sexta-feira, abril 20, 2012

Saudade (Augusto dos Anjos)

E porque hoje (20/04) seria aniversário do poeta Augusto do Anjos, resolvi publicar esse poema. A obra dele foi muito importante para que eu me apaixonasse tanto pela poesia, ainda no início da adolescência.
Saudade


Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.


E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,


Da saudade na campa enegrecida

Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

terça-feira, abril 10, 2012

Pulsar

Sou tão frágil
Quanto as paredes
De meus vasos sanguíneos
Que, fortes, suportam
a pressão da vida
Que em mim circula

Tenho tantas certezas
Quanto o sol
Que me esquenta a pele
todas as tardes

Não sei até quando
ele estará ali
mas confio no
calor que me aquece
até que chegue a dúvida,
que tal qual a lua
toma o lugar do sol
leva minhas certezas
para o vão do nada

Nesse momento
Sinto toda a fragilidade
Da minha vida
Que forte pulsa



De cima para baixo

Ou debaixo para cima...




             
               Da vida não sei nada...
                                                                      
                    Logo após serem tomadas

                                Muitas decisões parecem erradas

                                    Como saber ... o caminho a seguir?

                            Como saber... sobre ficar ou ir?

                       Como saber?
               

sábado, abril 07, 2012

Ela

Olhos suaves
Abraços apertados
Mãos desajeitadas

Primeiro me tomou o ventre
Depois me preencheu a vida
Espaçosa e delicada

Inteligente e perspicaz
Cada sorriso seu
Alegrias ímpares me traz

Minha pequena Maria
Meu imenso amor

quarta-feira, março 28, 2012

Bailando

Levarei a imagem na memória
Você cinza
Dançando no escuro
Um baile de braços, pernas e cabelos
Uma dança sem cor
Que quando aporta na lembrança
Me colore o coração

Lillian Bento


segunda-feira, janeiro 30, 2012

Enganos

Quando finalmente me livrei de tudo que eu pensava me fazer mal,
percebi que me havia me livrado de mim mesma. E agora?!

quarta-feira, julho 06, 2011

Apropriações

"A cada traço seu desenho vai mudar
Novas cores na paleta vão surgir
E nesse espaço disponível pra pintar
Novos atores da sua tela vão partir
Deixando a imagem do passado em seu lugar
Em paralelo atravessando seu sentir

Pra que lado você pende?
Em que volta você está?
Tudo depende de qual figura você quer formar.

Não adianta tentar apagar com a borracha
Virar a página também não é solução
Quando uma reta em nosso desenho se encaixa
Fica pra sempre uma mancha, uma linha, um borrão"

Trecho da música Pêndulo de Paulinho Moska


sexta-feira, junho 17, 2011

Indagações fora de lógica



Será o fim surpreendente?
Algo diferente do que parece o lógico,
nesse roteiro surreal da vida?
Afinal, para que serve a lógica?

Insensatez
Estupidez humana!
Ela quer entender,
Sem saber que é impossível
entender o enredo de uma vida

A vida a gente sente
A gente pulsa
A gente experimenta

E se um dia eu,
Em minhas experimentações,
Fizer algo fora de lógica
não lamente, julgue ou se espante

Mesmo que eu pareça estar louca
Saiba: estarei feliz!
Feliz por romper com a lógica que limita as vidas
Pensar demais é sentir de menos

É a morte lenta em dias desertos.

Texto: Lillian Bento (17.06.11)
Foto: Ana Rita Vidica (2008 em Charazani/Bolívia)

domingo, maio 08, 2011

Um presente na distância


Há algum tempo eu quero escrever sobre você, mas todas as palavras que encontrei pareciam aquém do que eu queria dizer. Resolvi, assim, escrever neste dia ao menos um triz do que é meu amor por ti. Não é porque és minha mãe, mas de todas as mães que já encontrei pelo caminho, você é o exemplo que quero seguir em minha trajetória como mãe.

Contigo aprendi que amar é deixar o outro escolher, é aceitar e buscar compreender as "esquisitices" alheias, afinal todos nós temos algumas. Contigo estou aprendendo constantemente que a vida é êfemera demais para perdermos tempo com sentimentos ruins, para nos contaminarmos com raivas e mágoas. E, principalmente, estou aprendendo a me cercar de flores e abandonar os lixos que aparecem nos caminhos.

Por hora estou longe fisicamente de ti, mas és a primeira pessoa a saber sobre minhas decisões e incertezas. És a amiga a quem recorro primeiro para chorar e para rir. És a mulher que admiro por sua força ao enfrentar as adversidades da vida sem perder a serenidade e o brilho no olhar. Talvez por isso consiga sossegar meu coração sempre inquieto.

A cada minuto tenho certeza do amor que nos une, a cada dia vejo nos olhos da Maria a falta (física) que faz entre nós duas. Espero logo morar perto de ti novamente e partilhar dias e noites. Por agora, este é meu presente de dia das mães e o abraço apertado e saudoso virá nos próximos dias. Te amo.

Lilloca



quinta-feira, março 24, 2011

Poema sufocado

Nunca me calara antes
Há algum tempo precisei
Agora sei que calar sufoca
apara e apaga
Ação difícil
Para alguém feita de impulsos
E do gosto por pensar
Para quem leva
Disritmia no pulso
E ritmo no caminhar
Calar agora entristece
Encoleriza e adoece
Mas calar é o fardo que agora escolhi carregar
Mais por saber
que minhas palavras atrozes
Podem derrubar, chorar, matar
Então caminho
e minha mente enlouquece
o que minha boca sufoca
Se chegar perto ouvirás
Um suave balbuciar
E ao ouvir saberás
Quem de fato agora cala.

Lillian B.

Riminhas para 22 de março

Anos passados
Vida em curso
Euforias
Tristezas
Alegrias
Incertezas
Amor e apatia
Loucura com melancolia
Na fluir da trajetória
Sigo invetando minha história

Lillian em 22.03.11

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Saindo das bibliotecas para a Era Google














Talvez este lhe pareça mais um lamento saudosista dos muitos que existem por aí. Para mim é mesmo um lamento saudosista e de uma saudade da vida que levava antes de existirem tantas ferramentas tecnológicas. De um tempo em que fazer dever da escola levava mais tempo porque eu ia a biblioteca pública. E estar na biblioteca pública significava para mim um momento de concentração absoluta. Por todo lado eu via placas com avisos de silêncio e elas me intrigavam.

Havia ali um mistério e eu por vezes me pegava pensando em começar a gritar e sair correndo para ver o que acontecia. Para ver se o vigilante da biblioteca era bom mesmo. Mas nunca fiz isso, ao contrário, eu respeitava o silêncio e lia. Aos 13 anos comecei a ir sozinha à biblioteca e aquilo foi um acontecimento. Antes eu ia com minha mãe, mas depois podia passar as tardes de alguns dias da semana ali.

Li textos que aindam despertam em minha memória o sabor de mistério que havia naquela biblioteca - aquela, a biblioteca da Praça Cívica em Goiânia. Foi nesta idade que li "Eles não usam blackt-tie" do Gianfrancesco Guarnieri, "O Diário de Anne Frank", "Memórias Póstumas de Brás Cubas", descobri de verdade Cora Coralina e o escritor goiano Bernardo Élis. Tantos outros mais li, reli, descobri. Sentia prazer também em levar aqueles livros para casa, ler e depois voltar para buscar outros.

As pesquisas para a escola também me atraiam, principalmente sobre História e Literatura. Passava horas ali e me divertia ao aprender, mas me divertia principalmente com o desafio de querer saber mais. Afinal, quanto mais sabemos mais queremos buscar porque o sentimento de incompletude já começa a pulsar forte neste despertar para a leitura.

Hoje vejo minha filha fazer deveres escolares. E ai está o meu lamento. A dinâmica é outra. A própria escola recomenda a pesquisa na internet. Ótimo, não sou contra, mas o ambiente do aprendizado, aquele prazeroso que eu reconhecia na biblioteca desaparece. Não é preciso fazer silêncio e nem é possível se concentrar, afinal o "lugar" do aprendizado é também onde a criança joga (virtualmente porque ir pra rua nem pensar), onde "conversa" com os amigos nos bate-papos da vida online.

Há quem não concorde e defenda que a internet organizou o conhecimento, dinamizou a busca. Sim, ela fez isso, mas o preço foi a perda do apreço neste processo de aprender, pesquisar e descobrir. A busca se tornou fácil demais para dar prazer. Um clique e está ali, tudo a seu alcance, na tela à sua frente. Para que perder tempo em bibliotecas públicas, né?

Esta realidade só não me entristece mais porque sei que o prazer em aprender não está esquecido e posso ver brilhar (ainda) os olhos da minha filha ao pensar que livro vai escolher na biblioteca da escola. Ademais escrevo agora de um computador, posto aqui no blog porque estou online, então neste mundo de virtualidades é preciso saber aproveitar as benesses da tecnologia.

Sem esquecer, claro, os prazeres dos livros, das rodas de amigos, do cinema, do teatro, enfim, da vida real. Caso contrário, o que será de nós quando as máquinas dominarem de vez nossos corpos, quando substituirem ainda mais nossas mentes? Quandos os livros forem apenas reminiscências e as bibliotecas se tornarem museus? Não estarei aqui, mas se você estiver, lembre-se que foi este um tempo bom, de prazeres, descobertas e de mistérios.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Tremores

Estou trêmula
Um tremor que não é de raiva
Um termor que não é de amor
Um tremor que não é de ódio
Um tremor que não é feroz
Um tremor que já me tomou
E agora controla minhas mãos
E com lágrimas me banha os olhos
Um tremor de insatisfação
Um desejo nunca alcançado
E que me afoga o coração

quinta-feira, novembro 04, 2010

Meu protesto e as palavras derramadas

De um lado ricos
Do outro pobres
Fronteira ilusória
Para seres iguais
Iguais na vida
Iguais no mundo
Igualmente efêmeros

Ante o universo
Morrem todos jovens
Porém passam os dias
A cultivar vaidades
A acumular riquezas falsas
Como economistas loucos
A acumular estrelas
Na vã esperança
de um dia possuí-las

Medíocres
Passam
Tão cedo passam
As estrelas ficam
A beleza fica
Fica a memória
Do que aqui fomos

Enquanto cá estou
Prefiro olhar a beleza
que cada rosto carrega
Prefiro olhar a riqueza
que cada história consagra

A você que não pensa assim
Não quero junto de mim
Não quero olhar o mundo
com as falsas lentes
que seu dinheiro comprou
Quero olhar para o outro
Como o humano que sou

(Palavras derramadas na tela, enquanto pensava sobre a ignorância de quem se julga melhor que o outro só porque pagou para estudar. Só porque se veste com panos caros, só porque pensa que pode comprar as estrelas. A estes, piedade.)

segunda-feira, agosto 30, 2010

Poesias envelhecidas

Encontrei hoje um livro antigo.
Li e revirei suas páginas amareladas.
Era um livro de poesias.
Relendo, percebi que cada verso cantava a minha vida,
meus dias e anos, que passados já não são meus.
Capítulos inteiros sobre situações e sentimentos,
que, embora abandonados pelo corpo,
ainda estão apreendidos de alguma forma em mim.
Talvez grafados na alma, se ela realmente existir.

Em um movimento lento e repleto de tortura,
as letras se soltaram do papel,
misturando-se às lágrimas que meus olhos derramavam.
Vi diante de mim um pequeno lago de tinta salgada de saudade.
Não uma saudade das coisas vividas,
mas uma saudade do que não aconteceu.
Dos amores perdidos,
dos amigos distantes

De repente, todo aquele passado
Parecia mais importante agora
do que quando foi experimentado.
O sentir da tristeza foi inevitável
ao perceber que meu pesar era
o de não ter sentido no momento certo.
De não ter percebido no momento presente
Um presente, que agora passado, me escapou das mãos

Desejei compor novos arranjos
Criar novos versos
Desta vez com a certeza da singularidade
de cada momento,
de cada pessoa que cruza ou fica em minha trajetória
Olhando o passado, percebi a leveza do presente
O sentir poético do Agora
O sentimento doce, alegre ou triste
que cada momento guarda
Escreverei novas poesias
E no fim terei um livro de saudades
verdadeiramente póstumas.
Mas só no fim. Quando ele vier.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Sobre metáforas e Fernando Pessoa (apropriações)


Pedras soltas no leito do rio

Pedras que seguem sem destino

Rio que corre para o mar

Águas que driblam obstáculos

Para enfim desaguar no mar

O mar fim do rio

O mar ponto final

É como o leito da morte

No mar o rio encontra o fim

A beleza do mar guarda o vale da morte

Á revelia dos obstáculos,

O rio vai sempre dar no mar


Passamos!


Sábio poeta, Fernando, já dizia

Mais vale saber passar sossegadamente

Você à revelia

Traz tormenta à calmaria

Das águas do leito, calmo leito, do meu rio

Atira pedras, agita,

Leva a calma e suavemente

Confunde as pedras, o rio, as águas

Com a fúria de uma tempestade


Cesse!

Passamos!

Suave siga o curso até encontro com o mar.







segunda-feira, junho 28, 2010

Um poema - uma gota de mim

"Se um poema foi escrito por um grande poeta ou não, isso só importa aos historiadores da Literatura. Suponhamos, só para argumentar, que eu tenha escrito um belo verso. Uma vez escrito esse verso não me serve mais porque, como já disse, esse verso me veio do Espírito Santo, do subconsciente ou, talvez, de algum outro escritor. Muitas vezes descubro que estou apenas citando algo que li tempos atrás, e isto se torna uma redescoberta. Melhor seria, talvez, que os poetas fossem anônimos."

Jorge Luis Borges

Sendo assim, ouso postar o meu poema. Um que integra um projeto maior, ainda embrionário, que em futuro breve (assim espero) poderei apresentar a todos.

Estranho estrangeiro

Estranho

Estrangeiro

Que um golpe ligeiro

De um destino certeiro

Roubou a alegria

Deixou a apatia

Da lembrança da pátria

Agora distante


Estranho

Estrangeiro

Lépido e arteiro que fora um dia

Agora experimenta a agonia

De ver escorrer entre os dedos

Os ideais de harmonia


A terra estranha, gelada e seca

Hostil lhe acolhe sem afagos

No peito acalenta a velha saudade

Da terra mãe e suas carícias


Estranho

Estrangeiro

Dos dias fagueiros

Sobraram breves lembranças

Saudades espaçadas

Choro, canções e pegadas

A serem guardadas

Junto com o desejo

De um dia voltar


Estranho

Estrangeiro

Vives agora

Da esperança de um dia

Viver o que agora é lembrança

Fazer o espelho lhe devolver

O já esquecido sorriso faceiro


Lillian Bento

segunda-feira, maio 31, 2010

Olhos e olhares perdidos

To sentindo falta de mim
Olho na cidade e não me vejo
Olho no espelho e não me encontro
Olhos estranhos me contemplam
Olhos distantes me observam
E eu desvio os olhos,
Fecho os olhos
E é neste momento que me vejo
Me vejo distante
Me vejo além
Me vejo inquieta
Me vejo triste
Me vejo alegre
Me vejo longe...
Longe desta imagem que agora contemplo no espelho.
Miro meu olhar que agora chora...
Continuo a me procurar

Lillian
(31.05.2010)

sábado, maio 29, 2010

"Meu cravo pessoal de defunto"

As árvores dos bosques, muros e paredes. Superfícies escolhidas pelos apaixonados para grafar nomes e declarar amores.

Por aí já vi coisas como:

João e Maria...
Ricardão, meu amorzão...
Rodriguinho, meu amorzinho...
Victor, sem você não vivo...
Rômulo e Tarcísio...
Juvêncio e Clementina...

E tantas outras declarações de amor que me lembram os versos de Carlos Drummond de Andrade:

"Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo- pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte. "

Morte essa iminente a quase todos esses amores solidificados em superfícies tão efêmeras quanto algumas dessas histórias de amor. Estaria a Maria ainda apaixonada pelo João? O Ricardão seria ainda o amorzão da anônima que feriu a inocente árvore para bravar sua paixão?

Superfícies. Superficiais. Eternos e efêmeros...

Eu, eu prefiro não usar as superfícies. Até devo ter feito isso na adolescência em algum caderninho, mas confesso ter esquecido. Prefiro não registar versos baseados em um pseudo ideal de felicidade e frases feitas.

Acredito em um outro amor, um amor pouco romântico, menos melado e menos regado a ápices de alegria e picos de tristeza e sofrimento...

Como lembra Moska ...

"A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido(...)"

Desconhecido e fluido. Muito além de muros, paredes e árvores! Muito além das fórmulas e de meladas declarações. Um amor de outro tipo...


terça-feira, maio 25, 2010

Antítese em metalinguagem

Em outubro próximo este blog faz 5 anos. Há alguns dias pensei em eliminá-lo, deixar para trás todo esse lirismo que o alimenta, mas agora percebo que isso é impossível. Impossível porque estou em cada linha aqui escrita, estou nesse layout já antigo que não consigo mudar e que traz um pouco do que preservo - o antigo, o que permanece diante da efemeridade da vida, o vintage.

Lembro que a decisão de criar este blog veio de um surto (quase psicótico), de uma revolta que já pulsava inquietante na minha alma desde muito antes de 2005. Assim, num impulso, como muitas coisas que faço na vida, passei a escrever o que sentia, o que me dava raiva e o que provocava alegrias. Me descobri ainda mais apaixonada pela escrita e comecei um ritual de só escrever aqui quando tivesse a alma invadida de sentimentos vibrantes. Seja de que ordem fosse, mas que fosse pulsante, que gritasse em mim. E assim, o fiz.

Por muito tempo sem divulgar, falar ou mostrar o que aqui escrevia. Ainda hoje não divulgo tanto, o que fez do blog um companheiro, quase um ouvinte de minhas quimeras. De tal maneira que agora, relendo textos antigos, posso ver mudanças, maturidade talvez, sentimentos antigos, alguns deixados para trás, outros transformados, mas nenhum esquecido.

Esta trajetória dá ainda mais sentido ao título do blog, aos versos de Fernando Pessoa - Flores que colho, ou deixo...

Vivo hoje um presente, sem esquecer o que aqui está registrado, preservando o usado, o velho, o antigo. Esse blog já está minha história, tanto que inicio a partir dele, um novo projeto, que espero em breve divulgar. Vamos ao futuro, sem perder de vista quem fomos no passado e sem acreditar que um dia saberemos quem de fato somos, tudo é trajetória, tudo é estrada na vida. Uma antítese sem fim e que torna interessante a vida.