segunda-feira, agosto 30, 2010
Poesias envelhecidas
segunda-feira, agosto 09, 2010
Sobre metáforas e Fernando Pessoa (apropriações)
segunda-feira, junho 28, 2010
Um poema - uma gota de mim
Jorge Luis Borges
Estranho estrangeiro
Estranho
Estrangeiro
Que um golpe ligeiro
De um destino certeiro
Roubou a alegria
Deixou a apatia
Da lembrança da pátria
Agora distante
Estranho
Estrangeiro
Lépido e arteiro que fora um dia
Agora experimenta a agonia
De ver escorrer entre os dedos
Os ideais de harmonia
A terra estranha, gelada e seca
Hostil lhe acolhe sem afagos
No peito acalenta a velha saudade
Da terra mãe e suas carícias
Estranho
Estrangeiro
Dos dias fagueiros
Sobraram breves lembranças
Saudades espaçadas
Choro, canções e pegadas
A serem guardadas
Junto com o desejo
De um dia voltar
Estranho
Estrangeiro
Vives agora
Da esperança de um dia
Viver o que agora é lembrança
Fazer o espelho lhe devolver
O já esquecido sorriso faceiro
Lillian Bento
segunda-feira, maio 31, 2010
Olhos e olhares perdidos
Olho na cidade e não me vejo
Olho no espelho e não me encontro
Olhos estranhos me contemplam
Olhos distantes me observam
E eu desvio os olhos,
Fecho os olhos
E é neste momento que me vejo
Me vejo distante
Me vejo além
Me vejo inquieta
Me vejo triste
Me vejo alegre
Me vejo longe...
Longe desta imagem que agora contemplo no espelho.
Miro meu olhar que agora chora...
Continuo a me procurar
Lillian
(31.05.2010)
sábado, maio 29, 2010
"Meu cravo pessoal de defunto"
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido(...)"
terça-feira, maio 25, 2010
Antítese em metalinguagem
Lembro que a decisão de criar este blog veio de um surto (quase psicótico), de uma revolta que já pulsava inquietante na minha alma desde muito antes de 2005. Assim, num impulso, como muitas coisas que faço na vida, passei a escrever o que sentia, o que me dava raiva e o que provocava alegrias. Me descobri ainda mais apaixonada pela escrita e comecei um ritual de só escrever aqui quando tivesse a alma invadida de sentimentos vibrantes. Seja de que ordem fosse, mas que fosse pulsante, que gritasse em mim. E assim, o fiz.
Por muito tempo sem divulgar, falar ou mostrar o que aqui escrevia. Ainda hoje não divulgo tanto, o que fez do blog um companheiro, quase um ouvinte de minhas quimeras. De tal maneira que agora, relendo textos antigos, posso ver mudanças, maturidade talvez, sentimentos antigos, alguns deixados para trás, outros transformados, mas nenhum esquecido.
Esta trajetória dá ainda mais sentido ao título do blog, aos versos de Fernando Pessoa - Flores que colho, ou deixo...
Vivo hoje um presente, sem esquecer o que aqui está registrado, preservando o usado, o velho, o antigo. Esse blog já está minha história, tanto que inicio a partir dele, um novo projeto, que espero em breve divulgar. Vamos ao futuro, sem perder de vista quem fomos no passado e sem acreditar que um dia saberemos quem de fato somos, tudo é trajetória, tudo é estrada na vida. Uma antítese sem fim e que torna interessante a vida.
quarta-feira, abril 28, 2010
Minha quimera de 2005
TERÇA-FEIRA, NOVEMBRO 08, 2005
Li... Lilli....Lillian...Lillian Bento....
Me libertei de uma tal vida vulgar... caí em outra...
Eu quero ir atrás da minha cobiça, mas o fedor da carniça sempre me fez resistir!
Agora olho pro futuro e o que enxergo me desespera... pra mudar parece longe, improvável
Às vezes, muitas vezes assumo a postura apocalíptica de que já era, porque no fundo eu particularmente duvido que algo destruído possa se restaurar... e muito já foi destruído!
Na contramão enxergo uma luz no fim do túnel... mas também não poderia ser diferente porque tenho no meu coração um ser que mora onde o amor faz divisa com a paixão, um oásis no sertão, meu tesouro tão sem fim... o que guardo de maior do melhor que há em mim...
Mas ainda assim falta algo: nada pra colher no jardim... esta não é a vida que eu sempre quis...
Por que?
Existem avanços profissionais, descobri que adoro a rotina de jornal diário, menos de um mês depois da conclusão da minha graduação: o primeiro emprego em jornal... gosto mas os bastidores ainda me assustam. Pra dizer a verdade desejo que sempre me assustem, porque à muita coisa o dia que me sentir indiferente estarei enquadrada, enquadrada em um sistema velado que resultam na pátria amada em que vivemos...
Puxa, que confusão de sentimentos! Desabafo... toquei diversos setores da minha vida, nada de solução... ainda não consigo vislumbrar nada que possa desviar meu navio do grande motim... penso que estou chegando a um ponto importante da vida: o de saber duvidar de tudo, criticar, ler o mundo e perceber em desespero que não existe muito sentido pras coisas... é não tem... tudo parece frágil...
O Poeta aconselhou: mais vale saber passar silenciosamente e sem desassossegos grandes!
Que merda... não consigo: eis meu maior problema...
Desassossego
Tempestades
Desesperos
Empolgação
Tristeza....
Ai, vivo muito em extremos... queria ser calma...rio sereno, saber aceitar o que não posso... Ah, queria nada! Pra dizer a verdade quero o que dizem que não posso, e vou atrás... quebro a cara... putz! E como quebrei na última coisa que quis e a vida disse não! Mas não me conformei... estou quieta, mas à procura da melhor estratégia pra driblar o que a vida ofereceu!
O fato de a vida ser minha e tantas vezes ir por caminhos diferentes do que quero me irrita, e por isso toda minha tristeza passa a ser raiva... que logo vira sei lá o que...
Na verdade, será que sou eu?
Acho que sim, na verdade eu que não sei se sou eu... mas outro dia tive um sonho... e nos sonhos percebo quem sou, e me surpreendo... sou ..... será que sou eu que bebo água ao invés de cerveja?
É assim mesmo, cansei de escrever... não tem conclusão e nem começo meio e fim, como minha vida...
domingo, abril 18, 2010
O que era impossível acaba de acontecer ...

Era impossível! Uma página que nunca seria virada. Era!
terça-feira, março 30, 2010
Un sonido bajito
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Sobre o que é triste na alegria
sábado, janeiro 16, 2010
Mentes aprisionadas pelo preconceito
sexta-feira, novembro 27, 2009
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei!!!
Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
terça-feira, outubro 27, 2009
Dos ventos de Campinas
domingo, setembro 13, 2009
Hipérbole
sábado, junho 06, 2009
Flores que colho, ou deixo...
Valorizar tudo isso, faz de mim praticamente uma roteirista de novela frustrada, acredito! (rs) De qualquer maneira, vale ressaltar a beleza da vida e das histórias de vida. Por isso costumo dizer, toda vida daria um livro, do operário ao revolucionário, da dona de casa à presidente chilena Michelle Bachelet. Toda trajetória é rica, mas não mais que uma trajetória. Assim, os próprios versos de Ricardo Reis (heterônimo do Pessoa) voltam oportunamente a este blog homônimo. Segue.
Flores que colho, ou deixo...
Flores que colho, ou deixo,
Vosso destino é o mesmo.
Via que sigo, chegas
Não sei aonde eu chego.
Nada somos que valha,
Somo-lo mais que em vão.
sexta-feira, junho 05, 2009
DESACelerando...
Nessa hora é preciso desacelerar...
ir parando, parando, parando...
até parar!!!
Parar e pensar se esse é mesmo o caminho
<-------- ou é preciso alterar a rota! ------------->>>>>>>
??!!!!!????!!!!
terça-feira, junho 02, 2009
vida e tempo
Em pouco tempo não serás mais o que és...
Há uma genialidade a mais nesses versos do Cartola. O mundo é um moinho e o que ele provoca na gente é a perda da pureza inicial. Pulamos de cabeça nas primeiras experiências da vida. Nos amores, nas amizades, nas experiências profissionais. Tudo é novo e tudo atrai como um vagalume na escuridão. Com o tempo e com a vida já vivida passamos a desconfiar do vagalume e olhar com cautela tudo que nos chega. Está tudo carregado de passado, está tudo transbordado de "poréns". Para viver, depois de um tempo, é preciso descartar. Aceitar o que somos após passar pelos moldes da vida e descartar o que nos prende a tudo que não é mais. A tudo que já foi. Só assim seguiremos e mesmo assim, o Cartola, ainda tem razão: em pouco tempo não serás mais o que és...
terça-feira, maio 12, 2009
Pensamentos
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer
Igual a você assim sem disfarçar
E quero escrever
Uma canção de amor para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias
Que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente
Em lugares que eu não quero andar
De cada imagem errada
Que a velha palavra usada nos trás
De tudo que signifique
Que para sermos um temos que ser iguais
(Moska)
sexta-feira, maio 08, 2009
Estranhamentos e adaptações
Aceitar o novo é um mexer no nosso próprio jeito de encarar a vida, é um exercício que chega a incomodar, afinal é muito mais fácil deixar como está. Porém, quando eu penso o quanto esse mundo novo pode acrescentar alegrias e momentos felizes, decido encarar a novidade e deixar o coração aberto. E, ainda que me sinta incomodada por mexer no que antes estava quieto, deixo que tudo seja revirado. Pois é depois da reviravolta que surge uma nova configuração mais bonita e harmônica que antes. É hora de mexer, ajeitar, revirar e aprender. É tudo novo, de novo!
