domingo, novembro 25, 2007
Intervalo
domingo, novembro 11, 2007
Abrindo janelas e portas
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela, a primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota
Só uma parte da letra (Los Hermanos) porque as portas só começaram a se abrir.Espero logo que a escuridão e o frio dêem lugar à luz quente do sol.
quinta-feira, novembro 08, 2007
A sedução dos gênios
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
(agora leia também de baixo para cima)
quarta-feira, novembro 07, 2007
O Recado
A Alvorada do Amor
Um horror, grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse: Chega-te a mim! entra no meu amor,
E e à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgôsto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!
Vê tudo nos repele! a tôda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrêlas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...
Vamos! que importa Deus?
(...)
Sôbre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se amaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degrêdo e perfuma o deserto! (...)
Olavo Bilac (Livro: Bilac Tempo e Poesia publicado em 1965)
domingo, outubro 28, 2007
Inquietação
Invejo a tranqüilidade e os corações serenos.
O meu segue galopando no escuro.
Em batidas aceleradas das angustiantes incertezas.
Desejo a calmaria, mas vivo em tempestades.
E quanto mais desejo serenidade,
mais a angústia sufocante se instala.
Decidi parar de desejar.
Conheci o angustiante desejo de parar de desejar.
Quanto mais desejo não desejar,
mas o desejo teima em chegar
E quando tento silenciar sufoco o meu grito,
que incontido ganha o ar.
Lillian Bento - No limiar entre o silêncio e o grito
terça-feira, outubro 16, 2007
As roupas que não uso mais
Que pena, pensei! Eu gostava de mim daquele jeito. Do que vivi sendo a Lillian de longos cabelos trançados, sandálias de couro e batas artesanais. Mas não dava mais. Me senti meio estranha e não ficaria à vontade como antes. Tirei. Foi melhor. Vesti uma calça jeans, uma blusinha pequena - ao contrário das largas batas de antes - e uma sandália com um leve salto, o que antes seria imposssível. Saí. Agora parecia ser eu.
Só fiquei triste porque as mudanças no visual pareciam refletir transformações na alma. Gostava da menininha de antes, rebelde e sem grandes compromissos. Mas agora parecia não caber mais. Me sinto mulher, adulta, cheia de frustrações e compromissos. Olhei e minhas unhas estavam grandes e pintadas de vermelho. Deixei de resistir. Eu era outra, definitivamente!
Apesar de guardar em minh'alma a garota de antes, não a alimentava mais e nem podia. Ainda deixo ela gritar muitas vezes, dando lugar a um revezamento entre a garotinha e a mulher, ainda em fase de construção. E espero que a menininha não morra e, de vez em quando, vou tentar usar as roupas de antes. Quem sabe um dia deixe de ser estranho. Se for, as guardarei como guardo as doces, picantes, gostosas e saudosas lembranças dos tempos idos.
terça-feira, outubro 02, 2007
Não havia nada lá
Quem te levou?
Quem apagou a sua imagem do ar?
O que te fez mudar de vez a casa de lugar?
Eu procurei as flores que plantei
E não havia nada lá
Quando chegou
Até pensei que era pra ficar
E quando se foi
Eu juro que achei que iria voltar
Mas quando abri a caixa descobri:
Não havia nada lá
Não havia mais um dia perfeito
Não havia mais com que se enganar
Ventania no nosso deserto particular
Não havia mais maneira ou jeito
De fazer tudo se modificar
O futuro terminou antes de começar
Mas tudo bem
A gente tem mesmo é que se libertar
De ficar com alguém
Fazendo planos pro dia que ainda vai chegar
Pois me procurei dentro de ti
E não havia nada lá
sexta-feira, setembro 21, 2007
Introspecção
É minha a mania de pensar demais sobre a vida, sua efemeridade e o que tenho feito com ela. Estranho. Sou capaz de esquecer tudo isso (momentaneamente) em festinhas e reuniões regadas a cerveja e rock'n'roll. Mas diante do meu computador, do meu travesseiro, diante do espelho, volto à minha introspecção.
Nessa fase tenho uma vontade de dormir, que não é comum, menos vontade de conversar, o que é mais estranho ainda, e uma série de comportamentos que (eu sei) superficialmente parecem não combinar comigo. Na verdade nem sei porque resolvi escrever isso, talvez para dizer aos que me disseram "você está estranha comigo" que não é bem assim. O Moska entende (hehehehe) abaixo mais uma letra perfeita para o momento. Linda!
Eu vim andando, vagando, vagabundeando
Pelas ruas da cidade
Eu vim chorando, sorrindo, não quero entender
O porque dessa dor que me invade
Certas manhãs ou à tarde
Todas as noites ela vem e me arde
Na madrugada de sol desse quarto de hotel
Nada de beleza nua,
Só a solidão tão crua
De deslizar minhas palavras tão tristes nesse papel
Subo no último andar do edifício mais alto
Sei que preciso voar, mas é difícil dar o salto
Chego até a contemplar a infinita paisagem
Mas meus pensamentos me lembram que é outra viagem
Pois olhando de cima, pensava no chão
(Talvez visitar a tal exposição...)
É... eu já disse à vocês, essa dor sempre me ataca
Pois é... dessa vez aconteceu, por acaso, em Osaka.
(Por Acaso em Osaka. Moska, 1999)
quinta-feira, setembro 13, 2007
Quanta saudade!

quarta-feira, setembro 05, 2007
Eu
Sem rumo,
Sem vela,
Cavalo sem sela,
Um bicho solto,
Um cão sem dono,
Um menino,
Um bandido,
Às vezes me preservo noutras suicido.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Fora de lugar
Mas o melhor e mais deslocado dos acontecimentos estaria por vir.
Saímos do teatro, fomos comer e decidimos ir a um festival de rock alternativo no Martim Cererê. Lá, como sempre, encontrei diversos amigos. Muitas conversas legais, fúteis, inúteis, úteis, engraçadas, nem tanto... Mas de repente vejo um amigo que não costuma figurar neste tipo de cenário com freqüência. O querido Alexandre Bittencourt - o Xandão. Conversamos não sei quanto tempo, horas seguidas. Entre fumaças e goles de cerveja a conversa seguia.
Ao fundo uma banda qualquer - não me lembro e sinceramente não assisti a nenhum dos shows - tocava o punk rock de Ramones. Na nossa frente uma mulher fazia exibições de supensão humana pendurada com dois ganchos pela perna, sangrava e balançava o corpo de cabeça para baixo na mangueira do Martim Cererê. Em volta a fumaça, o cinza, o negro e adolescentes para lá e para cá com cabelos roxos, rosas, azuis...
De repente, o Xandão começa a contar histórias dos bailes de forró que ele costuma freqüentar aos sábados e sobre as tias com falhas no dente que já encontrou por lá. "É lindo ver a simplicidade estampada em um sorriso que mesmo faltando dois dentes expressa a alegria de estar ali no forró depois de um dia de trabalho e dificuldades", contava. Tudo bem. Não via tanta beleza assim, mas ele me lembrava do "sangue povão" que corre nas veias dele. E eu concordo, também gosto da proximidade com esse tipo de simplicidade e havia sinceridade nas situações que ele descrevia, isso era legal. Falamos muito sobre forró e até combinamos de ir um dia dançar, afinal eu também adoro.
De repente a ponderação. "Se alguém aqui ouvir nossa conversa vai reprimir com certeza, a maioria do povo aquie é preconceituosa", disse ele. Voltei os olhos para o cenário. Agora um homem continuava o show de suspensão humana pendurado sem camisa por dois ganchos - semelhantes àqueles de açougue - nas costas. "Tem razão, com tanto discurso de respeito às diferenças a maioria esconde preconceitos mesmo", respondi. Mas é o preço de ser minoria e no caso ali, nós erámos. Como disse a ele, um jornalista, jovem que freqüenta forrós não é tão comum, aliás é (in)comum.
Mas a conversa estava boa. "Quer saber, vamos continuar." E foi como se nós fôssemos verdes em meio a uma multidão de pessoas roxas, ou estivéssemos com roupas de praia no Pólo Norte, ou como se comessémos carne bovina em Uttaranchal, no Norte da Índia. Mas essa foi a viagem. "Vou escrever um texto sobre isso", avisei. "Escreve mesmo". "Quer uma cerveja?". "Quero".
domingo, setembro 02, 2007
Novo de novo... (fragmentos)
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
(...)
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
quinta-feira, agosto 30, 2007
O mundo não merece...
Passei o dia sem querer cumprimentar as pessoas. Claro que o fazia. Afinal o mundo não compreende e muito menos respeita meu mau humor. Mas não conseguia entender porque todo mundo que me falava 'oi' tinha a iniciativa de inventar um assunto que me obrigava a permanecer mais um pouquinho ali em um pseudo-diálogo. Prestei atenção em pouca coisa hoje, para dizer a verdade quase nada. Estritamente ouvi o que me interessou. Não atendi a maioria das ligações. Simplesmente decidi que não queria diálogos hoje. Nem sempre é possível, algumas pessoas é preciso atender, mas evitei o que pude. Com muita gente que conversei não lembro o assunto, mas sei que tudo me irritava. O jeito de falar, o cheiro das coisas, as manias, tocar em mim enquanto falam - coisa que sempre me irritou, aff...
Parece atitude de 'velha'? Muita gente já me disse isso. Que seja. Liguei o "foda-se" hoje desde a hora que acordei até agora - madrugada - enquanto aqui escrevo. A sorte das pessoas que me cercam é que nesses dias ganham mais com o meu silêncio. Quem não conhece pode estranhar, mas quem consegue "me ler" - como diz um amigo- no mínimo, acostumou-se. Vou dormir...
quinta-feira, agosto 23, 2007
Ser em mutação
Ontem queria colo
Hoje quero tato
E amanhã?....
quarta-feira, agosto 22, 2007
As inépcias da mediocridade
terça-feira, agosto 21, 2007
Não gosto do bom senso
Dos que secam de desejo
segunda-feira, agosto 20, 2007
Porque a gente é assim?
quinta-feira, agosto 16, 2007
12 páginas sem você
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção que o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
Preenchi 24 páginas do meu livro da vida, 12 delas ao seu lado, outras 12 contigo apenas na memória e na alma. Mas nunca consegui guiar a caneta sozinha e muitas páginas foram escritas à revelia de minha vontade, apesar de ter lançado as palavras não pude controlar as frases e parágrafos que elas formaram. Sozinha, mergulhei com sede na vida e consegui cavar o meu abismo e diante dele não sei se recuo ou pulo. Em uma dessas páginas adquiri uma mãozinha para guiar, mas me sinto perdida porque sequer encontrei meu caminho. Pareço perdida diante do labirinto do mundo, que é esse moinho ai. Devia ter prestado atenção na letra do Cartola quando tinha apenas 16 anos. Mas agora, só queria te dar um abraço, pai.
Abismo
-- A luz negra de um destino cruel ilumina um teatro sem cor
Hoje eu to representando o papel do palhaço do amor
Sempre só e a vida vai seguindo assim...
terça-feira, junho 26, 2007
Um segredinho... quase nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
domingo, junho 24, 2007
Os melhores dias
Em alguns dias meu corpo atinge o ápice da sensibilidade
Cada extremidade sente mais intensamente os estímulos do mundo
Nesses dias minha alma sente-se contemplada
Meu corpo a entende melhor, a sente quase na totalidade
E compartilha com ela desejos, sonhos, frustrações e prazeres
Gosto desses dias
Meus olhos vêem melhor o mundo e as pessoas
Minha boca sente mais o gosto da vida
Minhas mãos tocam mais lentamente as superfícies aprazíveis
Meus pés parecem conhecer melhor por onde pisam
Minha pele sente mais intensamente as carícias da brisa, do vento, do sol e da lua
E até meus cabelos gozam de uma liberdade diferente
Gosto mais do mundo nesses dias
Lillian Bento
Goiânia, 24 de junho de 2006 - 14h23
segunda-feira, maio 28, 2007
Dos mistérios do humano, ou da Lillian.
Com outras ocorre absolutamente o contrário. Por uma me encantei nos últimos dias, um encantamento de alma, que para mim, é raro de acontecer. Fiquei feliz por isso. A pessoa nem sabe disso, me contento ao pensar que talvez tenha mesmo sentimento bom ao estar comigo. Talvez não. Talvez eu seja para ela, como as duas que me incomodaram e me fizeram perder a paciência. Prefiro pensar que não. Mas ser humano é assim, com alguns a atração é fatal, com outros o contrário!
domingo, maio 20, 2007
O gozo sonhado
Consegui marcar uma entrevista para este blog, que é absolutamente inspirado na ação devastadora de Paulinho Moska (e também Fernando Pessoa) na minha alma. Meu ser, meu existir é permeado pela poesia do Moska e espero ser este o momento do eclipse. Momento ímpar e que jamais será esquecido.
Podem perguntar: mas para quê tanta empolgação. E se não der certo? Sei que corro este risco, mas como não esperar com tamanha felicidade um encontro tão desejado? Minha ansiedade é evidente, meus batimentos cardíacos não me deixam mentir quando penso a respeito. E, de fato, minha paixão poética não me permite usar de moderação sentimental agora.
Marina, estaremos juntas em mais este momento sublime de nossas vidas. Isto me alegra ainda mais. Quantos momentos nossos foram embalados pela melodia do Moska. Nada mais justo e maravilhoso o fato de estarmos juntas no show. Lembra: "O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa"? O último dos nossos momentos creitos-moskéticos. (suspiros) Mal posso esperar! (Lillian Bento)
Segue uma música que agora embala meu pensamento.
Da obra do grande Moska:
Assim sem disfarçar
Eu quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você,
Assim sem disfarçar,
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De todos os códigos, hábitos, truques, manias que insistem em estar
No meio, no centro, no canto da gente em lugares que eu não quero andar
Eu só quero te dar
E quero ganhar o que você me der
Eu quero te amar
Até não saber mais o que isso é
Eu quero querer igual a você
Assim sem disfarçar
E quero escrever uma canção de amor
Para nos libertar
De cada imagem errada que a velha palavra usada nos traz
De tudo que signifique que pra sermos um, temos que ser iguais
terça-feira, maio 08, 2007
Das ilusões
"Cansei de dobrar e dar na mesma esquina. Vou cair até pousar lá em cima." (Moska)
terça-feira, março 20, 2007
domingo, março 11, 2007
As belezas de março
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa -
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(Ricardo Reis, 13/06/1930)
E como não poderia deixar de ser:
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis (12/6/1914)
Mas,
As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em nascem,
Esse dia morrem.
A luz para elas é eterna porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há nite antes e após
O pouco que duramos.
(11/07/1914)
Tem mais a ser dito, mais a ser vivido, mais...
sexta-feira, março 02, 2007
sábado, janeiro 13, 2007
Imprensa que eu gamo
No blog a jornalista conta que a atual rainha de bateria, Mirelle de França, está cansada (sintoma típico da prática jornalística) e que não está disposta a encarar os ensaios. O bloco promove também um concurso para escolher o samba-enredo 2007. Os interessados devem enviar email para: alves.ramiro@gmail.com
É importante lembrar que para as duas categorias os candidatos devem ser jornalistas.
É uma ótima oportunidade para os jornalistas de Goiás soltarem o corpo e a voz na avenida e ficarem menos azedos. É claro que a dica não vale para todos.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Bigamia profissional
Agora de volta à cobertura de Cidades, em especial da educação de crianças e adolescentes, desfruto cada fase do processo de produção da notícia. Tenho prazer desde a criação das pautas e do surgimento de idéias, que de alguma forma contribuem para a sociedade, até o momento da redação. Me sinto realizada ao penetrar nos diversos ambientes sociais, seja a mais suntuosa mansão ou o casebre mais simples que Goiânia e a região abriga. No último dia do ano, por exemplo, me preparava para o réveillon sem grandes reflexões sobre a vida até chegar no jornal e receber a incumbência de ir verificar como seria a virada de ano para as famílias que perderam grande parte dos bens com a enchente que arrasou uma invasão no Jardim Guanabara II, periferia da Capital.
Enquanto entrevistava aquelas pessoas, que apesar de todos os dissabores agradeciam a Deus por estarem vivas, não parava de lembrar do luxo que compõe a realidade da maioria dos políticos que encontrava cotidianamente no jornalismo político. Há uma ligação forte entre as duas áreas, uma precisa da outra. Mas em um balanço a partir da realidade daquelas famílias do Guanabara, a sociedade contribuiu muito mais com os que ocupam o poder com o voto, que o contrário. A situação, principalmente das crianças, me causou um nó na garganta que durou até a hora da virada, e em menor intensidade, ainda está presente.
Recebi a notícia de que uma senhora faria doações para as famílias atingidas e senti meu coração acalmar. Talvez seja apenas um ato de demagogia involuntária, mas de fato fiquei melhor ao saber que de alguma maneira minha matéria contribuiu. Sei que o caminho não é este, prefiro acreditar na concretização de políticas públicas que dê dignidade maior para a população. Sei também que não é este o papel do jornalista, mas não nego que penso sim sobre a situação.
Mas o fato principal é que minha relação de bigamia entre a política e o social permanece. Confesso que o jornalismo político me atrai como vagalume na noite escura. E de outro lado, o social me oferece um prazer apaziguador. Como no Brasil, mesmo que velada a bigamia é aceita, sigo assim sem pressa de escolher o melhor casamento.
Por Lillian Bento
quinta-feira, dezembro 21, 2006
O vazio dos últimos dias de dezembro
Além do comportamento alheio, me incomoda o meu próprio. Tenho uma mania, quase uma compulsão, por analisar quem sou, para que estou e a que vim. Adianta? Não. Sempre conclusão de que não somos mais que uma piada de Deus, como bem definiu meu amado Paulinho Moska. Então porque algumas pessoas agem como se fossem mais que isso? Neste final de ano, em especial, carrego uma decepção acentuada com o ser humano e as razões que motivam o agir das pessoas. Situações me levaram à desilusão com outros seres e comigo também.
Gostaria de me tornar uma narradora-observadora da vida no período que vai de 15 de dezembro a 1º de janeiro. Enxergar o mundo sem me sentir inserida neste processo de final de ano, que sem maiores explicações que as acima, me incomoda.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Dos colores: Blanco y negro
era hacerlo en colores
una acuerela que hablara
de nuestros amores
Un colibri policromo
parado en el viento
una canción arco iris
durando en el tiempo
El director de la banda
silbando bajito
pensaba azules y rojos
para el valsecito
Pero ustedes saben señores
muy bien como es esto
no nos falló la intención
pero si el presupuesto
El blanco y negro
esta canción
quedó en blanco y negro
con el corazón
en el blanco y negro
nieve y carbón
en blanco y negro
en technicolor
pero en blanco y negro
Fuimos quitando primero
de nuestra paleta
una mirada turquesa
de marco violeta
Luego el carmín de las flores
encima del piano
una caída de sol
cuando empieza el verano
(Jorge Drexler)
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Não somos mais que uma gota de luz
As mudanças que invadiram minha vida nos últimos dias foram no trabalho. No começo fiquei um tanto chateada e tal. Depois percebi que "tudo se compõe e se decompõe", como ensina o meu mestre Paulinho Moska! Mas é verdade, as mudanças são tantas que é bobagem acreditarmos que tal ou qual espaço é nosso. Fui repórter de Cidades, área pela qual tenho absoluto tesão, adoro porque abre espaço para grandes reportagens. Sai. Depois fui para Política, área em que aprendi muito, principalmente na apuração e na arte de escrever com agilidade, e que me apaixonei também. Mas agora mudei de novo e assim será sempre na vida.
A Marina Mercante (minha super amiga que amo) sempre me diz: Calma, tudo se encaixa e temos uma incrível capacidade de superar, de nos adaptarmos. Verdade, Ma. E o Moska diria:
Calma, tudo está em calma
Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure.
E como não podia deixar de ser, a vida não pede licença e muito menos desculpa e o perdão é que possibilita o nascimento da culpa.
Sei que este texto ficou confuso. É que abriga a confusão de idéias que está agora em minha cabeça. O certo é que não somos mais que uma gota de luz, uma fagulha tão só na idade do céu.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
MEU PENSAMENTO NÃO QUER PENSAR
Meu pensamento não quer pensar
ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
é duro acordar e ver que no mundo
tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
se me esqueço
Que meu pensamento não quer pensar
e para apreender eu vou ter que apanhar
pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi
Que o meu pensamento não vai pensar
enquanto eu não fizer seu coração vomitar
toda a consciência que não o deixa em paz
com os mesmos padrões de séculos atrás
com as mesmas paixões por coisas
absolutamente banais.
(MOSKA)
segunda-feira, novembro 13, 2006
Quase nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
(Zeca Baleiro)
quinta-feira, novembro 09, 2006
Meu desejo...
Perguntei ao coração
Se queria descansar
Ele disse que não
Que não, que não queria...
Cansado de Sambar (Assis Valente)
domingo, novembro 05, 2006
À flor da pele (despertamentos)
Alguns acontecimentos ruins
Eis que algo direciona o olhar
O pensar e o sentir...
Faz querer experimentar
Com o corpo e com a alma
Sensações diferentes
Que fervilham em sincronia profunda (L.B)
terça-feira, outubro 24, 2006
Gozo sonhado
Nós o que nos supomos nos fazemos,
Se com atenta mente Resistirmos em crer
Não, pois, meu modo de pensar nas coisas,
Nos seres e no fado me consumo.
Para mim ê-lo. crio tanto
Quanto para mim crio.
Fora de mim, alheio ao em que penso,
O Fado cumpre-se.
Porém eu me cumpro
Segundo o âmbito breve
Do que de meu me é dado.
(Ricardo Reis - heterônimo de Pessoa)
domingo, outubro 22, 2006
A Notícia BOA
Por força do ofício, vivo à procura de notícias. E nesta nem sempre grata tarefa, tive ontem a melhor notícia de todos os tempos. Do site do moska:
TUDO NOVO DE NOVO: EM BREVE O CD NAS LOJAS
10/10/2006
O CD TUDO NOVO DE NOVO será distribuido pela SOM LIVRE e em breve estará novamente nas lojas.
O álbum inclui agora as versões em espanhol de LÁGRIMAS DE DIAMANTES e PENSANDO EM VOCÊ.
sexta-feira, outubro 20, 2006
...
Olho agora para o passado na tentativa buscar esse momento, esse limiar que antecedeu o momento em que me vi no olho do furacão. Me agarro a qualquer aparente oportunidade de escapar. Em vão. Nesses momentos não adianta olhar para o lado, pouquíssimas mãos estão estendidas e as que estão não conseguem me alcançar.
quarta-feira, outubro 18, 2006
Do fundo do baú
Sim, sim. Quem me conhece sabe que eu ODEIO o ritmo pobre (minha opinião, hehehe) da música sertaneja. Mas os caras dessa dupla eram amigos do meu pai. O primeiro meu padrinho, que desde meus dez anos de idade nunca mais ouvi falar. São de Jataí. E como ser de Goiás sem ter algo de sertanejo na história, nem que seja lá no comecinho da vida, como é meu caso.
Mas foi muito legal, minha reação. Levei um susto e ao mesmo tempo senti alegria por ter a comunidade como referência. Putz, lembrei de vários momentos de minha infância, das festas que rolavam em minha casa com a presença da tal dupla. Me lembrei até que o Orfeu (que nem lembro mais o nome verdadeiro) era minha paixãozinha platônica. Eu com meus cinco anos de idade. Sempre gostei dos amores impossíveis! hahahahaha.. Ô vida! Ao ler a letra que da música que a mediadora da comunidade postou, lembrei de toda a melodia e me vi pequenininha de shortinho amarelo e blusinha do cascão (turma da Mônica) sentada no quintal cantando. Foi lindo! Nunca pensei sentir alegria ao me deparar com uma música de dupla sertaneja, mas não posso negar minha nostalgia.
Além do mais, li com cuidado os versos e, uns dezoito anos depois, percebi que é uma letra bela. Posto a abaixo, com saudades ternas de minha infância que os anos não trazem mais!
“A lua é testemunha
Que o âmago da alma
Embuido de calma abraça uma saudade põe-se a cantar
Estrelas cintilantes
Que dançam céu à fora
Refletem na viola a sensibilidade de quem sabe amar
As mãos às vezes tensas
Se apegam uma à outra
Procuram controlar memórias amorosas que o tempo atiçou
As marcas do passado amargam minha mente
De forma comovente, fiz triste a canção e a noite chegou
Sozinho na noite feito um vagabundo e louco de amor
Faço das janelas meu palco de show
Me escolho, me humilho e canto o que sou
Um caso perdido um amante da lua
Um incompreendido, um lixo da rua
É que sou poeta e poeta é louco
Tem amor demais, tem de tudo um pouco...”
quinta-feira, setembro 14, 2006
11 anos de vazio
Lillian Bento
Hoje faz 11 anos que não tenho mais o meu pai por perto. 14 de setembro de 1995, uma data que ficou registrada em preto e branco na minha memória. Um dia como outro qualquer, mas que a vida reservou para ser um daqueles que nos mostra a fragilidade e pequenez nossa existência. São onze anos de vazio, um vazio de não saber como teria sido ter meu pai por perto quando tive o primeiro namorado, quando passei no vestibular, quando estreiei no Teatro Goiânia e depois comecei a percorrer o País com o teatro.
Um vazio de não saber qual seria a reação dele ao ver a filhinha, tão querida, grávida com apenas 19 anos. E um imenso vazio de não saber se seria tão carinhoso e mimaria tanto minha Maria quanto fez comigo enquanto pôde.
Em minh'alma tenho a certeza que sim, afinal como amava crianças o meu pai. Na verdade penso até que exagerou nos mimos que dedicou a mim, mas é como se soubesse que passaria apenas 12 anos a meu lado e precisasse deixar claro o amor. Amor esse que sempre compartilhamos em uma relação linda. Como esquecer que ao chegar do trabalho, tirava os sapatos e pedia para que eu me sentasse no sofá, recostava a cabeça no meu colo e me pedia sempre para fazer "cafuné".
Como esquecer da páscoa em que chegou com um ovo de chocolate maior que eu de presente. Como esquecer das viagens e do diário que escrevi aos sete anos de idade para contá-las. É, foram apenas 12 anos, mas muito bem vividos. Problema houveram, decepções também (como não?). Mas não representam sequer um milímetro perto do imenso amor que o dedico em meu coração. Nem sei como seria se o tivesse aqui hoje. Prefiro não pensar a respeito e ter as lembranças sempre dóceis e engraçadas de quem era meu pai. Antônio de Souza Neto. Um homem muito divertido. Boêmio por natureza.
Amava a rua e as pessoas, aliás sempre lembro de meu pai cercado de pessoas. Recordo dos churrascos que promovia em nossa casa e que reunia amigos até a manhã seguinte. Penso que "herdei" dele o gosto pela rua e até alguns aspectos de minha vida profissional. Meu pai não era jornalista como eu, mas o seria fácil se assim tivesse pretendido. Era um comunicador por natureza e de um humor sarcástico, característica importante ao bom jornalista.
Pai, terá sempre meu amor e minhas melhores lembranças. Só de uma coisa consigo me arrepender ao lembrar de ti, que é do fato de ter tido sempre um gênio tão difícil e um certo bloqueio de dizer claramente às pessoas que amo, o quanto as amo. Não me lembro das vezes que te disse um bom e sonoro "eu te amo". Mas sei que sempre soube de meu amor, e isso me conforta um pouco. De toda sorte, agora digo em meus pensamentos a ti direcionados o quanto amo. E sei, que o verdadeiro amor está além de tudo, inclusive da morte. "Tudo passa, só o amor fica e é eterno e imortal."
sexta-feira, setembro 08, 2006
Virtual(mente)
De onde vim? Pra onde irei? Não sei
Já nem sei no que vai dar
Nossa paisagem nova, pop filosofia
quarta-feira, agosto 30, 2006
Os dissabores da reportagem - um dia na cobertura do caso Osvaldo Pereira
O fato é que, ao se sentir ofendido pela cobertura do caso, o governadoriável perdeu a cabeça ontem ao me encontrar (de novo) no Ministério Público Estadual (MPE) para fazer cobertura de outras irregularidades do candidato ainda da época em que fora diretor do Procon municipal. Osvaldo fez ameaças sutis e, visivilmente perturbardo, disse que poderia processar o jornal e a mim pela cobertura. Ora, processar por tentar reportar à população as versões da sucessão de fatos podres que vieram à tona depois da exibição do Fantástico?
O acusado ficou ainda mais nervoso ao perceber a presença do repórter fotográfico que me acompanhava no trabalho. "Não quero aparecer, esse ai veio aqui a mando daquela lá (eu)". Não, não mesmo, meu caro candidato, nós dois estávamos ali no exercício de um trabalho digno e honesto.
Mas o pior, foi no momento em que deixou a sala onde prestava depoimento sobre cinco crimes de que está sendo acusado. O GOVERNADORIÁVEL dirigiu-se à mim e disse: "Você está contra mim, é uma carniceira."
E é por isso, por essa última frase ofensiva proferida na presença do repórter fotográfico que escrevo neste espaço. Para dizer que não trabalho contra esse ou aquele. Os fatos estão contra tal candidato. Escrevo também para dizer que o trabalho da imprensa precisa ser respeitado e que a sociedade deve estar atenta a qualquer tipo de tentativa de limitar, o já tão limitado, trabalho da imprensa.
Até entendo o Osvaldo, que disse que não gostaria de ser fotografado, de aparecer como acusado. No lugar dele eu não iria querer aparecer nem no Fantástico (hihihihi). Mas, confio na justiça (claro que com um pé atrás) e confio ainda mais na atuação do Ministério Público. E que venha a tão sonhada reforma política que o Brasil tanto necessita. Enquanto isso, nunca torci tanto para que essas legendas de aluguel fiquem retidas na Cláusula de Barreira este ano. Apesar de insuficiente, seria uma tentativa real de põr fim às barganhas, negociatas, aluguel de mandatos e práticas afins, como uma vergonhosa tentativa de vender espaço no horário eleitoral GRATUITO.
(Lillian Bento)
Osvaldo Pereira
O candidato teve ainda a ousadia de dizer que faria a negociação por ser "dono do partido". E disse em alto e bom som: "comprei o partido, porque no Brasil partidos emergentes a gente compra." Sinceramente, nunca torci tanto para que muitos desses nanicos fiquem retidos na cláusula de barreira. Mas sei que não é suficiente para acabar com a proliferação de políticos como Osvaldo Pereira, que diz a quem quiser ouvir que será "o governador da educação" e não mostra o mínimo de cortesia com o povo brasileiro.
Antes de qualquer reforma na educação, o Brasil precisa de uma efetiva reforma política. Uma mudança capaz de matar desse sentimento de impotência que agora compartilho com meus irmãos de pátria. Pelo menos, neste tenho esperança de que a justiça eleitoral puna efetivamente. E me sinto melhor quando penso que na tentativa de vender horário nobre, Osvaldo Pereira foi flagrado em horário nobre para o Brasil inteiro ver e se indignar. (L.B)
quinta-feira, agosto 10, 2006
A (viagem) gota d'água e o filme de consolo
Há algumas semanas tenho pensado sobre como tem muita coisa fora do lugar na minha vida. Mas na tentativa de adiar algumas reflexões aparentemente necessárias, tentei reprimir tais pensamentos e os rebatia com o argumento: "e quem determina os lugares certos para as coisas". Mas hoje não deu, tem muita coisa fora do lugar mesmo, ainda que não saiba ao certo quais são os lugares adequados.
Depois de uma noite péssima, acordei com a difícil missão de me despedir da Maria, que se preparava para sua primeira viagem sem mim. Ela ainda dormia, quando comecei a tomar as providências finais para a partida e organizava a pequena mala colorida. Tudo pronto, me despedi com um nó imenso na garganta. Disse "eu te amo, vou sentir saudade. Você me liga?"
E ela respondeu "também te amo. Mas só vou ligar se eu sentir saudade, tá?" Foi tão espontânea, que respondi decepcionada: "tá". Após um longo abraço seguiram viagem. Maria (toda feliz em sua cadeirinha rosa de auto), meu padrasto e minha mãe. Subi. Dormi um pouco mais, até a hora de me aprontar para ir trabalhar.
Antes, pensei. Pensei sobre mim, as pessoas e situações que me cercam. - Puxa, como deixei a vida me levar. Como tudo parece fora do lugar. Dividi a vida por aspectos para analisar melhor, mas o resultado foi pior. Decepção. Se considerasse uma pontuação de zero a 10, teria o seguinte quadro:
Vida profissional: 3 Sentimental: 0,5 Financeira: 0,8 Familiar: 5
Números negativos. Senti vontade de chorar. Dormi.
À tarde, no jornal, lembrei da Maria. Ainda não havia me ligado, talvez na empolgação da viagem não tivesse ainda tempo para sentir saudades. Comecei a trabalhar. Outros problemas relativos aos aspectos acima notificados. Não pude conter o choro. Algumas pessoas perceberam. Disse que chorava de saudade da Maria. E de algum modo era também.
É estranho. Em dias como hoje me sento alheia ao mundo e às pessoas. É como se estivesse fechada para balanço. As pessoas falam comigo, mas a sensação é de ouvir ruídos. Caminhavam e eu eu só percebia vultos. Concentração mesmo, só na hora de apurar os fatos e escrever. Depois flutuava, como quem observa para ver os passos errados e dizer "volte, não é por aí".
E como se isso fosse possível, tive vontade de ficar só. De correr, de fugir. Não o fiz, claro. Esperei. Mas ao terminar minha matéria pensei em ir ao cinema. Era tarde, 22 horas, fui. Sozinha. (É raro sentir vontade de ficar sozinha, mas ontem precisava) Em minutos estava no shopping, cheguei nos trailers e tive dificuldades para encontrar um bom lugar. Achei, mas quase tropeço em um casal de adolescentes, que literalmente se pegavam dentro do cinema. Senti raiva, é claro. Por que não procuraram um motel, porra? Mas a presença pegajosa e incômoda do jovem casal ao lado tornou-se insignificante logo às primeiras cenas do filme.
Assistir a história daquela mãe, que ao perder o filho reorienta toda a vida para alcançar justiça e conviver com o sofrimento, me fez perceber (mais uma vez) que aos 23 anos de idade já tenho o que na vida me fará mais feliz: a Maria. Claro, que sofro diante de minhas decepções e anseios com as outras áreas da vida. Mas percebo que quando sofro porque a responsabilidade de ser mãe limitou meus passos, o faço sem causa. Porque se não tivesse hoje a Maria, acabaria tudo que tem sentido.
Para mim, Zuzu é a prova de que para uma mãe felicidade está no sucesso dos filhos. Não há maior fã e pessoa detentora de maior amor. Não vou contar a história, até porque recomendo que todos assistam, mas ser capaz de mudar tudo por uma pessoa é incrível. E esse belo sentimento, um tanto egoísta (de achar que só seu filho é tudo) tenho em mim. Chorei ainda mais de saudade da Maria, que não me ligou.
Não deve ter tido tempo de sentir saudade. Mas eu liguei (quatro vezes). Ela só quis falar comigo uma. É assim, ser mãe é ter o mais belo dos sentimentos. Amar sem esperar mesmo NADA em reconhecimento.
Ao final do filme e após ter chorado o dia todo, percebi que os outros problemas me incomodam sim. E incomodarão enquanto não resolvê-los, um a um. Mas o alento de saber o que é amar de verdade eu tenho. A Maria me deu.
quarta-feira, agosto 09, 2006
Apropriação devida: Alguém
E agora procura sua alma perdida no corpo não sabe de quem e em sua cabeça ela começa a gritar, mesmo não tendo ninguém pra escutar.
- Onde andará meu amor, que me deixou sem me avisar quando ou se vai voltar pro lugar que escolheu, para ser meu. Mesmo que cedo ou tarde ele torne a me abandonar.
Todos na rua parecem saber dos detalhes do que aconteceu e mesmo tão nua, ela encara sem medo os olhares que lhe dizem adeus. Pois pra quem já perdeu o que tinha quando decide partir já venceu.
Quero ser ombudsman de mim...
o sol tão claro, Esmeralda,
e em minhalma — anoitecendo."
(Manuel Bandeira)
quarta-feira, agosto 02, 2006
Do amor...
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com AMOR.
Chamam de AMOR esse querer escravo,
e pensam que o AMOR é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o AMOR já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do AMOR é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O AMOR é um móbile.
Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do AMOR nos domine?
Minha resposta? O AMOR é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o AMOR será sempre o desconhecido,
a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do AMOR é a de um ser em mutação.
O AMOR quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do AMOR depende dessa interferência.
A morte do AMOR é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o AMOR, não podemos castrá-lo.
O AMOR não é orgânico. Não é meu coração que sente o AMOR.. É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve. O AMOR faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu..
...como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O AMOR brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
o AMOR grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do AMOR,
se estivermos também a devorá-lo.
O AMOR, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o AMOR a navega.
Morrer de AMOR é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se vive no AMOR.
E a língua do AMOR é a língua que eu falo e escuto.
Por Moska
Árvores alheias
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Queria a vida fosse sempre assim, como canta acima Ricardo Reis. Viver sem dar importância ao que não tem, sem se importar com o que é sombra de árvore alheia. E melhor, viver sem ter ninguém de olho na sua sombra. É... mas não tem jeito, alheio ao que penso, o fado cumpre-se!
Flores que colho, ou deixo...
Flores que colho, ou deixo,
Vosso destino é o mesmo
Via que sigo, chegas
Não sei aonde eu chego.
Nada somos que valha,
Somo-lo mais que em vão.
terça-feira, agosto 01, 2006
E se um dia tudo faltar.... haverá sempre um anjo para me amparar.
Saí do jornal por volta de 22 horas. Em minutos estava na companhia confortante da pequena Maria. Ao encontrá-la outra surpresa (desta vez boa): ao me ver machucada ela virou-se de lado e chorou. "Eu fiquei triste porque você machucou", disse entre lágrimas sentidas e o abraço mais gostoso que há no mundo. Cansada comi alguma coisa, conversamos. Ela me contou da escola e de como ela conseguiu conversar com a Ester, "amiguinha" de quem ela não gosta tanto. "Não gosto da Esté, ela pegou minha flor um dia e jogou fora." Mas hoje ela superou isso e (seguindo meus conselhos) conversou e brincou com a coleguinha. Contou ainda da primeira tarefinha depois das férias e da recepção que a escola preparou.
Ouvi tudo como se escutasse música clássica. A voz mais linda me contava os feitos mais interessantes do mundo. Fomos dormir. Antes contei duas estórias "de livro", como prefere a Maria. E depois de todo o stresse de ter sido atropelada, fechei os olhos. Minutos depois abri com a certeza de que veria a pequena já adormecida. Mas para terceira surpresa do dia, vi que os pequenos olhos me observavam. Por alguns minutos ela vigiou meu sono e ao me ver abrir os olhos abriu um lindo e doce sorriso. E com magia plena me abraçou e encheu meu rosto de beijos. Os melhores do mundo. Naquele instante pensei: pode me faltar tudo, se sobrar esse sorriso meu mundo está completo.
O sorriso de anjo, do meu pequeno anjo. Não há atropelamento que me tire essa alegria e que abale esse amor.
domingo, junho 18, 2006
Jornalismo político
Semana passada tive a oportunidade de participar de um curso de capacitação para jornalistas para a cobertura das eleições 2006, oferecido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e ANJ (Associação Nacional de Jornais). Ouvi Franklin Martins com a experiência de décadas no fazer do jornalismo político. Luiz Fernando Rila, chefe da sucursal do Estadão em Brasília. Este aliás me seduziu com a defesa do jornalismo cético por completo. Na cobertura de eleições desde o marcante ano de 1989, Rila conta as vantagens e desvantagens de não acreditar na política e no jornalismo para ser, assim, um jornalista político.
Mas sem dúvida a melhor discussão foi a dos blogueiros Guilherme Fiuza, do Política e Cia, Fernando Rodrigues, da Folha, e do encantador Jorge Bastos Moreno, do Globo. Senti que entro para a história do jornalismo, quando ela ganha um novo modelo, uma quebra de paradigmas com a apropriação do blog como ferramenta jornalística. Instrumento que redefine a construção do texto, dá as costas para a impessoalidade e imparcialidade e, sem dúvida, dá uma apimentada na cobertura das eleições de 2006.
Aliás, a minha primeira cobertura de eleições não podia ser mais apropriada. Este ano a mini-reforma política (Lei 11.300/06) pincelou a vontade de alguns de fazer a efetiva reforma e criou obstáculos a mais para importunar a prática de corrupção e abuso do poder econômico nas campanhas. Não são mudanças capazes de inibir a antiga e enraizada prática do caixa dois, mas são capazes de imprimir alterações com a proibição de outdoors e showmícios. Ao menos temos o prazer de ver candidatos perdendo peso com a prática intensiva de caminhadas e do famoso corpo-a-corpo com o eleitor.
Bom, dou a mim mesma as boas vindas ao mundo do jornalismo político, já com quase dois meses de prática. Que eu aprenda a ser mais e mais cética, a duvidar e continue querer sempre mais, mesmo diante da frustação de não alcançar nunca o ideal da isenção de interesses e da imparcialidade. Vamos às eleições e fiquem ligados na tv a partir do dia 15 de agosto, afinal faltam 30 dias para irmos às urnas.
terça-feira, junho 06, 2006
Cabelo Brancoooooo!!!!!!!!!!!!!
-Um cabelo branco.
-Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh..... credo!
Minha reação foi absolutamente involuntária. O grito grave chamou atenção dos presentes, cerca de dez pessoas que guardavam o silêncio típico do local. Estavámos no cemitério. Senti-me envergonhada, disfarcei e fingi ter esquecido o fato.
Já na redação, tive um dia de turbulência. Daqueles em que as pouca coisa dá certo. Era deputado que não atendia telefone, senador que não dizia o que interessava, enfim... Mas a cada intervalo o fio prateado voltava a me tomar os pensamentos. O sentimento era de angústia.Queria me livrar daquele simples amontoado de queratina que carregava em si o peso da idade.
Exagerada
Acredito que não. É que o primeiro cabelo branco representa muito na vida de uma pessoa. Primeiro assusto porque em minha família as pessoas costumam demorar para ter fios brancos. Depois porque me assusta a idéia de a vida estara passando tão rápido e aparentemente fora de meu controle. O nascimento deste cabelo significa que tenho que apertar ainda mais o passo para correr atrás do que desejo.
Não haverá outra chance, assim como não haverá o nascimento de outro primeiro cabelo branco. Ai, lembrei do meu querido professor Signates que um dia depois de uma discussão do núcleo de pesquisa, me aconselhou a aproveitar mais o que de bom as escolhas que fiz me trouxeram. Ainda que meu ímpeto me levasse a somar apenas os prejuízos.
Na verdade tento ter paciência, pensar no tal "lado bom", e estava quase conseguindo. Até que veio esse cabelo branco aí para me pressionar. Ai, ai...
Ah, tem um problema: ainda não consegui me livrar do fio intruso que sumiu em meio aos meus adorados cabelos escuros. Por favor quem achar: denuncie!
