To sentindo falta de mim
Olho na cidade e não me vejo
Olho no espelho e não me encontro
Olhos estranhos me contemplam
Olhos distantes me observam
E eu desvio os olhos,
Fecho os olhos
E é neste momento que me vejo
Me vejo distante
Me vejo além
Me vejo inquieta
Me vejo triste
Me vejo alegre
Me vejo longe...
Longe desta imagem que agora contemplo no espelho.
Miro meu olhar que agora chora...
Continuo a me procurar
Lillian
(31.05.2010)
segunda-feira, maio 31, 2010
sábado, maio 29, 2010
"Meu cravo pessoal de defunto"
As árvores dos bosques, muros e paredes. Superfícies escolhidas pelos apaixonados para grafar nomes e declarar amores.
Por aí já vi coisas como:
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido(...)"
João e Maria...
Ricardão, meu amorzão...
Rodriguinho, meu amorzinho...
Victor, sem você não vivo...
Rômulo e Tarcísio...
Juvêncio e Clementina...
E tantas outras declarações de amor que me lembram os versos de Carlos Drummond de Andrade:
"Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo- pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte. "
Morte essa iminente a quase todos esses amores solidificados em superfícies tão efêmeras quanto algumas dessas histórias de amor. Estaria a Maria ainda apaixonada pelo João? O Ricardão seria ainda o amorzão da anônima que feriu a inocente árvore para bravar sua paixão?
Superfícies. Superficiais. Eternos e efêmeros...
Eu, eu prefiro não usar as superfícies. Até devo ter feito isso na adolescência em algum caderninho, mas confesso ter esquecido. Prefiro não registar versos baseados em um pseudo ideal de felicidade e frases feitas.
Acredito em um outro amor, um amor pouco romântico, menos melado e menos regado a ápices de alegria e picos de tristeza e sofrimento...
Como lembra Moska ...
"A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido(...)"
Desconhecido e fluido. Muito além de muros, paredes e árvores! Muito além das fórmulas e de meladas declarações. Um amor de outro tipo...
terça-feira, maio 25, 2010
Antítese em metalinguagem
Em outubro próximo este blog faz 5 anos. Há alguns dias pensei em eliminá-lo, deixar para trás todo esse lirismo que o alimenta, mas agora percebo que isso é impossível. Impossível porque estou em cada linha aqui escrita, estou nesse layout já antigo que não consigo mudar e que traz um pouco do que preservo - o antigo, o que permanece diante da efemeridade da vida, o vintage.
Lembro que a decisão de criar este blog veio de um surto (quase psicótico), de uma revolta que já pulsava inquietante na minha alma desde muito antes de 2005. Assim, num impulso, como muitas coisas que faço na vida, passei a escrever o que sentia, o que me dava raiva e o que provocava alegrias. Me descobri ainda mais apaixonada pela escrita e comecei um ritual de só escrever aqui quando tivesse a alma invadida de sentimentos vibrantes. Seja de que ordem fosse, mas que fosse pulsante, que gritasse em mim. E assim, o fiz.
Por muito tempo sem divulgar, falar ou mostrar o que aqui escrevia. Ainda hoje não divulgo tanto, o que fez do blog um companheiro, quase um ouvinte de minhas quimeras. De tal maneira que agora, relendo textos antigos, posso ver mudanças, maturidade talvez, sentimentos antigos, alguns deixados para trás, outros transformados, mas nenhum esquecido.
Esta trajetória dá ainda mais sentido ao título do blog, aos versos de Fernando Pessoa - Flores que colho, ou deixo...
Vivo hoje um presente, sem esquecer o que aqui está registrado, preservando o usado, o velho, o antigo. Esse blog já está minha história, tanto que inicio a partir dele, um novo projeto, que espero em breve divulgar. Vamos ao futuro, sem perder de vista quem fomos no passado e sem acreditar que um dia saberemos quem de fato somos, tudo é trajetória, tudo é estrada na vida. Uma antítese sem fim e que torna interessante a vida.
Lembro que a decisão de criar este blog veio de um surto (quase psicótico), de uma revolta que já pulsava inquietante na minha alma desde muito antes de 2005. Assim, num impulso, como muitas coisas que faço na vida, passei a escrever o que sentia, o que me dava raiva e o que provocava alegrias. Me descobri ainda mais apaixonada pela escrita e comecei um ritual de só escrever aqui quando tivesse a alma invadida de sentimentos vibrantes. Seja de que ordem fosse, mas que fosse pulsante, que gritasse em mim. E assim, o fiz.
Por muito tempo sem divulgar, falar ou mostrar o que aqui escrevia. Ainda hoje não divulgo tanto, o que fez do blog um companheiro, quase um ouvinte de minhas quimeras. De tal maneira que agora, relendo textos antigos, posso ver mudanças, maturidade talvez, sentimentos antigos, alguns deixados para trás, outros transformados, mas nenhum esquecido.
Esta trajetória dá ainda mais sentido ao título do blog, aos versos de Fernando Pessoa - Flores que colho, ou deixo...
Vivo hoje um presente, sem esquecer o que aqui está registrado, preservando o usado, o velho, o antigo. Esse blog já está minha história, tanto que inicio a partir dele, um novo projeto, que espero em breve divulgar. Vamos ao futuro, sem perder de vista quem fomos no passado e sem acreditar que um dia saberemos quem de fato somos, tudo é trajetória, tudo é estrada na vida. Uma antítese sem fim e que torna interessante a vida.
quarta-feira, abril 28, 2010
Minha quimera de 2005
Lendo textos do princípio deste blog (2005) resolvi requentar a informação e publicar novamente um texto que escrevi sobre mim em novembro de 2005.
O que mudou em mim ou na minha percepção da vida?
Não sei... talvez a maturidade de texto, maturidade intelectual, alguma maturidade emocional (?).
Eu gosto desse texto! Apesar de ser uma verdadeira quimera! Segue:
TERÇA-FEIRA, NOVEMBRO 08, 2005
Li... Lilli....Lillian...Lillian Bento....
Um dia desses resolvi mudar, mas ainda assim fazia apenas uma parte muito pequena do que eu queria fazer...
Me libertei de uma tal vida vulgar... caí em outra...
Eu quero ir atrás da minha cobiça, mas o fedor da carniça sempre me fez resistir!
Agora olho pro futuro e o que enxergo me desespera... pra mudar parece longe, improvável
Às vezes, muitas vezes assumo a postura apocalíptica de que já era, porque no fundo eu particularmente duvido que algo destruído possa se restaurar... e muito já foi destruído!
Na contramão enxergo uma luz no fim do túnel... mas também não poderia ser diferente porque tenho no meu coração um ser que mora onde o amor faz divisa com a paixão, um oásis no sertão, meu tesouro tão sem fim... o que guardo de maior do melhor que há em mim...
Mas ainda assim falta algo: nada pra colher no jardim... esta não é a vida que eu sempre quis...
Por que?
Existem avanços profissionais, descobri que adoro a rotina de jornal diário, menos de um mês depois da conclusão da minha graduação: o primeiro emprego em jornal... gosto mas os bastidores ainda me assustam. Pra dizer a verdade desejo que sempre me assustem, porque à muita coisa o dia que me sentir indiferente estarei enquadrada, enquadrada em um sistema velado que resultam na pátria amada em que vivemos...
Puxa, que confusão de sentimentos! Desabafo... toquei diversos setores da minha vida, nada de solução... ainda não consigo vislumbrar nada que possa desviar meu navio do grande motim... penso que estou chegando a um ponto importante da vida: o de saber duvidar de tudo, criticar, ler o mundo e perceber em desespero que não existe muito sentido pras coisas... é não tem... tudo parece frágil...
O Poeta aconselhou: mais vale saber passar silenciosamente e sem desassossegos grandes!
Que merda... não consigo: eis meu maior problema...
Desassossego
Tempestades
Desesperos
Empolgação
Tristeza....
Ai, vivo muito em extremos... queria ser calma...rio sereno, saber aceitar o que não posso... Ah, queria nada! Pra dizer a verdade quero o que dizem que não posso, e vou atrás... quebro a cara... putz! E como quebrei na última coisa que quis e a vida disse não! Mas não me conformei... estou quieta, mas à procura da melhor estratégia pra driblar o que a vida ofereceu!
O fato de a vida ser minha e tantas vezes ir por caminhos diferentes do que quero me irrita, e por isso toda minha tristeza passa a ser raiva... que logo vira sei lá o que...
Na verdade, será que sou eu?
Acho que sim, na verdade eu que não sei se sou eu... mas outro dia tive um sonho... e nos sonhos percebo quem sou, e me surpreendo... sou ..... será que sou eu que bebo água ao invés de cerveja?
É assim mesmo, cansei de escrever... não tem conclusão e nem começo meio e fim, como minha vida...
Me libertei de uma tal vida vulgar... caí em outra...
Eu quero ir atrás da minha cobiça, mas o fedor da carniça sempre me fez resistir!
Agora olho pro futuro e o que enxergo me desespera... pra mudar parece longe, improvável
Às vezes, muitas vezes assumo a postura apocalíptica de que já era, porque no fundo eu particularmente duvido que algo destruído possa se restaurar... e muito já foi destruído!
Na contramão enxergo uma luz no fim do túnel... mas também não poderia ser diferente porque tenho no meu coração um ser que mora onde o amor faz divisa com a paixão, um oásis no sertão, meu tesouro tão sem fim... o que guardo de maior do melhor que há em mim...
Mas ainda assim falta algo: nada pra colher no jardim... esta não é a vida que eu sempre quis...
Por que?
Existem avanços profissionais, descobri que adoro a rotina de jornal diário, menos de um mês depois da conclusão da minha graduação: o primeiro emprego em jornal... gosto mas os bastidores ainda me assustam. Pra dizer a verdade desejo que sempre me assustem, porque à muita coisa o dia que me sentir indiferente estarei enquadrada, enquadrada em um sistema velado que resultam na pátria amada em que vivemos...
Puxa, que confusão de sentimentos! Desabafo... toquei diversos setores da minha vida, nada de solução... ainda não consigo vislumbrar nada que possa desviar meu navio do grande motim... penso que estou chegando a um ponto importante da vida: o de saber duvidar de tudo, criticar, ler o mundo e perceber em desespero que não existe muito sentido pras coisas... é não tem... tudo parece frágil...
O Poeta aconselhou: mais vale saber passar silenciosamente e sem desassossegos grandes!
Que merda... não consigo: eis meu maior problema...
Desassossego
Tempestades
Desesperos
Empolgação
Tristeza....
Ai, vivo muito em extremos... queria ser calma...rio sereno, saber aceitar o que não posso... Ah, queria nada! Pra dizer a verdade quero o que dizem que não posso, e vou atrás... quebro a cara... putz! E como quebrei na última coisa que quis e a vida disse não! Mas não me conformei... estou quieta, mas à procura da melhor estratégia pra driblar o que a vida ofereceu!
O fato de a vida ser minha e tantas vezes ir por caminhos diferentes do que quero me irrita, e por isso toda minha tristeza passa a ser raiva... que logo vira sei lá o que...
Na verdade, será que sou eu?
Acho que sim, na verdade eu que não sei se sou eu... mas outro dia tive um sonho... e nos sonhos percebo quem sou, e me surpreendo... sou ..... será que sou eu que bebo água ao invés de cerveja?
É assim mesmo, cansei de escrever... não tem conclusão e nem começo meio e fim, como minha vida...
domingo, abril 18, 2010
O que era impossível acaba de acontecer ...

Era impossível! Uma página que nunca seria virada. Era!
Mas passaram-se milhares de dias,
Milhões de horas e minutos...
Me perdi no passar do tempo!
E o que era impossível aconteceu!
Perceber isso me enche de alegria e tristeza ao mesmo tempo. É estranho que sentimentos tão distintos possam coexistir, mas eles estão aqui lado a lado. Talvez alegria por perceber que é bom superar algo que parecia tão difícil, mas uma tristeza por perceber que muita coisa passou. Não se ganha sem perder, mas também não se perde sem ganhar.
Muita coisa mudou! Consolida-se ainda mais a ideia de que o impossível não existe. Tudo que agora parece imutável, quero transpor e não preciso mais esperar cinco ou dez anos para virar uma página! Virou! Viraram? Virou!
terça-feira, março 30, 2010
Un sonido bajito
Em uma viagem ao Uruguai, encontrei em Montevideo os versos de Sofía Prokoffieva grafados em um papel. Por revelarem muito sobre o existir e o ser, os copio abaixo.
"Todo ser humano tiene en su interior, en su alma, un sonido bajito, su nota que es la singularidad de su ser, su esencia. Si el sonido de suas actos no coincide con esa nota, esa persona no puede ser feliz."
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Sobre o que é triste na alegria
Sentir falta é experimentar o valor das coisas
Agora sinto falta de coisas bobas
Das ruas de Goiânia
De bater perna nas feirinhas
De passear em Goiás Velho
De escrever todos os dias
Sinto falta de ouvir histórias
e depois transformar tudo em texto
Recontar o mundo a partir de outros olhares
De acordar tarde
E dormir mais tarde ainda
De querer me lançar no mundo...
Mas se sentir falta é pensar no valor das coisas
Paro também para perceber o valor do que agora me cerca
Há mais beleza à minha volta do que consigo enxergar
Tento abrir os olhos,
Mas enquanto não consigo brinco de poetizar.
26.01.10
sábado, janeiro 16, 2010
Mentes aprisionadas pelo preconceito
Ainda em meados de 2001, logo nos primeiros dias na faculdade fui surpreendida por mim mesma ao perceber o quanto um preconceito pode aprisionar a mente de uma pessoa. Estudava com um garoto de Luanda, na África, e um dia pedi para ver fotos da cidade dele. Nem faz tanto tempo assim, mas não havia Orkut, Facebook ou redes sociais para ver imagens na internet, então ele levou alguns registros impressos. Antes mesmo de ele tirar as fotos da bolsa, perguntei se veria elefantes e girafas atravessando a rua ou mesmo imagens de guerrilha. Para minha alegria eu estava errada. Vi um lugar bonito, moderno e até parecido com Brasília em alguns pontos. Minha atitude me lembrou o modo como o Brasil é visto por muitos estrangeiros e a velha tríade: mulher, carnaval e futebol.
Anos mais tarde, a minha paixão pela prática jornalística me fez ouvir e ver tantas outras pessoas falarem sobre lugares e situações desconhecidas, que aprendi a gostar de ouvir histórias, perguntar e saber mais o que o outro tem a oferecer de novo. Hoje sei que esse saber ouvir é essencial para viver em sociedade também e vejo que quem carrega e alimenta um preconceito aprisiona e priva a própria mente de ver o novo. Confesso que me incomoda quando ouço pessoas criticando outras, lugares ou atitudes a partir de uma visão dominada por preconceitos.
São pessoas que se privam de provar do novo, por puro medo de mexer no que está estabelecido. Ou simplesmente ignoram o aprendizado que o outro tem a oferecer. Tenho pensado muito sobre ética da alteridade e percebido que se esta fosse uma prática comum aos seres humanos haveria menos problemas na convivencia com o diferente. A alteridade está centrada no outro, no diferente e te leva a conhecer para então respeitar esse outro. Espero um dia conseguir viver plenamente a partir da alteridade e perceber ao redor pessoas que partilhem deste mesmo modo de perceber o mundo, o novo e o diferente. Espero libertar minha mente a cada dia mais no simples exercício de ouvir, entender e aprender com o outro.
sexta-feira, novembro 27, 2009
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei!!!
Tive vontade de escrever alguma coisa. Acordei com o Poema, de Cazuza na cabeça. Cantarolei a letra. Diz tudo que eu queria dizer por isso posto.
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
terça-feira, outubro 27, 2009
Dos ventos de Campinas
Adoro os dias de primavera como os que vejo agora. Da janela lateral uma árvore frondosa balança ao ritmo de um vento suave, jogando suas flores amarelas sobre a calçada. Uma das manhãs mais bonitas que Campinas me deu. Um movimento tão poético, quanto o sentimento que alimento agora. Tão sereno quanto o vento que toca meu rosto e tão sutil que muitos olhos apressados não conseguem perceber. Por hora sei que meu dia começa melhor e com a certeza Campinas me traz bons ventos. Se ainda há quem prefira se ocupar dos detinos alheios, desejo que ganhem força os versos de Fernando Pessoa: "Segue o teu destino/ Rega as tuas plantas/ Ama as tuas rosas. /O resto é a sombra de árvores alheias."
domingo, setembro 13, 2009
Hipérbole
Da última vez que havia decidido parar de escrever aqui - mais ou menos em fevereiro de 2008 - o motivo era uma tristeza momentaneamente sem solução. Depois segui para um momento de transição e para outro de muitas alegrias. Parei de escrever porque estava feliz.
Agora entre as alegrias e as tristezas encontro refúgio nos momentos de reflexão. Nada é linear, nem sentimentos ruins, nem os bons. Ainda bem, pois ninguém aguentaria uma vida idiotamente feliz ou uma mergulhada em tristezas. Passadas as justificativas, que escrevo mais para mim mesma que para os possíveis leitores, volto a escrever para racionalizar a vida...
Eu sou uma hipérbole. Ora demasiadamente alegre, ora inutilmente triste. Nesse jogo de extremos, percebi que pequenas coisas que incomodam e são ignoradas - talvez para adiar esse momento de reflexão - tornam-se grandes em determinado momento. Como pequenos átomos que se unem para explodir de repente, estou agora. Tudo por uma pequena, talvez insignificante decepção. Descobri então, que mudei de fase. Antes estava com Cazuza quando ele diz que as mentiras sinceras interessam e até escrevi isso aqui no blog alguns anos, meses ou semanas atrás. Agora não mais! Descobri que quero me jogar na vida me despindo das pequenas ilusões.
O problema é que por consequência, passo a esperar isso das pessoas. O que é um erro. Eis a grande dificuldade de amar - se entregar, sem saber onde está caindo! Sem saber o que receberá de volta. Talvez a própria existência seja o aprendizado e a trajetória se encarregue de dar as lições. Por hora, carrego as incertezas e as dúvidas, que ainda conseguem ferir sentimentos e trazer dificuldades. Que até seriam pequenas, não fosse eu mesma uma hipérbole.
sábado, junho 06, 2009
Flores que colho, ou deixo...
Cada dia que passa penso que mais acertada foi a escolha do nome deste blog. Pensar sobre a vida nos leva a pensar sobre as flores que colhemos ou deixamos. É assim a trajetória, com pessoas que vem e vão, hábitos que vem e vão, lugares que vem e vão e momentos que vem e vão. Ao final de tudo temos a essência: a nossa própria vida, a nossa história escrita. Uma história cruzada com tantas outras, afinal, ninguém no mundo deixa de marcar outras histórias.
Valorizar tudo isso, faz de mim praticamente uma roteirista de novela frustrada, acredito! (rs) De qualquer maneira, vale ressaltar a beleza da vida e das histórias de vida. Por isso costumo dizer, toda vida daria um livro, do operário ao revolucionário, da dona de casa à presidente chilena Michelle Bachelet. Toda trajetória é rica, mas não mais que uma trajetória. Assim, os próprios versos de Ricardo Reis (heterônimo do Pessoa) voltam oportunamente a este blog homônimo. Segue.
Valorizar tudo isso, faz de mim praticamente uma roteirista de novela frustrada, acredito! (rs) De qualquer maneira, vale ressaltar a beleza da vida e das histórias de vida. Por isso costumo dizer, toda vida daria um livro, do operário ao revolucionário, da dona de casa à presidente chilena Michelle Bachelet. Toda trajetória é rica, mas não mais que uma trajetória. Assim, os próprios versos de Ricardo Reis (heterônimo do Pessoa) voltam oportunamente a este blog homônimo. Segue.
Ricardo Reis
Flores que colho, ou deixo...
Flores que colho, ou deixo,
Vosso destino é o mesmo.
Via que sigo, chegas
Não sei aonde eu chego.
Nada somos que valha,
Somo-lo mais que em vão.
sexta-feira, junho 05, 2009
DESACelerando...
Sem que a gente perceba a vida entra numa velocidade louca. Até um ponto em que fica descontrolada.... as ações tornam-se automáticas e os porquês se perdem no caminho...........
Nessa hora é preciso desacelerar...
ir parando, parando, parando...
até parar!!!
Parar e pensar se esse é mesmo o caminho
<-------- ou é preciso alterar a rota! ------------->>>>>>>
??!!!!!????!!!!
Nessa hora é preciso desacelerar...
ir parando, parando, parando...
até parar!!!
Parar e pensar se esse é mesmo o caminho
<-------- ou é preciso alterar a rota! ------------->>>>>>>
??!!!!!????!!!!
terça-feira, junho 02, 2009
vida e tempo
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és...
Há uma genialidade a mais nesses versos do Cartola. O mundo é um moinho e o que ele provoca na gente é a perda da pureza inicial. Pulamos de cabeça nas primeiras experiências da vida. Nos amores, nas amizades, nas experiências profissionais. Tudo é novo e tudo atrai como um vagalume na escuridão. Com o tempo e com a vida já vivida passamos a desconfiar do vagalume e olhar com cautela tudo que nos chega. Está tudo carregado de passado, está tudo transbordado de "poréns". Para viver, depois de um tempo, é preciso descartar. Aceitar o que somos após passar pelos moldes da vida e descartar o que nos prende a tudo que não é mais. A tudo que já foi. Só assim seguiremos e mesmo assim, o Cartola, ainda tem razão: em pouco tempo não serás mais o que és...
Em pouco tempo não serás mais o que és...
Há uma genialidade a mais nesses versos do Cartola. O mundo é um moinho e o que ele provoca na gente é a perda da pureza inicial. Pulamos de cabeça nas primeiras experiências da vida. Nos amores, nas amizades, nas experiências profissionais. Tudo é novo e tudo atrai como um vagalume na escuridão. Com o tempo e com a vida já vivida passamos a desconfiar do vagalume e olhar com cautela tudo que nos chega. Está tudo carregado de passado, está tudo transbordado de "poréns". Para viver, depois de um tempo, é preciso descartar. Aceitar o que somos após passar pelos moldes da vida e descartar o que nos prende a tudo que não é mais. A tudo que já foi. Só assim seguiremos e mesmo assim, o Cartola, ainda tem razão: em pouco tempo não serás mais o que és...
terça-feira, maio 12, 2009
Pensamentos
Não dá pra chegar numa estrada nova sabendo onde ela vai dar. Dá apenas para desejar e acreditar que o caminho leve a bons lugares e que os passos sejam acertados. Que a estrada seja essa, seja minha e não um atalho ou remendo qualquer. Tem coisas que não consigo expressar. É isso! Códigos, hábitos, truques, manias...
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer
Igual a você assim sem disfarçar
E quero escrever
Uma canção de amor para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias
Que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente
Em lugares que eu não quero andar
De cada imagem errada
Que a velha palavra usada nos trás
De tudo que signifique
Que para sermos um temos que ser iguais
(Moska)
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer
Igual a você assim sem disfarçar
E quero escrever
Uma canção de amor para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias
Que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente
Em lugares que eu não quero andar
De cada imagem errada
Que a velha palavra usada nos trás
De tudo que signifique
Que para sermos um temos que ser iguais
(Moska)
sexta-feira, maio 08, 2009
Estranhamentos e adaptações
Cada pessoa que entra na nossa trajetória traz um mundo todo diferente para somar ao nosso. Nesse processo de associação, alguns estranhamentos são naturais e logo surgem. Jeito de ser, de encarar a vida, as situações, histórias. Tudo surge como uma nova pintura da vida na nossa frente. Estou nesse processo e, pensando nele, percebi que deixar o novo chegar é um processo também de revisão do nosso próprio mundo.
Aceitar o novo é um mexer no nosso próprio jeito de encarar a vida, é um exercício que chega a incomodar, afinal é muito mais fácil deixar como está. Porém, quando eu penso o quanto esse mundo novo pode acrescentar alegrias e momentos felizes, decido encarar a novidade e deixar o coração aberto. E, ainda que me sinta incomodada por mexer no que antes estava quieto, deixo que tudo seja revirado. Pois é depois da reviravolta que surge uma nova configuração mais bonita e harmônica que antes. É hora de mexer, ajeitar, revirar e aprender. É tudo novo, de novo!
Aceitar o novo é um mexer no nosso próprio jeito de encarar a vida, é um exercício que chega a incomodar, afinal é muito mais fácil deixar como está. Porém, quando eu penso o quanto esse mundo novo pode acrescentar alegrias e momentos felizes, decido encarar a novidade e deixar o coração aberto. E, ainda que me sinta incomodada por mexer no que antes estava quieto, deixo que tudo seja revirado. Pois é depois da reviravolta que surge uma nova configuração mais bonita e harmônica que antes. É hora de mexer, ajeitar, revirar e aprender. É tudo novo, de novo!
terça-feira, abril 07, 2009
Frida Kahlo
segunda-feira, abril 06, 2009
O que será que será?
O que será que será?
O que não tem certeza, nem nunca terá...
O que não tem conserto, nem nunca terá...
O que não tem tamanho...
O que não tem certeza, nem nunca terá...
O que não tem conserto, nem nunca terá...
O que não tem tamanho...
sexta-feira, abril 03, 2009
Um amor pra toda vida (?)
Lillian Bento
Embalada pela velha mania de observar o comportamento humano e aproveitando uma fase sex in the city da vida (única coisa q tenho visto na TV ultimamente), quero escrever hoje sobre o amor! Ah, lá vem frases melosas e linhas sentimentais!!! Não. Nada disso. Longe disso. O quero falar é sobre as primeiras impressões de uma mulher sobre o amor, tão logo ela começa a se perceber como uma mulher - o que na minha adolescência seria por volta dos 18 anos, mas a cada ano essa idade fica menor, 15 ou 13 para algumas.
Agora há pouco observava no orkut o perfil de uma amiga da minha prima, que aos 18 anos fez um álbum de fotos do seu primeiro namorado. Com o título "Demorei muito pra te encontrar...", uma alusão à música de Vinícius Canturária, que ficou conhecida na voz de Fábio Jr. Demorou muito? É realmente 18 anos é muito tempo para viver sem o tal amor ideal. Todas as fotos, obviamente, traziam comentários de outras garotas da mesma idade. Uma delas dizia: "Amiga estou tão feliz por você!". Fiquei pensando por quê? Porque ela encontrou o grande amor, um companheiro ideal, mesmo sem saber o que seria um companheiro ideal.
Qual o problema da maneira apocalíptica com que adolescentes se entregam às paixões pueris? Nenhum. O que me intriga é a educação que, vai geração vem geração, continua a ensinar a mulher que a satisfação e realização pessoal é encontrar um homem, casar e conhecer a felicidade, que mesmo se não for tão real assim precisa ser mostrada, apresentada em álbuns de orkut, em mensagens apaixonadas e em frases românticas.
Neste nascer para a vida adulta e para os amores, fica uma lacuna para as meninas que não encontram o tal homem perfeito e começam a bater cabeça em relacionamentos frustrados. Para meninas que descobrem que gostam de meninas (essas devem sofrer muito) e simplesmente para quem escolhe deixar de lado essa tal necessidade de amar subitamente e estudar, trabalhar e investir em outras prioridades.
Claro, há exceções e mesmo quem não ligue para tais imposições sociais. Mas a mim, incomoda essa ideia de realização no outro, não porque não deva ser buscada, alcançada e vivida, mas porque a necessidade de ter alguém para mostrar e apresentar à sociedade pode deturpar a visão do que seja de fato o amor. E o que é? Eu sei? Não há como definir, mas prefiro ficar com o sentido filosófico do amor, um amor que está além das aparências ou da beleza exterior.
Um amor que não precisa dar satisfação, mas sim ocupar o espaço que falta na alma de alguém. Fiquei a pensar, se apresentar a experiência de Sartre e Simone de Beauvoir aos estudantes ainda no ensino médio não seria uma saída. Um exemplo de amor não compreendido pela Igreja Católica, mas que mostrava a importância de reconhecer no outro alguém necessário e respeitar as diferenças que este outro carrega. Ou mesmo a concepção de amor de Platão, pouco compreendido no senso comum.
A maioria das pessoas acredita que o amor platônico é o amor impossível, enquanto o que Platão sugeria era que o amor verdadeiro é o que supera o transitório, supera o momento e transcende. Tal sentimento não é necessariamente direcionado a alguém no sentido sexual e pode dizer respeito a qualquer campo da vida. Se tais palavras seriam aproveitadas por alguém no início da vida adulta não sei, mas já começariam a delinear a ideia de que amar é compartilhar com alguém, é estar com alguém e não TER alguém.
Não tenho, nem de longe, a pretensão de dizer o que é o amor, até porque tal definição não existe e o amor não está pronto, precisa ser conhecido, experimentado. É um processo gradual, que talvez tenha mesmo que começar de maneira apocalíptica. Vai saber....
Embalada pela velha mania de observar o comportamento humano e aproveitando uma fase sex in the city da vida (única coisa q tenho visto na TV ultimamente), quero escrever hoje sobre o amor! Ah, lá vem frases melosas e linhas sentimentais!!! Não. Nada disso. Longe disso. O quero falar é sobre as primeiras impressões de uma mulher sobre o amor, tão logo ela começa a se perceber como uma mulher - o que na minha adolescência seria por volta dos 18 anos, mas a cada ano essa idade fica menor, 15 ou 13 para algumas.
Agora há pouco observava no orkut o perfil de uma amiga da minha prima, que aos 18 anos fez um álbum de fotos do seu primeiro namorado. Com o título "Demorei muito pra te encontrar...", uma alusão à música de Vinícius Canturária, que ficou conhecida na voz de Fábio Jr. Demorou muito? É realmente 18 anos é muito tempo para viver sem o tal amor ideal. Todas as fotos, obviamente, traziam comentários de outras garotas da mesma idade. Uma delas dizia: "Amiga estou tão feliz por você!". Fiquei pensando por quê? Porque ela encontrou o grande amor, um companheiro ideal, mesmo sem saber o que seria um companheiro ideal.
Qual o problema da maneira apocalíptica com que adolescentes se entregam às paixões pueris? Nenhum. O que me intriga é a educação que, vai geração vem geração, continua a ensinar a mulher que a satisfação e realização pessoal é encontrar um homem, casar e conhecer a felicidade, que mesmo se não for tão real assim precisa ser mostrada, apresentada em álbuns de orkut, em mensagens apaixonadas e em frases românticas.
Neste nascer para a vida adulta e para os amores, fica uma lacuna para as meninas que não encontram o tal homem perfeito e começam a bater cabeça em relacionamentos frustrados. Para meninas que descobrem que gostam de meninas (essas devem sofrer muito) e simplesmente para quem escolhe deixar de lado essa tal necessidade de amar subitamente e estudar, trabalhar e investir em outras prioridades.
Claro, há exceções e mesmo quem não ligue para tais imposições sociais. Mas a mim, incomoda essa ideia de realização no outro, não porque não deva ser buscada, alcançada e vivida, mas porque a necessidade de ter alguém para mostrar e apresentar à sociedade pode deturpar a visão do que seja de fato o amor. E o que é? Eu sei? Não há como definir, mas prefiro ficar com o sentido filosófico do amor, um amor que está além das aparências ou da beleza exterior.
Um amor que não precisa dar satisfação, mas sim ocupar o espaço que falta na alma de alguém. Fiquei a pensar, se apresentar a experiência de Sartre e Simone de Beauvoir aos estudantes ainda no ensino médio não seria uma saída. Um exemplo de amor não compreendido pela Igreja Católica, mas que mostrava a importância de reconhecer no outro alguém necessário e respeitar as diferenças que este outro carrega. Ou mesmo a concepção de amor de Platão, pouco compreendido no senso comum.
A maioria das pessoas acredita que o amor platônico é o amor impossível, enquanto o que Platão sugeria era que o amor verdadeiro é o que supera o transitório, supera o momento e transcende. Tal sentimento não é necessariamente direcionado a alguém no sentido sexual e pode dizer respeito a qualquer campo da vida. Se tais palavras seriam aproveitadas por alguém no início da vida adulta não sei, mas já começariam a delinear a ideia de que amar é compartilhar com alguém, é estar com alguém e não TER alguém.
Não tenho, nem de longe, a pretensão de dizer o que é o amor, até porque tal definição não existe e o amor não está pronto, precisa ser conhecido, experimentado. É um processo gradual, que talvez tenha mesmo que começar de maneira apocalíptica. Vai saber....
sábado, março 21, 2009
Because
Why do I feel happy?
Because the world is round it turns me on
Because the world is round...
Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high...
Love is old, love is new
Love is all, love is you
Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue
(John Lennon)
Because the world is round it turns me on
Because the world is round...
Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high...
Love is old, love is new
Love is all, love is you
Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue
(John Lennon)
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