preciso atender, mas evitei o que pude. Com muita gente que conversei não lembro o assunto, mas sei que tudo me irritava. O jeito de falar, o cheiro das coisas, as manias, tocar em mim enquanto falam - coisa que sempre me irritou, aff...
Parece atitude de 'velha'? Muita gente já me disse isso. Que seja. Liguei o "foda-se" hoje desde a hora que acordei até agora - madrugada - enquanto aqui escrevo. A sorte das pessoas que me cercam é que nesses dias ganham mais com o meu silêncio. Quem não conhece pode estranhar, mas quem consegue "me ler" - como diz um amigo- no mínimo, acostumou-se. Vou dormir...
quinta-feira, agosto 23, 2007
Ser em mutação
Hoje eu não escreveria o texto abaixo...
Ontem queria colo
Hoje quero tato
E amanhã?....
Ontem queria colo
Hoje quero tato
E amanhã?....
quarta-feira, agosto 22, 2007
As inépcias da mediocridade
No fundo do mar existem aquelas cavernas escuras, tomadas de breu. Por elas nadam pequenos peixinhos que são levados até ali por uma luz brilhante e sedutora. A luz conduz esses medíocres seres que se entregam na esperança de alcançar o gozo prometido. Mas quando estão ali, sem saída, o pequeno ponto brilhante da sedução revela o peixe-monstro que o conduz. Preso, o pequeno tenta reagir, mas está encurralado. Morre. Sou o peixinho (de novo).
terça-feira, agosto 21, 2007
Não gosto do bom senso
Eu não gosto de bons modos
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
segunda-feira, agosto 20, 2007
Porque a gente é assim?
A pergunta de Cazuza me fez refletir e soltar ao vento inúmeros porquês. Em vão. Nenhum deles parece capaz de preencher o vazio que aperta o peito. E você? Por quê? Por que não passa como um rio? Tantos erros e acertos e você rompeu meu momento de calmaria que sucedeu tantas atribulações. Gritou no meu silêncio. E por quê? Não sei. Talvez nem seja preciso dizer mais nada. O som do vazio ecoa agora um silêncio ensurdecedor. Na minha madura imaturidade não compreendo. Talvez para você e sua esnobe maturidade seja esse o caminho, o do silêncio. Talvez pense que não há mesmo nada a responder, já me disse isso. Fico calada e com o coração cheio de vazio. Vou escrever para "racionalizar a vida", talvez seja melhor que sentir, afinal sempre que tento termino na tentativa de racionalizar a dor. De todos os porquês, apenas uma certeza... o meu querer.
quinta-feira, agosto 16, 2007
12 páginas sem você
Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção que o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
Preenchi 24 páginas do meu livro da vida, 12 delas ao seu lado, outras 12 contigo apenas na memória e na alma. Mas nunca consegui guiar a caneta sozinha e muitas páginas foram escritas à revelia de minha vontade, apesar de ter lançado as palavras não pude controlar as frases e parágrafos que elas formaram. Sozinha, mergulhei com sede na vida e consegui cavar o meu abismo e diante dele não sei se recuo ou pulo. Em uma dessas páginas adquiri uma mãozinha para guiar, mas me sinto perdida porque sequer encontrei meu caminho. Pareço perdida diante do labirinto do mundo, que é esse moinho ai. Devia ter prestado atenção na letra do Cartola quando tinha apenas 16 anos. Mas agora, só queria te dar um abraço, pai.
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção que o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
Preenchi 24 páginas do meu livro da vida, 12 delas ao seu lado, outras 12 contigo apenas na memória e na alma. Mas nunca consegui guiar a caneta sozinha e muitas páginas foram escritas à revelia de minha vontade, apesar de ter lançado as palavras não pude controlar as frases e parágrafos que elas formaram. Sozinha, mergulhei com sede na vida e consegui cavar o meu abismo e diante dele não sei se recuo ou pulo. Em uma dessas páginas adquiri uma mãozinha para guiar, mas me sinto perdida porque sequer encontrei meu caminho. Pareço perdida diante do labirinto do mundo, que é esse moinho ai. Devia ter prestado atenção na letra do Cartola quando tinha apenas 16 anos. Mas agora, só queria te dar um abraço, pai.
Abismo
Um pouco do grito silencioso da alma, embalado por Cazuza....
-- A luz negra de um destino cruel ilumina um teatro sem cor
Hoje eu to representando o papel do palhaço do amor
Sempre só e a vida vai seguindo assim...
-- A luz negra de um destino cruel ilumina um teatro sem cor
Hoje eu to representando o papel do palhaço do amor
Sempre só e a vida vai seguindo assim...
terça-feira, junho 26, 2007
Um segredinho... quase nada
A sensação que tenho ao escrever aqui é a falsa sensação de privacidade, mas agora encontro proteção ainda na canção de Zeca Baleiro. É linda e afinal, de você, sei quase nada mesmo!
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
domingo, junho 24, 2007
Os melhores dias
Os melhores Dias
Em alguns dias meu corpo atinge o ápice da sensibilidade
Cada extremidade sente mais intensamente os estímulos do mundo
Nesses dias minha alma sente-se contemplada
Meu corpo a entende melhor, a sente quase na totalidade
E compartilha com ela desejos, sonhos, frustrações e prazeres
Gosto desses dias
Meus olhos vêem melhor o mundo e as pessoas
Minha boca sente mais o gosto da vida
Minhas mãos tocam mais lentamente as superfícies aprazíveis
Meus pés parecem conhecer melhor por onde pisam
Minha pele sente mais intensamente as carícias da brisa, do vento, do sol e da lua
E até meus cabelos gozam de uma liberdade diferente
Gosto mais do mundo nesses dias
Lillian Bento
Goiânia, 24 de junho de 2006 - 14h23
Em alguns dias meu corpo atinge o ápice da sensibilidade
Cada extremidade sente mais intensamente os estímulos do mundo
Nesses dias minha alma sente-se contemplada
Meu corpo a entende melhor, a sente quase na totalidade
E compartilha com ela desejos, sonhos, frustrações e prazeres
Gosto desses dias
Meus olhos vêem melhor o mundo e as pessoas
Minha boca sente mais o gosto da vida
Minhas mãos tocam mais lentamente as superfícies aprazíveis
Meus pés parecem conhecer melhor por onde pisam
Minha pele sente mais intensamente as carícias da brisa, do vento, do sol e da lua
E até meus cabelos gozam de uma liberdade diferente
Gosto mais do mundo nesses dias
Lillian Bento
Goiânia, 24 de junho de 2006 - 14h23
segunda-feira, maio 28, 2007
Dos mistérios do humano, ou da Lillian.
Gente parece um ímã estranho. Com algumas pessoas a atração é fatal, com outras ocorre o oposto. Nos últimos dias vivi essa sensação com uma intensidade acentuada. Conheci algumas pessoas, voltei a conviver com outras que não via há tempos, outras me reencontraram sem que eu tivesse vontade, e assim foi. Com duas delas cheguei a me culpar ao pensar o quanto enjôo de alguns hábitos e manias dos outros e quero distância. É estranho admitir isso, mas é assim. Perco a paciência com algumas pessoas, claro que tento ser educada o tempo todo, mas afinidade é afinidade. E tem gente que é melhor que fique longe. E isto é bem difícil porque não dá pra dizer: "ow, dá licença e não me importune mais, simplesmente porque impliquei com sua cara sem motivo!"
Com outras ocorre absolutamente o contrário. Por uma me encantei nos últimos dias, um encantamento de alma, que para mim, é raro de acontecer. Fiquei feliz por isso. A pessoa nem sabe disso, me contento ao pensar que talvez tenha mesmo sentimento bom ao estar comigo. Talvez não. Talvez eu seja para ela, como as duas que me incomodaram e me fizeram perder a paciência. Prefiro pensar que não. Mas ser humano é assim, com alguns a atração é fatal, com outros o contrário!
Com outras ocorre absolutamente o contrário. Por uma me encantei nos últimos dias, um encantamento de alma, que para mim, é raro de acontecer. Fiquei feliz por isso. A pessoa nem sabe disso, me contento ao pensar que talvez tenha mesmo sentimento bom ao estar comigo. Talvez não. Talvez eu seja para ela, como as duas que me incomodaram e me fizeram perder a paciência. Prefiro pensar que não. Mas ser humano é assim, com alguns a atração é fatal, com outros o contrário!
domingo, maio 20, 2007
O gozo sonhado
Não. Apesar do título o que segue abaixo não são os versos de Fernando Pessoa. Sim, a expressão do prazer esperado e por fim (quase) alcançado. Fui tomada hoje por uma gostosa emoção repleta de frio na barriga, como há muito não sentia. Esta será uma longa semana. O sábado está reservado para um encontro com ele. O homem esperado. O artista admirado. Ele: Paulinho Moska. E como esperei por este momento. A última vez em que estive próxima ao meu artista inspirador foi há cerca de quatro anos. De lá pra cá, a paixão pela obra do poeta tomou conta de meu ser e passei a amá-lo ainda mais, de uma forma diferente, intensa e prazerosa. Ouvir os versos por ele compostos, na voz mais agradável que meus ouvidos conheceram é para mim um momento de êxtase. Tenho prazeres múltiplos ao ouvi-lo e aguardo o sábado, como uma garotinha que espera, nervosa, o primeiro beijo.
Consegui marcar uma entrevista para este blog, que é absolutamente inspirado na ação devastadora de Paulinho Moska (e também Fernando Pessoa) na minha alma. Meu ser, meu existir é permeado pela poesia do Moska e espero ser este o momento do eclipse. Momento ímpar e que jamais será esquecido.
Podem perguntar: mas para quê tanta empolgação. E se não der certo? Sei que corro este risco, mas como não esperar com tamanha felicidade um encontro tão desejado? Minha ansiedade é evidente, meus batimentos cardíacos não me deixam mentir quando penso a respeito. E, de fato, minha paixão poética não me permite usar de moderação sentimental agora.
Marina, estaremos juntas em mais este momento sublime de nossas vidas. Isto me alegra ainda mais. Quantos momentos nossos foram embalados pela melodia do Moska. Nada mais justo e maravilhoso o fato de estarmos juntas no show. Lembra: "O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa"? O último dos nossos momentos creitos-moskéticos. (suspiros) Mal posso esperar! (Lillian Bento)
Segue uma música que agora embala meu pensamento.
Da obra do grande Moska:
Assim sem disfarçar
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você,
Assim sem disfarçar,
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente em lugares que eu não quero andar
Eu só quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você
Assim sem disfarçar
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De cada imagem errada que a velha palavra usada nos traz
De tudo que signifique que pra sermos um, temos que ser iguais
Consegui marcar uma entrevista para este blog, que é absolutamente inspirado na ação devastadora de Paulinho Moska (e também Fernando Pessoa) na minha alma. Meu ser, meu existir é permeado pela poesia do Moska e espero ser este o momento do eclipse. Momento ímpar e que jamais será esquecido.
Podem perguntar: mas para quê tanta empolgação. E se não der certo? Sei que corro este risco, mas como não esperar com tamanha felicidade um encontro tão desejado? Minha ansiedade é evidente, meus batimentos cardíacos não me deixam mentir quando penso a respeito. E, de fato, minha paixão poética não me permite usar de moderação sentimental agora.
Marina, estaremos juntas em mais este momento sublime de nossas vidas. Isto me alegra ainda mais. Quantos momentos nossos foram embalados pela melodia do Moska. Nada mais justo e maravilhoso o fato de estarmos juntas no show. Lembra: "O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa"? O último dos nossos momentos creitos-moskéticos. (suspiros) Mal posso esperar! (Lillian Bento)
Segue uma música que agora embala meu pensamento.
Da obra do grande Moska:
Assim sem disfarçar
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você,
Assim sem disfarçar,
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente em lugares que eu não quero andar
Eu só quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você
Assim sem disfarçar
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De cada imagem errada que a velha palavra usada nos traz
De tudo que signifique que pra sermos um, temos que ser iguais
terça-feira, maio 08, 2007
Das ilusões
Engraçada a impressão que temos de que um dia a vida vai melhorar. Bobagem. Talvez ela acabe sem termos experimentado sequer uma gota do sonhado bálsamo da felicidade. E que felicidade? Com que pretensão lutamos por ela? Sem saber ao certo o que seja, passamos a vida a perseguí-la. Quiçá a vida toda será apenas a perseguição. Às vezes, quando me pego a fazer planos, chego a pensar que preciso ter paciência porque daqui a um ou dois anos tudo será melhor. Pelo menos seis anos se passaram desde que pensei com seriedade sobre isso. E onde estou? Dei voltas e me vi no mesmo lugar. Andei ao redor do mesmo e me encontrei novamente perdida. Escrevo a 1h35, depois de passar por uma situação que jurei nunca mais presenciar. Volto a jurar que não voltarei. Conseguirei eu? Consiguirá você? Consiguirá o mundo? (Lillian Bento)
"Cansei de dobrar e dar na mesma esquina. Vou cair até pousar lá em cima." (Moska)
"Cansei de dobrar e dar na mesma esquina. Vou cair até pousar lá em cima." (Moska)
terça-feira, março 20, 2007
domingo, março 11, 2007
As belezas de março
Se é resultado do trânsito de Marte no meu mapa astral devido à proximidade do meu aniversário, não sei. Mas entrei nos últimos dias em uma fase pouco habitual em minha vida: a romântica. Nesta linha passei a pensar sobre o amor na minha vida, tema difícil de relatar a não ser por versos. Materializar sentimentos no papel é mesmo a arte dos poetas, que tantas vezes de coração massacrado celebram a dor e derramam novos poemas de amor. Talvez meu estado à flor da pele seja também resultado da beleza que guarda o mês que nasci. Março é um mês lindo demais. Em um 8 de março de 1914, Fernando Pessoa deu vida a seus heterônimos: Alberto Caeeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. De pé por horas seguidas e escreveu mais de trinta poemas, em um êxtase poético que agora me inspira. Março é também data de recordar e suspirar com lembranças doces e apimentadas de minha vida. Ofereço, assim, versos do querido Ricardo Reis, heterônimo preferido por mim. Poeta de inclinação pagã adepto do carpe diem que sabe aproveitar os momentos da vida com equilíbrio e pureza. "Prazer, mas devagar, Lídia."
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa -
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(Ricardo Reis, 13/06/1930)
E como não poderia deixar de ser:
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis (12/6/1914)
Mas,
As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em nascem,
Esse dia morrem.
A luz para elas é eterna porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há nite antes e após
O pouco que duramos.
(11/07/1914)
Tem mais a ser dito, mais a ser vivido, mais...
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa -
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(Ricardo Reis, 13/06/1930)
E como não poderia deixar de ser:
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis (12/6/1914)
Mas,
As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em nascem,
Esse dia morrem.
A luz para elas é eterna porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há nite antes e após
O pouco que duramos.
(11/07/1914)
Tem mais a ser dito, mais a ser vivido, mais...
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